Sobre o tal mimimi masculino

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Para algumas garotas não existe nada mais chato do que um cara sensível (ao extremo). Convivendo com mulheres fortes, que vivem diariamente suas lutas existenciais, sem falar das lutas pela sobrevivência do ganha-pão, é notória a falta de paciência com o mimimi masculino. Os colhões estão diminuindo (risos com seriedade). Se para o homem, uma mulher chata, reclamona já era uma coisa a se evitar, quando se invertem os papéis, e o rapaz passa a problematizar tudo, as garotas se afastam legal.

E queridos amigos, não pensem que elas possuem tato para discutir esse tipo de situação. Quando a mulher-chata é assim (chata), quase sempre o rapaz fica com ela porque entre deixá-la e admitir a situação existe o que chamo de um olhar de pena pela fragilidade feminina. Até certo ponto, os homens se sentem atraídos pela chatice feminina. Mas o contrário não é bem assim. Então aguentem um não!

Elas perdem a paciência quando ele é o frágil da relação e apontam sem constrangimento nenhum o dedo na ferida deles. Não existe “ainda” o olhar de pena pela fragilidade masculina. Se elas soubessem que estamos cada dia mais acuados, sentiriam mais pena, sentariam para discutir a relação. O machismo de se silenciar, porque ser homem é ter que ser racional e não emocional, vem caindo por terra em velocidade da luz.

Cada dia mais fudido, o homem sensível não encontra colo de mãe, nem ombro amigo para se fortalecer. Hoje em dia é até permitido chorar, mas cada um com seus problemas, que resolva seus fantasmas pessoais com analistas ou remédios. Que fique claro, que ela, a mulher, não precisa e não quer precisar de um bebê gigante, babão, dependente de afeto. Ela tira o homem-chato de sua vida em questão de minutos. Leva-se mais tempo para passar um batom do que ela dizendo um adeus. Vai doer? Que doa nele, claro.

As minhas amigas mais íntimas até reclamam quando estão sozinhas, quando ficam sem sexo – quando não encontram algo substancial para algo mais duradouro num cara. Mas, entre ficar sozinhas e cuidar de homens-chatos, elas preferem morrer sozinhas, cuidando de gatos até o fim. Por falar em gatos, se um homem for bem observador verá que cada vez mais as mulheres estão preferindo mais gatos, animais independentes.

Esses dias, eu ouvi de uma amiga casada que o marido vem se mostrando frágil em diversos aspectos da relação. Ela, que ainda não tem filho (e nem quer), foi bastante enfática ao frisar pra mim, que se ele não mudar seu modus operandi de ser, o casamento correrá um sério risco de acabar. Impressionado com a secura das palavras indaguei se ela não levaria o casamento em si em questão. Ela, olhando bem em meus olhos, me soltou: do mesmo jeito que casei, separo. Em seguida virou para o computador e continuou o trabalho como se nada tivesse sido dito. Na hora pensei: esse camarada tá ferrado (e ri dentro de minha cabeça rsrsrsrsr)!

Sou da extrema defesa do feminismo e acho mesmo que o impacto da mulher independente ainda não se pode ser medido em nossa sociedade, mas já é sentido em todos os aspectos. A falta de tempo, tanto para ela quanto para ele, reflete nas relações amorosas, de forma densa. Não é que o amor esteja acabando, ele só não é mais o mesmo e nem possui prazo de validade longo, virou iogurte.

Parece que às vezes, o melhor é não amar, e sim se ter paz, ficar quieto, em silêncio. Reclamação não constrói nada, não adianta, só atrasa. Acho que esse reverbério feminino de não mais querer discutir a relação tem é muito a ensinar a todos nós, homens. Se elas, que antes morriam pela boca, preferem agir progressivamente. Que nós possamos mediar nosso atual mimimi transformando-o em atitude, honesta e delicada (também). Todo homem pode ser delicado no trato social, sem cultivar mimimis.

O pior é que enquanto escrevo essa crônica me percebo homem-chato-frágil-baseado-em-mimimis também. Vou pensar mais sobre tudo isso… sei que é difícil, mas, oremos, homens, e vamos até ali aprender com elas!

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