Briga de torcidas: suspeito de matar torcedor começa a ser julgado

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Júri prossegue no Gumersindo Bessa (Foto: Arquivo Portal Infonet)

Acusado pelo assassinato de Danillo Cruz Santos, com 19 anos à época do crime ocorrido em 2009, Wesley Santos Chagas, um ano mais velho que a vítima, está sendo julgado em júri popular inciado na manhã desta quarta-feira, 10, no Fórum Gumersindo Bessa, em Aracaju. O julgamento está sendo conduzido pelo juiz Alício de Oliveira Rocha, da 5ª Vara Criminal de Aracaju, que iniciou os trabalhos ouvindo as testemunhas arroladas pelo Ministério Público Estadual. O réu nega participação no crime e a defesa, articulada pelo advogado Evânio Moura, atua com a tese de negativa de autoria.

O juiz ouviu o depoimento da então companheira da vítima que na época estava com aproximadamente no sexto mês de gestação e presenciou o crime. Ela não tem dúvida da participação direta de Wesley Santos, conhecido como Sniff, naquela ação criminosa, que ocorreu na porta da casa da mãe dela, no conjunto Augusto Franco. Conforme a denúncia do Ministério Público, o crime ocorreu como consequência de uma briga entre torcidas organizadas de dois times de futebol destacados em Sergipe: Wesley era integrante da torcida Trovão Azul, do Confiança, e Danilo da Torcida Esquadrão Colocado, do Sergipe.

“Fiquei sabendo da briga de Wesley com outras pessoas e sei que ele encontrou Danilo e tirou a vida dele e quase tirou a minha vida também e do meu filho porque eu tava grávida”, declarou a então companheira da vítima. O auditório onde está ocorrendo o júri está dividido: de um lado se posicionaram familiares do acusado e do outro amigos e parentes de Danilo.

A vendedora Maria Larissa Serafim, ex-esposa de Danilo, com quem teve um filho [na ocasião do crime a criança estava com apenas um ano de idade] também estava ao lado da família da vítima. “Ninguém tem dúvida que foi ele [Wesley]”, desabafou. “Ela viu tudo e reconheceu dois”, ressaltou. Mas neste julgamento, apenas Wesley figura como réu.

Conforme os autos, quatro homens envolvidos neste crime utilizaram um veículo de cor prata e o condutou se aproximou da casa onde a vítima se encontrava, usando a contramão de direção. Chegando na porta, eles teriam baixado os vidros do carro e disparado um único tiro que fatalmente acertou Danilo.

Inocência

O pai do acusado, que acompanha os trabalhos do júri, se declarou nervoso, disse que o filho era inocente, mas não quis se identificar nem fazer qualquer comentário sobre as acusações. Depois do assassinato de Danilo, o acusado passou a frequentar uma igreja evangélica e arrolou fiéis como testemunhas. Todos prestaram informações positivas sobre o comportamento de Wesley e disseram que só o conheceram no ano de 2010, praticamente um ano depois do crime, quando o acusado decidiu se integrar à congregação religiosa.

A ex-esposa de Danilo criticou essa estratégia da defesa. “Tem dez anos que ele tá solto e foi pra igreja e traz testemunhas da igreja, que só conheceram ele depois desse crime”, reagiu Larissa. “Quer dizer que agora ele virou santo no céu? E agora minha filha está sem pai e deixou o outro, que agora tá com um ano”, reagiu. O julgamento segue, sem previsão de conclusão.

por Cassia Santana

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