Brincadeira, além de ser um direito, é “coisa séria”

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No artigo 16° do Capítulo II do Estatuto da Criança e do Adolescente, que trata do Direito à Liberdade, ao Respeito e à Dignidade, está escrito que “toda criança tem direito de brincar, praticar esportes e divertir-se”.

 

Esse é um item que também consta na Declaração Universal dos Direitos da Criança (aprovada na Assembléia Geral das Nações Unidas em 1959), no artigo 7º, ao lado do direito à educação: “Toda criança terá direito a brincar e a divertir-se, cabendo à sociedade e às autoridades públicas garantir a ela o exercício pleno desse direito”.

 

A brincadeira pode parecer um ato banal para os adultos, mas os especialistas afirmam que brincar é ‘coisa séria’. “Brincadeira é predominantemente diversão, mas também é ‘coisa séria’, pois, mesmo sem intenção de aprender, quem brinca aprende. No contexto social a brincadeira traz aprendizagem significativa para as crianças”, explica a pedagoga especialista em educação infantil, Maria José de Azevedo.

 

O ato de brincar é milenar e universal. O filósofo Homero do século século 7 a.C fala de jogos infantis na ‘Odisséia’. Em túmulos de crianças do século 4 a.C., na Grécia, foram encontradas bonecas. Mas é impossível dar a palavra final sobre a origem dos brinquedos e das brincadeiras.

 

Ao longo do tempo algumas brincadeiras de antigamente ficam, outras desaparecem e novas surgem. A criança é o grande agente dessa construção e reconstrução do seu universo lúdico. Mesmo sem ter consciência da importância, durante essas atividades os pequenos desenvolvem, entre outras coisas, aspectos físicos, psicológicos, sociais, culturais, antropológicos e sobretudo favorece na formação da criança enquanto sujeito.

 

Rebeldes?

Uma das novas brincadeiras que tem feito a cabeça das crianças, é um tanto incomum, e é para o menino Arthur Renato de seis anos a sua preferida. A nova diversão da criançada leva o nome de uma novela: Rebelde. “É a minha novela preferida e eu gosto de brincar de Rebeldes. É assim, cada um vira um personagem e aí a gente brinca”, explica o pequeno.

 

Segundo a professora Nadja Maria, essa é uma das brincadeiras mais comuns entre as crianças. “Quando eu pergunto do que eles querem brincar eles gritam logo ‘Rebeldes’. Eles dramatizam, cantam, dançam. Tem horas que tira a paciência. E também não gosto muito porque durante a brincadeira eles começam a brigar, ficam rebeldes mesmo”.

 

“Eles estão muito expostos à televisão e acabam assimilando aquilo. Não dá para fugir”, acrescenta a professora de educação física, Adilma Freire. Para a pedagoga Maria José, “A violência está contribuindo para que cada vez mais as pessoas estejam trancadas em suas casas e, em conseqüência, as crianças estejam mais próximas da ‘babá eletrônica’, para alívio dos adultos”.

 

Apesar da onipresença da ‘babá eletrônica’ na maioria dos lares, ainda sobra espaço para as brincadeiras clássicas, como o pega-pega, o esconde-esconde, a boneca, o carrinho, o futebol e o parquinho.

 

Independente da forma de se divertir e o que vale mesmo é brincar, porque “sem a liberdade para participar de brincadeiras, as crianças podem se desenvolver com limitações psicossociais, cognitivas e de criatividade”, explica especialista.

 

Confira entrevista com a pedagoga Maria José de Azevedo

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