Dezenove PMs temem expulsão

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Na ocasião policiais realizaram a ronda a pé (Fotos: Arquivo Portal Infonet)
Policiais Militares da Companhia de Policiamento Turístico (Cptur) foram ouvidos na manhã desta terça-feira, 14, na 6° Vara Criminal no Fórum Gumersindo Bessa, por conta da recusa de dirigir viaturas, no início deste ano.

A situação, que foi noticiada pelo Portal Infonet no último dia 3 de Fevereiro, evidenciava ainda a questão da mudança na escala e a transferência de alguns militares para outros batalhões no interior do Estado.

De acordo com alguns policiais que foram depor, a recusa para dirigir as viaturas se deu por conta da ausência de qualificação. “Não cometemos nenhum tipo de crime, apenas não dirigimos as viaturas porque não temos o curso de Direção de Veículo de Emergência, agora estamos sendo julgados e

A audiência aconteceu na 6ª Vara do Fórum Gumesindo Bessa
processados”, desabafa um dos policiais que, temendo represálias, preferiu não ser identificado.

Ainda de acordo com o militar, na ocasião existiu uma conversa com o Comando Geral, onde ficou acordada a implantação do curso. “Logo depois fomos chamados para essa conversa onde eles colocaram que iriam implantar o curso, então voltamos a dirigir as viaturas e hoje alguns dos policiais já fazem o curso”, explica.

Desabafo

Com medo de serem expulsos da corporação, os militares protestaram contra a situação que estão sendo expostos. “Hoje estamos aqui como se fôssemos bandidos, correndo risco de sermos condenados e presos, além de expulsos da corporação, já que a tentativa da acusação é alegar que fizemos um motim. Deixo bem claro que não deixamos de

O advogado Márlio Damasceno lembra que PMs realizaram policiamento
trabalhar, apenas realizamos nosso trabalho a pé”, afirma um dos militares.

Ainda na próxima quinta-feira, 16, mais seis militares serão ouvidos a respeito do caso. “É um total de 19 policiais militares e hoje foram ouvidos 11. Quero só ressaltar que nenhum dos 19 policiais tem algum tipo de processo ou ficha suja. Somos todos pessoas de bem e uma das companhias mais elogiadas não só pela própria polícia Militar, como também pela sociedade em geral”, salienta.

Advogado

O advogado Márlio Damasceno, que defende dois militares no processo, ressalta que os policiais se recusaram a dirigir as viaturas porque não possuem o curso de direção de veículos de emergência.

Comando diz que cabe ao Ministério Público denunciar ou não os militares
De acordo com o advogado o curso é obrigatório e está previsto no código de trânsito.

“A verdade é que somente agora alguns militares começaram a fazer esse curso, o que é uma afronta ao Código de Trânsito. Acredito que seja uma falta de conhecimento do comando da legislação. Essa falha não vem somente desse comando. Muitos policiais continuam trabalhando ilegalmente. É uma ordem ilegal, dirigir uma viatura militar ou veículo de emergência sem o curso”, destaca o advogado, completando que muitos policiais foram acusados de ter não terem trabalhado.

“Os policiais se recusaram a dirigir por conta da falta do curso, mas todos eles trabalharam normalmente realizando o policiamento ostensivo a pé”, ressalta Márlio Damasceno.  

Comando Geral

De acordo com o assessor de comunicação da Polícia Militar, capitão Robson Donato, na época do fato a polícia vislumbrou que a atitude no mínimo se caracterizava prática de crime militar. “A partir daí foi instaurado um inquérito e no final o resultado desse inquérito foi remetido à Auditoria Militar, com isso é o Ministério Público que vai ou não denunciar. Se ele achar que não houve crime pede-se o arquivamento, caso contrário ele será julgado. Agora isso corre por conta da Justiça Militar, o comando não tem mais envolvimento”, explica o assessor de comunicação.  

 

Por Alcione Martins e Kátia Susanna

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