Guarda Municipal tenta desapropriar famílias no Marivan

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Segundo populares, os agentes queriam derrubar a força as casas e para isso usaram até tratores para amedrontar as famílias (Foto: Portal Infonet)

Moradores do bairro Marivan foram surpreendidos na tarde desta segunda-feira, 8, com uma ordem da Guarda Municipal para desapropriação de sua casas. Um trator foi levado até o local, mas nenhuma casa foi demolida devido a resistência das famílias.

Segundo um dos líderes da ocupação, Antony Santos, os policiais chegaram sem nenhum aviso prévio. “Chegaram aqui viaturas da Guarda Municipal e assistentes sociais querendo derrubar nossas casas. Essa é a forma do poder público tratar as famílias?”, questiona. Ainda segundo ele, em virtude dessa ação, algumas famílias se desesperaram. “Teve um mulher que quase desmaiou”, lamenta.

Antony diz que os policiais não conseguiram derrubar as casas porque o povo se uniu e demonstrou resistência. “Eles vieram para derrubar todas as casas. Só não derrubaram porque as famílias entraram em desespero e ficaram na frente das máquinas”, exclama. “Eles foram embora, mas disseram que iriam voltar. E nós estaremos aqui unidos para quando voltarem”, desabafa.

Para o Defensor Público, Alfredo Nikolaus, a atitude da Prefeitura de Aracaju beira a desumanidade.“Não foi feito nenhum planejamento estratégico para realocar essas famílias. Simplesmente passar o trator, derrubar as casas e colocar as pessoas na rua não é solução. Isso nós não vamos permitir”, assinala. Nikolaus diz que a Defensoria pretende fazer um relatório sobre as condições de cada família e encaminhá-lo a prefeitura para saber qual estratégia de realocação ela possui. “Em caso de recusa da Prefeitura, nós iremos tomar as medidas cabíveis”, ressalta.

A Prefeitura Municipal de Aracaju (PMA), por sua vez, informou, por meio da Secretaria de Comunicação, que os agentes da Guarda Municipal estavam fazendo cumprir a lei. “É bom salientar que há um crime. Eles invadiram um leito de rua”, destaca o secretário Luciano Correia. Ainda segundo a pasta, há o desejo antigo de se construir um obra nesse local para beneficiar a comunidade. “É um sonho antigo que temos. É um projetor de mobilidade urbana que abrangerá o bairro 17 de Março e adjacências”, ressalta.

por João Paulo Schneider e Verlane Estácio

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