MENINOS

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No último dia 4 de setembro, na qualidade de jornalista colaborador do informativo da InfoNet, enviei uma nota à redação que foi divulgada na íntegra. Dizia o seguinte: “Vejam só o que não faz uma boa providência. Daqui mesmo desse noticiário, cobrou-se do Prefeito Marcelo Deda uma providência para os chamados “meninos de rua” – aquela garotada de 4, 5, 6 anos que se posta nas esquinas das avenidas movimentadas e avança sobre os carros pedindo “uma moeda”. Durante a sua campanha, o atual prefeito Deda comprometeu-se com a sociedade de retirar essa gurizada das ruas, para dar-lhes ensino e até, se possível, uma ocupação. Passado todo esse tempo, a providência não vinha. Mas, esta semana, as assistentes sociais da Prefeitura passaram a recolher a gurizada. Muitos reagiram até com brutalidade para deixar “seus pontos”. Mas, falou mais alto a excelência da ação. Pelo menos ontem, não se viam esses garotos, menores vigiados pelos irresponsáveis à distância, fazendo mendicância. Ganhou a cidade, mas, principalmente, ganhou essa gurizada que precisa, isso sim, freqüentar as escolas”. A publicação desta nota ensejou ao Sr. Enrique Daniel Figueiredo, argentino que mora no Brasil, mais precisamente em Aracaju, o envio de um e-mail ao redator do texto, vazado nos seguintes termo: “Prezado Ivan: Sou assíduo leitor do “Jornalzinho da Infonet” e me chamou a atenção sua matéria afirmando que teriam sido retirados, você diz hoje, definitivamente os meninos de rua de Aracaju. Bom, além de me surpreender com essa sua afirmação, me surgiu a dúvida e sai, câmara em mão, para as ruas a comprovar se tal afirmação era certa. Para meu desconforto e desilusão, não só não era verdade como parece que todos os meninos de rua do mundo tinham-se unido e estavam nas ruas de Aracaju. Todo esse trabalho, você dirá, só para negar minha matéria? Não, me tome esse trabalho porque desenvolvo a muitos anos um trabalho na área de Prevenção ao Uso de Drogas. Em várias oportunidades tentamos trabalhar com você, quando você era o chefão da FUNCAJU, lembra, até projetos apresentamos para gravação de um CD com a garotada de rua do CAIC junto com Artistas da Terra e como sempre vocês (digo vocês os que compartem o poder) nos enganaram e nos passaram a perna, até os dez reais para à tramitação do projeto depositei e nunca ma devolveram, assim como nunca o projeto saiu da tua gaveta. Lembra agora? Então prezado Ivan espero que nunca mais faça afirmações como a que fez sobre os meninos de rua, falta muita vontade política e faltam “bolas” para tomas decisões nessas área. Você deve saber muito isso já que fez parte do Clã Gama, não é verdade, que entrego a Prefeitura para o PT dois anos antes das eleições. Como nossos políticos corruptos falam, meninos de rua não dão votos. Me lembro que você não aprovada nosso trabalho, em muitas oportunidade você me diz que essa questão das drogas era besteira e que cada decide seu futuro, lembra? Prezado Ivan o mundo e pequeno e Aracaju mais ainda e como dizia meu saudoso pai: “aquilo que você fala ninguém borra com o cotovelo”. Como sempre estou a tua disposição no meu telefone (79) 211-6061 ou através do meu e-mail. Espero que todo isto te sirva de lição para não achar que você está no céu e nós mortais aqui na terra. Como dizia meu pai: “dime com quien andas y te dire quien eres”. Ah, mais uma coisa, você se lembra aquele dia que deixastes o Ruben Lisboa e os músicos varados lá na 13 de julho porque não mandastes o som, nos tínhamos adivinhado tua jogada e a de Marieta (Falcão). Infelizmente Aracaju está cheio de pessoas como você, mesquinhas e oportunistas que se fazem de vítimas e vivem bem. Um abraço colega Enrique Daniel Figueiredo. Obs.: Fiquei sabendo que você é crítico de cinema? Estudo em que faculdade Ivan? Me desculpa meu português, é muito ruim” (A transcrição do e-mail está exatamente como ele nos chegou, com todos os erros de Português, de ortografia à gramática). O que nos decidiu tornar público este e-mail (e já que ele foi recebido por mim, tenho todo o direito sobre ele agora, de jogá-lo no lixo ou respondê-lo) foi pelas ofensas ali registradas. Para começo de conversa, se o tal Sr.Enrique Daniel Figueiredo não é jornalista e muito menos “crítico de cinema”, colega é exatamente o que não somos. A não ser que, como ele me rotula de uma “pessoa mesquinha e oportunista”, ele seja exatamente isto. Como o leitor pode ver na nota divulgada, fizemos apenas uma constatação. A gurizada que ficava nos sinais desapareceu. E digo lá: “pelo menos ontem”. Não há referência na nota de que a ausência dos meninos de rua na própria rua seja em caráter definitivo. De definitivo, como se sabe, não existe nada neste mundo. Nem a vida, nem o amor, sequer o ódio… Logo, o tal Sr. Enrique andou lendo exatamente o que não escrevi. Refere-se o tal Sr. Enrique a contatos mantidos comigo quando era Presidente (nunca foi chefão de ninguém, nem de mim próprio) da Funcaju. Lembro-me que ele estava interessado em gravar um CD com meninos de rua (não sei quais, ou de que ruas, nem procurei saber) mas como o orçamento da Fundação era diminuto, aconselhei-o a entrar com um projeto dentro da Lei de Incentivo a Cultura que, naquele momento, estava em vias de voltar a funcionar – como, aliás, voltou, no último ano da administração Gama. Naquela época, naquele momento, os projetos a serem acobertados pela Lei ficavam sob a guarda da Secretária da Lei. Esta, d. Osvaldina, em consulta feita esta semana, por telefone, disse-me que o tal argentino nunca deu entrada no projeto e, que, portanto, nunca pagou os dez reais para tramitação do projeto. O tal Sr. Enrique, é, agora, então, um mentiroso. A Funcaju não poderia devolver o que dele nunca recebeu… Da conversa sobre as drogas, lembro que lhe falei de minha posição. O indivíduo, de menor idade ou de maior idade, que opta pelas drogas, tem caráter fraco, deve ter tido criação desvirtuada ou, se for adulto, sofre de problemas psicológicos ou sociais crônicos. O mesmo se pode dizer de um alcoólatra. O tal Sr. Enrique passa a ser mentiroso duas vezes, atribuindo-me frases (“a questão das drogas era besteira”) que, tenho certeza, nunca pronunciei. No que se refere ao “cano” que pretensamente dei (eu só, eu e Marieta Falcão, então Secretaria de Educação, ou somente a Marieta?) no tal Sr. Enrique e no artista Rubens Lisboa, mantive contato com este cantor e ele me informou que tal fato nunca existiu. Disse-me, e autorizou a usar suas palavras, que a única coisa até hoje que reivindicou a minha pessoa, enquanto dirigente de órgão cultural, foi um sistema de som para o lançamento do seu CD, no Atheneu, e foi atendido. Lisboa lembrou que foi procurado pelo tal argentino para fazer um CD com meninos de rua, ele informando que já dispunha de patrocinadores. Quando descobriu, posteriormente, que o tal argentino, de concreto, não tinha nada, o projeto não foi adiante. Como todo ser humano, o signatário tem defeitos. Não um, mil defeitos. Mesquinho talvez, oportunista acredito que não. Só não sou como o tal Sr.Enrique que agride as pessoas por e-mail e quer que fique por isso mesmo… Ah, sim: nunca, jamais, em tempo algum, me rotulei de crítico de cinema. Até porque sempre detestei esse rótulo. Sou apenas uma pessoa que gosta demais da sétima arte e, por causa disso, escreve sobre cinema, na Infonet, no Jornal da Cidade, em qualquer espaço que lhe ofereçam. Não conheço em nenhum dos quase 200 países da Terra, faculdade para formar críticos de qualquer coisa. Agora, um conselho final a este tal Sr. Enrique: porque ele não retribui a boa acolhida que o Brasil lhe dá, aprendendo a escrever a língua que aqui se cultiva? Para isso, siga o conselho que me deu: vá a uma faculdade… Pelo texto acima, assino e me responsabilizo por ele: Ivan Valença

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