“Musicalidade”, por Rubens Lisboa

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LANÇAMENTO

 

Cantores: VÁRIOS

CD: “NAMORANDO A ROSA”

Gravadora: QUITANDA / BISCOITO FINO

 

Em homenagem à violonista e compositora Rosinha de Valença, falecida em junho do ano passado após passar 12 anos em coma por efeito de uma parada cardíaca, a cantora Maria Bethânia arregimentou uma série de intérpretes amigos e produziu o CD intitulado “Namorando a Rosa”, já nas lojas.

 

O disco é um emocionante resgate de algumas belas canções de sotaque ruralista de autoria de Rosinha, adicionadas a outras que fizeram parte do repertório da instrumentista que acompanhou diversos medalhões da nossa MPB.

 

É a própria Rosinha quem abre o CD, executando esplendidamente o chorinho “Pedacinhos do Céu”, de autoria de Waldir Azevedo. Já Bethânia interpreta sozinha, com a competência de sempre, “Usina de Prata” e “Madrinha Lua”, dois momentos sublimes do CD. Acompanhada por convidados pinçados a dedo, a filha de Santo Amaro da Purificação faz dueto com Dona Yvonne Lara em “Sonho Meu” (samba apresentado à baiana por Rosinha, o qual alavancou as vendas do LP “Álibi”, lançado por Bethânia em 1979 e que chegou a mais de um milhão de cópias), com Joanna em “Chuá Chuá” e com o mano Caetano Veloso em “A Pescaria”.

 

Alguns temas instrumentais compostos em homenagem a Rosinha também estão presentes. É o caso de “Rosinha, Essa Menina”, de Paulinho da Viola, executado por Yamandu Costa, de “Prelúdio da Rosa”, com Turíbio Santos e de “Mais uma Rosa”, com Hermeto Pascoal.

 

Há ainda a malemolência de Martinho da Vila no blues “Pro Amor de Amsterdam” e a docilidade camerística de Miúcha na poética “Meus Zelos”. Mas os melhores momentos de tão iluminado disco ficam mesmo com “Interior”, magistralmente defendida pela maranhense Alcione, e com “Os Grilos são Astros”, faixa que reúne tio e sobrinha famosos, no caso, Chico Buarque e Bebel Gilberto, num inusitado e belo dueto.

 

Enfim, trata-se de um trabalho de cunho afetuoso mas de realização irrepreensível e que não pode faltar na cedeteca de qualquer pessoa de bom gosto. Corra e ouça!

 

NOVIDADES

 

·                     Chiko Queiroga e Antônio Rogério participam do Projeto Pixinguinha no dia 22 de fevereiro às 18 horas em show que se realizará na Sala da Funarte, no Rio de Janeiro.

·                     Em fase de mixagem, no Estúdio Capitania do Som, os primeiros CD’s de Joaquim Antônio e de Sergival, bem como o segundo trabalho de Nino Karva. Os três discos (bastante aguardados) devem ser lançados ainda neste primeiro semestre.

·                     Por outro lado, em estágio mais adiantado, já se encontra mixado e pronto para prensagem o novo CD de Jó Baba de Boi que também foi gravado no Estúdio Capitania do Som. Quem ouviu, garante que vem boa coisa por aí!

·                     A próxima edição do projeto “Um Barzinho, Um Violão”, levado a cabo pela gravadora Universal, será basicamente dedicada à Jovem Guarda e contará com as participações de Ivete Sangalo, Fernanda Takai (vocalista da banda Pato Fu), Daniela Mercury, Nando Reis, Zeca Pagodinho, Ney Matogrosso, Sandra de Sá e Caetano Veloso, entre outros. O lançamento (em CD e DVD) está previsto para o primeiro trimestre deste ano.

·                     O contrato de Martinho da Vila com a gravadora independente MZA, pertencente ao produtor Mazzola, foi renovado há cerca de um mês e seu novo CD de sambas já se encontra em fase de gravação. O lançamento está previsto para o primeiro semestre de 2005.

·                     Vem aí o próximo CD de inéditas de Margareth Menezes, recém-contratada pela EMI depois dos êxitos alcançados pelo disco ao vivo lançado por ela de maneira independente, o “Tete a Tete”, e pelo que registrou a sua apoteótica apresentação no Festival de Verão de Salvador em 2004, colocado no mercado pela Som Livre. A faixa que vai puxar o novo disco se chama “Abanaê” e já toca nas rádios da Bahia, sendo uma das mais executadas neste Carnaval. A cantora incluirá também versão em português da canção “Como Tu”, o atual hit do colombiano Carlos Vives.

·                     Também se encontra em estúdio, finalizando as gravações de seu próximo trabalho, um outro baiano arretado: Tom Zé. Ele terá a incansável Zélia Duncan em uma das faixas, numa participação mais que especial.

·                     “Latina”, “A Nega e o Rebolado”, “Aos Truta” e “La Dulce Vita” são as melhores faixas do novo CD da excelente banda Funk Como Le Gusta, a responsável por lançar a cantora Paula Lima no mercado da música. Para quem gosta de um som dançante e muito bem feito não dá para perder este disco, um lançamento da ST2 Records.

·                     Seis anos após lançar o seu primeiro CD, a cantora Regina Machado põe nas lojas o novo trabalho que se intitula “Pulsar”. A voz é gostosa, afinada e potente e o repertório equaciona razoáveis composições próprias (em parceria com Silvia Ferreira) com boas releituras que vão de Caetano Veloso (“Fora da Ordem”) a Paul McCartney (“Junk”). Totalmente baseado em violões, cello e contrabaixo, o disco tem tratamento sonoro bastante simples, porém com resultado eficiente. Os destaques vão para as regravações de “Meia-Noite”, de Edu Lobo e Chico Buarque, e de “Quadro Negro”, de Lenine e Carlos Rennó.

·                     E para quem está cansado de tantos baticuns e salamaleques, uma boa pedida é o CD “Meu Tempo” de Zezé Freitas. Acompanhada nas doze faixas apenas pelo preciso piano de Nenê, o disco disfarça a qualidade mediana das músicas através da excelente performance vocal da cantora, dona de uma voz super afinada, muito bem colocada e de um timbre belíssimo. Os destaques vão para a criatividade de “Um Convite”, parceria do pianista com Eduardo Neves, e para a ginga e o balanço de “Pirambeira”, de autoria de Thaís Andrade e Natan Marques, que foi o guitarrista da banda que acompanhou por muito tempo a excepcional e única Elis Regina.

·                     O sambista Jorge Aragão lança pela Indie Records o CD “Ao Vivo 3”, confirmando a acertada aposta nesse filão, já que o trabalho sai com uma tiragem inicial de 50.000 cópias. Não tem a pulsação dos dois trabalhos anteriores desse tipo, porém, mesmo assim, trata-se de um belíssimo disco de samba. Mas a verdade é que a voz grave do cantor confirma-se pequena diante de inspiradas canções da lavra do compositor, tais como: “Novos Tempos”, “Tendência” (com D. Ivone Lara) e “Logo Agora” (com Jotabê). Há, ainda, regravações de sucessos alheios, a exemplo de “Na Rua, Na Chuva, Na Fazenda” (de Hyldon), “Você Abusou” (da dupla Antônio Carlos & Jocáfi) e “O Negócio é Amar” (parceria póstuma de Carlos Lyra e Dolores Duran). O descaso das gravadoras com os músicos instrumentistas torna-se claro na foto da contracapa do CD quando os nomes das canções que integram o repertório terminam passando por cima do rosto de um dos percussionistas. Um descuido imperdoável!

·                     Nem bem pôs nas lojas o CD “Namorando a Rosa” (resenhado acima), por ela produzido, Maria Bethânia estará lançando, até o final deste mês, um novo trabalho sólo. Gravado desde 2003, o aguardado disco da cantora baiana é um tributo a Vinícius de Moraes e se intitula “Que Falta Você Me Faz”. Em mais um trabalho lançado pela gravadora Biscoito Fino, Bethânia redimensiona sua memória afetiva e revisita a obra do Poetinha com a galhardia que lhe é peculiar. São 15 faixas, das quais constam parcerias com Tom Jobim, Garoto, Chico Buarque, Carlos Lyra, Baden Powell, Toquinho, Adoniran Barbosa e Jards Macalé, além de uma versão de Caetano Veloso para “Nature boy”, de Eden Ahbez, incluindo um antigo registro da voz de Vinícius, recuperado por Bethânia. Dentre as músicas mais famosas há “Minha Namorada”, “A Felicidade”, “Tarde em Itapoã”, “Gente Humilde”, “Samba da Bênção” e “Bom Dia, Tristeza”. Mas obras menos conhecidas também têm o seu espaço, como é o caso de “O Astronauta” e “O mais-que-perfeito”. A canção “Lamento no morro” foi criada para a peça “Orfeu da Conceição”, de 1956. Na sua versão, Bethânia incluiu o “Monólogo de Orfeu”, enfatizando o componente teatral sempre presente nas interpretações da cantora. O samba “Mulher sempre mulher” também foi concebido para “Orfeu da Conceição”. Mas Bethânia arrasa mesmo é na sua especialidade: as canções dramáticas e românticas tipo “Modinha”, “O Que Tinha De Ser”, “Você e Eu” e “Eu Não Existo Sem Você”. Mais um álbum de categoria da filha mais famosa de Dona Canô!

·                     Na próxima semana, aqui no nosso espaço, teremos uma entrevista com o produtor, compositor e cantor Neu Fontes, nome de ponta da música sergipana e que atualmente está à frente do Programa “Nossa Música” que é veiculado pela Liberdade FM todos os sábados às 17 horas. O loiro estará botando para quebrar, falando francamente sobre os mais diversos assuntos. Imperdível!

 

Quaisquer críticas e/ou sugestões serão bem-vindas e poderão ser enviadas para o e-mail: rubens@infonet.com.br

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