Negociação não avança e rodoviários continuam sem ticket alimentação

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A categoria reivindica o pagamento do ticket alimentação e  protesta contra a extinção da função de cobrador (Foto: Marcelle Cristinne/ASN)

Após a audiência de conciliação realizada pelo Ministério Público do Trabalho na manhã desta segunda-feira, 22, o Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário de Aracaju (Sinttra) informou que nenhum novo passo foi dado em relação à atual situação dos rodoviários em Aracaju, que reivindicam o retorno do pagamento do ticket alimentação e  protestam contra a extinção da função de cobrador.

De acordo com Miguel Belarmino, presidente do Sinttra, a realização da audiência não resultou em avanços para a categoria devido à falta de posicionamento da classe patronal. “A classe patronal não deu nenhuma proposta para resolvermos a atual situação”, declara. O sindicalista havia anunciado a realização da audiência com o MPT durante a manifestação dos rodoviários que aconteceu na última sexta-feira, 19, em algumas avenidas e terminais de integração de Aracaju.

A manifestação deixou mais de 40% da frota de ônibus do serviço de transporte público coletivo de Aracaju e da região metropolitana desfalcada (Foto: Setransp)

Ainda segundo Miguel Belarmino, no início da tarde desta segunda-feira, uma outra audiência foi realizada pelo desembargador Fábio Tulio Correia Ribeiro, do Tribunal Regional do Trabalho (TRT20). Na audiência, se manteve o que ficou decidido na última sexta-feira, 19: o percentual mínimo de coletivos circulando permanece em 70% e caso haja greve ou paralisação dos rodoviários, o sindicato e outras organizações que sejam responsáveis pelos atos deverão pagar R$65 mil por dia.

O presidente do Sinttra lamenta a realização da manifestação dos rodoviários que aconteceu na última sexta-feira e cita o protesto como um fator que dificultou a solução das reivindicações. “Está difícil a situação dos rodoviários, principalmente quando se fez aquele ato na sexta-feira”, desabafa. “O máximo que eu pedi foi que não fizessem greve naquele dia e esperassem o prazo legal para a solução das pendências”, completa.

Uma nova assembleia será realizada pelo Sinttra no próximo domingo, 28, para debater as reivindicações e buscar novas alternativas.

Setransp

O Setransp já havia divulgado que permanece aberto ao diálogo aberto com o Sinttra no intuito de buscar as melhores alternativas para as demandas dos rodoviários, do mesmo modo que tem priorizado mover todos os esforços para garantir a manutenção dos postos de trabalho. O Setransp disse também que que não existe nenhuma pendência junto à categoria, já que data base da Convenção Coletiva é 1º de março, e revelou que a manifestação, sem qualquer prévio aviso, não teve respaldo legal.

Ainda segundo o Setransp, o setor de transporte tem lidado com um grande déficit econômico há alguns anos, agravado pela pandemia da Covid-19. Só em 2020, segundo o Setransp, o setor sofreu uma queda no número de passageiros de aproximadamente 45,9%, resultando em uma perda significativa de receita. Somado a isso, ainda há o novo aumento nos custos do serviço com a alta do preço do diesel superior a 15%.

Entenda

Rodoviários fizeram protestos em avenidas e terminais de integração da capital na sexta-feira, 19. A categoria reivindica o retorno do pagamento do ticket alimentação, protesta contra a extinção da função de cobrador e pede a manutenção do plano de saúde, assim como a concessão de reajuste salarial.

O Sinttra disse que não teve relação com os atos, mas revelou que aprovou o indicativo de greve durante uma nova assembleia realizada no mesmo dia.

Por causa do protesto, a circulação do transporte coletivo foi afetada. O Tribunal Regional do Trabalho (TRT da 20ª região) determinou que os rodoviários mantenham 70% do efetivo, por ser tratar de um serviço essencial. Na manhã do sábado, 20, a frota voltou a operar normalmente, porém segundo o Setransp, 243 ônibus foram vandalizados, o que corresponde a 56,25% da frota operante.

 

Por Isabella Vieira e Verlane Estácio

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