“Pirambu tem praia e sol, faltava um terceiro item: folia”

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No próximo dia 29, o município sergipano de Pirambu dará início ao 4º Pirambrega. O evento, famoso por reunir pérolas da música brega nacional, contará com a presença de Borba de Paula, Amado Batista, Amorosa, Julio Nascimento, Adilson Ramos, Lairton e seus Teclados, dentre outros. Para cada dia, a entrada para a festa custa 1 kg de alimento não perecível. Em entrevista exclusiva ao Portal InfoNet, o secretário de Turismo Esporte e Lazer de Pirambu, Antônio Valdione de Sá, falou sobre as potencialidades turísticas do município e a festa que promete trazer o melhor do brega. PORTAL INFONET – Como é trabalhado o turismo em Pirambu? Como nasceu o Pirambrega? VALDIONE SÁ – Pirambu basicamente se voltou muito à exploração do turismo. Uma cidade que era comum, como as outras, pequena e desprovida de estrutura. Pirambu tem praia e sol, faltava um terceiro item: folia. Nós criamos uma programação de eventos onde surgiu o slogan “Pirambu: o termômetro da folia”. Nós criamos a primeira marca com um calendário anual, onde o termômetro da alegria acontecia dia e noite. Nós começávamos com o reveillon, depois o festival de verão – que ía do ano novo até o Carnaval e se caracterizou como o maior evento de Pirambu -, depois vinha a quaresma e, na semana santa, tínhamos uma cavalgada com eventos durante todo o período de final de semana prolongado. Depois vinha o período de São João com jogos de inverno, compreendendo Corrida de Jegue, Cavalgada e Festejos Juninos. Depois de termos criado todas essas festas que contribuem para o nosso turismo, surgiu a necessidade de ser criado um evento diferente. O Pirambrega está no seu quarto ano. Somos a única cidade do Estado de Sergipe e do Nordeste – que saibamos – que tem um evento como esse, servindo para difundir o estilo musical brega. A Bahia tem o axé, o swing e veio também forte com o pagode. Sergipe e Ceará começaram a se identificar com o forró. Pirambu veio valorizar os artistas da música brega. PI – O que fez Pirambu se firmar no turismo? VS – Pirambu com o seu estuário, com a boca da barra, onde desemboca o Rio Japaratuba, hoje é bem visitado pelos turistas que conhecem de perto o potencial dos manguezais, assim como as dunas como Lagoa Redonda, Santa Izabel, Cachoeira do Roncadouro e o Projeto Tamar, onde temos uma reserva ecológica. Com tudo isso, Pirambu deu uma alavancada muito grande e agora, com esta aproximação de Aracaju, o público aumentou. Pirambu é uma cidade bonita. Hoje está limpa e bem organizada e dispondo de várias pousadas, com um bom serviço de policiamento. A cidade é tranqüila para o turista. PI – Além da animação, o que mais o Pirambrega oferece aos participantes? Como fica a segurança? VS – Quando se faz um evento como esse, a preocupação é criar uma estrutura primordial. Para se ter uma idéia, na área de assistência médica, nós dispomos de cinco ambulâncias – isso para qualquer festa realizada em Pirambu – dois médicos 24 horas, fora enfermeiros, equipes auxiliares e, além disso, bugres e motos patrulhando a praia com lanchas infláveis e salva-vidas municipais e estaduais. No policiamento, nós contamos com cerca de 300 policiais militares mais um contingente da polícia civil e seguranças locais contratados pela Prefeitura. PI – Em época de festas e no verão, é normal o comércio de aluguéis de casas na cidade. O que isso significa para a economia do município? VS – Em Pirambu só existia uma pensão e hoje temos cerca de 14 pousadas de pequeno e médio porte. O mais curioso do município é que 60% da população tem um comércio automático, já que as famílias se unem para alugar suas casas. Em um evento como este de um final de semana, eles conseguem fazer o capital de, em média, R$ 400,00 a 1.500,00 só pelos três dias. Essa prática acontece durante o verão todo. PI – Para onde vão os alimentos arrecadados durante a festa? VS -Esse evento vai ser feito sem cobrar ingresso. Na entrada, as pessoas estarão doando 1 kg de alimento não perecível que, logo depois, no Natal, serão feitas cestas básicas e entregues às pessoas mais carentes do município ou aos pescadores que estão impossibilitados de pescar devido ao defeso do camarão e outros crustáceos. Além de tudo isso, o comércio também vai ser beneficiado, porque estará de plantão para vender o alimento que dará o acesso à festa. No ano passado recebemos 60 mil pessoas e, se este ano o número for este, já conseguiremos 60 mil quilos de alimentos que vão ser vendidos e entregues à comunidade carente. PI – Como vocês estão trabalhando a questão do transporte para Pirambu durante a festa? VS – Em se tratando da BR, não temos nada a reclamar da rota Sul e da Coopertalse. Mas pedimos encarecidamente ao pessoal da H Dantas – porque nós dependemos, na travessia, tanto do hidroviário como principalmente as balsas que atravessam de Aracaju para a Barra dos Coqueiros. O fluxo é tão grande que nós temos receio de perder um grande número de turistas que desistem da festa quando vêem o tamanho da fila para atravessar. Isso é o que mais nos preocupa, porque o turista só quer ir pela barra, porque assim ele já vai fazendo turismo, passando por dentro da Barra, para passar na Atalaia Nova, Hotel da Ilha e vendo as belezas da praia. Dar uma passada no Porto, vendo o litoral a olho nu, vendo a Praia da Costa, o Jatobá, a Praia do Toro e chegando à ponte de Pirambu, vendo aquele visual bonito da Boca da Barra, a foz do Rio Japaratuba. Para tudo isso, nós dependemos de um único sistema que ainda tem monopólio que é a H Dantas. Não queremos que a festa seja estragada por uma ineficiência que a H. Dantas por ventura venha a apresentar por causa de uma morosidade em não se preparar para um evento como esse.

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