PMs: falta de curso expõe cidadãos ao risco

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Os militares estão sendo ouvidos na 6ª Vara Criminal (Fotos: Portal Infonet)
Nesta quinta-feira, 16, mais nove militares estão sendo ouvidos na 6ª Vara da Justiça Militar do Fórum Gumersindo Bessa, sobre a questão de terem se recusado a dirigir viaturas. O fato foi mostrado no inicio do ano pelo Portal Infonet.  Na última terça-feira, 14, um grupo de militares começaram a prestar depoimento sobre o assunto.

Abalados e temendo represárias os militares preferiram não mostrar o rosto, mas relataram porque se recusaram a dirigir as viaturas. “É um risco preservar o militarismo em face da segurança de nós militares e da sociedade. Esse curso é muito importante não somente para os policiais, mas o Corpo de Bombeiros e quem trabalho no Samu é obrigado a ter esse curso de Direção de Veículo de Emergência”, diz.

O advogado Salvino afirma que policiais não tinham curso de direção  
Outro militar também se pronunciou e afirma que por falta do curso algumas ocorrências se tornam perigosas. “Muitas vezes saímos em perseguição de bandido agindo como um civil comum, sem nenhuma preparação. Não é possível que o comando não perceba que isso é um equivoco e que estamos aqui pagando por algo que não é culpa nossa”, defende.

Associação

O gestor da Associação dos Servidores Militares de Sergipe (Absmse), sargento Edgar Menezes, acompanhou os depoimentos dos policiais e disse que muitos apresentam um quadro de depressão. “Essa semana fui acompanhar um militar que tem mais de 20 anos de serviço, com um comportamento excepcional e agora está sendo tratado como bandido”, critica.

Advogado

Sargento Edgard diz que policiais estão sendo tratados como bandidos
O advogado Rivaldo Salvino do Nascimento Filho afirma que os militares estavam diante de um contra-senso. “Nenhum desses militares tinham curso de direção. Sem o curso o comando expõe os militares e a sociedade ao risco. Em nome da legalidade, será que esses policiais podem colocar a sociedade em risco?”, questiona o advogado.

Comando

O assessor de comunicação da Polícia Militar, capitão Robson Donato, disse que na época do fato a polícia vislumbrou que a atitude no mínimo se caracterizava prática de crime militar.

“A partir daí foi instaurado um inquérito e no final o resultado desse inquérito foi remetido à Auditoria Militar. Com isso é o Ministério Público que vai ou não denunciar. Se ele achar que não houve crime pede-se o arquivamento, caso contrário ele será julgado. Agora isso corre por conta da Justiça Militar, o comando não tem mais envolvimento”, explica. 

Sobre o contra-senso colocado pelo advogado, o capitão lança outro questionamento e mais uma vez lembra que o caso não cabe mais a PM e sim à Auditoria Militar. “O que seria mais danoso: a recusa desses policiais em fazer o policiamento motorizado ou a segurança permanente da população? Então nesse conflito com certeza o maior prejuízo seria a falta do policiamento”, observa.

Por Kátia Susanna

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