Reciclagem: catadores fazem protesto na Emsurb

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Catadores se concentram na porta da Emsurb (Fotos: Cássia Santana/Portal Infonet)

Os catadores de reciclagem realizaram uma manifestação contra a falta de alternativa de trabalho com a desativação do aterro sanitário do bairro Santa Maria, que começa a deixar de receber o lixo da cidade a partir desta terça-feira, 16. No final da manhã, eles saíram da lixeira do Santa Maria e seguiram, de carroça, para a sede da Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb), na rua Acre, onde se concentraram em busca de uma solução para o conflito social.

No trecho o trânsito foi interrompido e uma equipe da Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito da capital (SMTT) atuou para controlar o tráfego de veículo.

Em Aracaju, os carros coletores da Torre estão transportando o lixo para a estação de transbordo instalada em Nossa Senhora do Socorro e, de lá, a Estre o destinará para o aterro de Rosário do Catete. As mudanças não agradam os catadores de reciclagem. O grupo se reuniu, no primeiro momento, no aterro do Santa Maria e, posteriormente, seguiram, de carroça, para a frente da Emsurb, cobrando da prefeitura uma alternativa para que eles não percam a fonte de renda.

Auleni Santos: 19 anos catando reciclagem

A Guarda Municipal foi mobilizada e uma equipe se manteve entre os catadores em frente ao órgão para evitar possível invasão e proteger o patrimônio da Emsurb. Dona Auleni dos Santos, 54, se candidatou a falar como representante dos cerca de 450 catadores de reciclagem que se dizem prejudicados com a mudança implementada pela prefeitura de Aracaju.

Ela atua nesta atividade há 19 anos. “Foi com isto que criei meus 14 filhos. E, agora, o que vai ser da gente?”, interroga a catadora de reciclagem. “Tiraram a gente daqui como se fosse cachorro, sem conversar, sem nada”, denuncia.

Os catadores alegaram que a grande maioria deles está sendo discriminada. “Teve um cadastro aí para a cooperativa, mas eles só cadastraram 20 e o restante ficou aí sem nada”, informa Diego Santos dos Anjos. “Todo mês, eles têm o dinheiro deles e nós não”, argumenta. Jason Ferreira Cavalcante informa que trabalha no aterro há cerca de 18 anos e agora está desamparado. “Somos 450 catadores de reciclagem cadastrados no aterro, mas eles só cadastraram 20 para trabalhar na cooperativa”, reclama.

Aterro já está desativado

Dernival Santos Rodrigues, 31, trabalha com reciclagem desde criança. Perdeu os pais logo cedo e, desde então, começou a se virar na luta pela sobrevivência. “Fiquei sem pai e sem mãe logo cedo, fazia a reciclagem e agora estou sem saber o que fazer”, lamenta. Ele diz que a preocupação aumenta porque paga pensão de dois filhos e, com as mudanças, não sabe onde encontrará renda para sustentar os filhos.

“O que a prefeitura está fazendo com a gente é um absurdo”, reage Ingrid Quitéria dos Santos, 38, que trabalha no aterro desde os quatro anos de idade, na companhia dos pais. “Não tenho renda nenhuma, minha renda vinha daqui. Agora, não sei o que vou fazer”, lamenta.

Amparo

O secretário do Meio Ambiente de Aracaju, Eduardo Matos, garante que a prefeitura de Aracaju não vai desamparar os catadores de reciclagem. Ele diz que nem todos os catadores foram cadastrados para a cooperativa porque houve resistência dos próprios beneficiados. Mas garantiu que a prefeitura já está buscando recursos para implantar mais duas novas cooperativas que vão absorver os demais catadores.

Lixo coletado será levado para a estação de transbordo em Socorro

Das três cooperativas previstas, a primeira será inaugurada na próxima sexta-feira, 19. “Na sexta-feira entregaremos o Centro de Triagem 17 de Março com as famílias já cadastradas, mas isso não impede que outras famílias sejam cadastradas”, comenta o secretário. “A cooperativa começa com 30, mas poderá crescer e absorver muito mais”, ressalta.
Com relação as outras duas cooperativas, Eduardo Matos informa que a prefeitura já está buscando recursos para a criação.

Por Cássia Santana

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