Sergipanos que estavam em excursão pedem ajuda para voltar ao Brasil

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A viagem que era a realização de um sonho para o casal sergipano Jeová Queiroz Souza e Mônica da Silva, se tornou um pesadelo nos últimos dias. Há quase um ano eles compraram, de forma parcelada, um pacote com viagem em cruzeiro pela Europa, com programação de visita em quatro países, iniciando pela cidade de Lisboa, em Portugal. Conforme explicado pelo casal, o desembarque em Lisboa com o cruzeiro foi negado, no início desta semana, em razão das restrições que o país adotou para conter o coronavírus. Neste cenário, eles precisaram desembarcar em uma cidade da Espanha e seguir viagem em um comboio de ônibus para Lisboa.

No entanto, os problemas não pararam por aí. Com a Europa enfrentando diversas restrições nas fronteiras, para o casal sergipano e outros brasileiros da excursão, a melhor solução era retornar ao Brasil. Desde a última segunda-feira, 16, o casal e o grupo têm se deslocado até a Embaixada e Consulado Brasileiro em Portugal, mas ainda não tiveram respostas para a situação.

Em vídeo gravado para amigos, aqui no Brasil, Mônica explica que em Lisboa, ela e o marido não tiveram nenhum apoio da agência que vendeu o pacote. “Nos primeiros dias nós ficamos em um hotel porque já havia uma reserva. Quando a hospedagem acabou, o hotel não quis renovar. Alguns brasileiros conseguiram voos de volta, e nós vimos que havia voos disponíveis, para o dia 20, por exemplo, mas não sei porque eles (agência) não colocam a gente”, desabafa. Ela explica que atualmente está em outro hotel, em uma reserva de outros brasileiros que conseguiram passagem de volta para o Brasil. “Não sei até quando ficaremos aqui, porque quando acabar a reserva, eles não vão renovar. E nem todos têm dinheiro para se manter aqui”, lamenta a sergipana.

O casal também alega que está em um território hostil, já que há grande rejeição a presença de estrangeiros no país, em decorrência da pandemia do coronavírus. Nesta quarta-feira, 18, os brasileiros estiveram no Consulado do Brasil, em Portugal, e disseram que receberam um documento para ser preenchido, mas saíram sem respostas concretas do órgão. Vídeos foram gravados em frente ao Consulado, onde o grupo canta hino brasileiro, faz cobranças ao Governo e entoa o grito de ‘queremos voltar’, em referência a vontade de retornar ao Brasil.

O advogado do casal sergipano, Josefhe Barreto acompanha o caso e tem instruído Jeová e Mônica a lidar com a situação. Ele explica que está na expectativa do retorno do casal o quanto antes ao Brasil, para então adotar todas as medidas cabíveis.

Confira trechos dos vídeos gravados pelo casal sergipano abaixo:

Respostas 

Por meio de nota, a agência de viagens CVC, explicou que “O cruzeiro em questão é da companhia marítima Pullmantur, responsável pelo itinerário do navio Soberano, que teve sua rota alterada, devido às restrições das autoridades portuguesas”. O texto complementou que “a CVC tem acompanhado de perto e atuado de forma ativa nas remarcações e embarques de passageiros para o retorno ao Brasil, independentemente do destino em que se encontram. Esse trabalho está sendo realizado em cooperação com as companhias parceiras, com o objetivo de atender nossos clientes com brevidade e segurança, considerando o cenário de reduções de voos internacionais e restrições de trânsito impostos por diversos governos ao redor do mundo”, finaliza.

Nossa reportagem também entrou em contato com o Ministério das Relações Exteriores. Por telefone, o setor de atendimento a imprensa informou que já está ciente da informação e está tratando o caso para solucionar o mais breve possível. Por e-mail, o Itamaraty complementou que “o caso em Portugal é acompanhado pelos Consulados do Brasil naquele país e recomenda-se a todos os cidadãos brasileiros no exterior que mantenham a serenidade e observem estritamente as medidas determinadas pelas autoridades locais, e que, se necessário, busquem contato direto com o Consulado ou Embaixada do Brasil responsável pela região onde se encontram. Ressalta-se que nenhuma Embaixada ou Consulado brasileiros encontra-se fechado”, pontuou.

Por Ícaro Novaes

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