“Sim, nós temos Orquestra”

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Por Camila Argolo * É fato conhecido de todos que o cenário musical sergipano, no que diz respeito à área erudita, é bem defasado, apesar de termos inúmeros músicos e cantores de talento. Um dos grandes problemas seria a falta de uma orquestra, formação existente em todos os Estados do Brasil. Mas acontece que nós tivemos e temos orquestras. Os contemporâneos das décadas de 60 e 70 certamente lembrarão dos tempos áureos de Leozírio Guimarães, por exemplo, fundador da Orquestra Filarmônica de Sergipe, recentemente revitalizada pela Sociedade Filarmônica de Sergipe por iniciativa de Maria Olga de Andrade e do regente Daniel Freire. Também temos orquestras de câmara e ensembles (pequenos grupos), como a Orquestra I Solisti do Vale e o Quinteto Arte Suprema. Quanto à Orquestra Filarmônica de Sergipe – OFSE -, que retomou suas atividades em maio, esta já tem gerado frutos surpreendentes: foi selecionada pelo Programa de Apoio a Orquestras do Ministério da Cultura para a compra de instrumentos, concertos públicos de Natal e a gravação de um CD que será lançado em fevereiro. A OFSE possui também um trabalho de formação de alunos para orquestra, sendo eles estagiários, e dando-lhes uma oportunidade única de exercitar seus talentos, sem o que muitos deles nunca teriam pisado em um palco. Sergipe tem, infelizmente, o mau hábito de formar músicos sem capacitá-los apropriadamente para execução em público. Não se trata apenas de formar apresentações anuais de alunos, mas de promover masterclasses e aulas também em grupo. Aliás, o fato de tocar em público e também em grupo se constitui de um inestimável aprendizado. Outro mal do meio musical sergipano é não formar músicos para um mercado musical competitivo. Os poucos músicos sergipanos que tocam em outros Estados não têm muito a agradecer ao ensino local. Todos os que têm a humildade de dedicar-se a um curso superior, têm que passar pelo menos um ano estudando com professores de universidade para conseguir passar em um vestibular de música. É um fato mais do que provado e não permite contestação. Essa regra vale, aliás, tanto para as menores faculdades como para as universidades federais. Essas são as intenções de uma orquestra. Além de fornecer aos sergipanos gratificantes experiências, dá ao músico profissional e ao aluno a chance de um desenvolvimento apropriado em seu instrumento, a prática em grupo (que também é indispensável pelo exercício da socialização) e pelo fato de poder apresentar-se de maneira séria e respeitável em público. Apresentar-se em público pela primeira vez, é, aliás, inesquecível. * coordenadora Artística e Administrativa da OFSE

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