Sincretismo religioso marca dia de N. Srª da Conceição

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Imagem de N. Srª da Conceição
Este sábado é comemorado o dia de Nossa Senhora da Conceição, para uns, ou de Oxum para outros. A santa representa a Virgem Maria com a sua pureza e bondade e é cultuada pelos católicos. Já o orixá feminino, Oxum, venerado pelas religiões afro é o símbolo da riqueza e da beleza. E esse sincretismo é o que marca as comemorações do dia 8 de dezembro, quando também se comemora o dia da padroeira de nove municípios sergipanos, entre eles a capital Aracaju.

 

Dentro das comemorações um momento especial marca este dia: a lavagem das escadarias da Catedral Metropolitana, feita pelos movimentos afro-religiosos há mais de 20 anos. Essa celebração, há 20 anos, seria impossível, dada à mentalidade da Igreja Católica e também um pouco por conta da mentalidade dos próprios afro-religiosos”, explica o pároco da catedral Jerônimo Nunes.

 

A ialorixá do Centro Espírita de Umbanda Paraíso dos Orixás, Angélica Oliveira que está à frente da organização da lavagem que acontece desde 1985, confirma a afirmação do padre e acrescenta: “quem acompanha o movimento sabe que nós já enfrentamos até polícia na praça da Catedral. Na época em que o parque Teófilo Dantas era cercado de grade nós éramos impedidos de entrar, em cada portão da praça tinha um camburão ou dois”.

 

Padre Jerônimo Nunes
Há dois anos, o grupo composto por praticantes de mais de 80 terreiros, entram na igreja após a missa solene celebrada às 9h30, e fazem reverências à imagem de Nossa Senhora da Conceição. Apesar de haver um certo preconceito pela forma de adoração dos afro-religiosos o discurso da igreja prega a tolerância, daí o porquê receber bem os irmão do candomblé, como explica o padre Jerônimo. “O princípio básico da igreja na sociedade é o respeito às diversas formas de manifestações religiosas e culturais. Eu não posso impor nada a você, posso te convencer pela proposição nunca pela imposição. Para nós católicos, não significa nada, mas para eles significa muita coisa, por isso a gente respeita”.  

 

O preconceito existe e para a ialorixá Angélica o maior obstáculo para acabar com a discriminação deve partir dos próprios praticantes das religiões afro. “A saída é todo povo do candomblé se conscientizar que é do candomblé, se conscientizar que nossa religião não é do mal é do bem, desistir de propósitos que não está na nossa religião e passar a mostrar a cara na rua, muita gente não tem coragem de assumir”, explica.

 

Imagem de Oxum
Afoxé na Orla

 

Além da lavagem da catedral um outro evento deste dia 8 dedicado à Oxum, acontece na Orla de Atalaia, é o Afoxé Omo Oxum, bloco formado por mais de 2000 mulheres caracterizadas com turbantes e abada. A festa culminará com um grande show do Ilê Aiyê, primeiro bloco afro da Bahia. O momento, além de adoração à Oxum, tem como objetivo chamara a atenção para a discriminação em relação aos afro-religiosos e, também, às mulheres.

 

“Para nós este momento, é extremamente significativo pois a gente pode mostrar para a sociedade que somos um minoria organizada e que queremos um lugar nessa sociedade. Lembrando que somos guardiões de tradições milenares que vieram da África e que foram reconstruídas no Brasil, e as mulheres foram as maiores depositárias dessa tradição e memória”, explica Fernando Aguiar, babalaxé do Abacá São Jorge que há três anos organiza o afoxé na Orla.

 

Abaçá São Jorge, tradicional terreiro de Aracaju
Programações

 

Nesta sexta-feira, 7, às 19h30, o Centro Espírita de Umbanda Paraíso dos Orixás, da Ialorixá Angélica Oliveira, promove missa campal na rua Armindo Guaraná, número 606, seguida de apresentações musicais com o cantor Jiló e grupos afro-descendentes. No sábado, 8, às 5h acontece alvorada festiva, e por volta das 10h os religiosos dos centros de umbanda e candomblé seguem em passeata para a Catedral Metropolitana onde irão fazer a lavagem das escadas da igreja e reverenciar a santa no altar.

Já o Abacá São Jorge, localizado no Bairro América na rua Equador, número 70, está em festa desde o dia 1° de dezembro e esta noite reverencia Oxalá, com música, dança e distribuição de canjica. No sábado, 8, é a vez de Oxum, que terá como ponto alto o cortejo que sai do farol da Coroa do Meio por volta das 20h  e segue até os arcos da Orla onde acontece o show com o Ilê Aiyê.

Clique aqui e confira a programação da Arquidiocese de Aracaju

Por Carla Sousa

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