Sobrevivência que vem do lixo

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Famílias recebem salário e educação para os filhos
O trabalho com material reciclável tem ajudado muitas famílias desde 1999 no bairro Santa Maria. Separar e vender o que a maioria não quer é fonte de renda e de dignidade para muitos que antes encontravam a sua sobrevivência nas lixeiras do bairro. É dessa forma que funciona a Cooperativa dos Agentes Autônomos de Reciclagem de Aracaju (CARE), mas que apesar de possuir capacidade para 90 famílias, está atendendo há apenas 48 por falta de material para trabalhar.

O material básico de geração de renda da Care é o lixo produzido nas empresas e residências. Através do processo de doação, ele é recolhido e levado para o galpão da instituição. Quando chega ao local é separado, limpo e depois vendido. Como a quantidade que a cooperativa consegue é pequena, cerca de três toneladas no total, o preço conseguido quando ele é vendido acaba sendo mais baixo.

“É importante que as pessoas se solidarizem fazendo a seleção entre o lixo seco, que é composto por plástico, vidro, papel e outros, e o molhado, que chamamos de orgânico. O nosso caminhão passa e recolhe apenas o seco para a reciclagem. Para a população isso não tem mais importância, mas para quem trabalha aqui isso é fonte de renda”, disse Aragão Brito, do programa de Defesa Comunitária do Ministério Público Estadual (MPE).

Vaneide Ribeiro: “Nosso objetivo é dar dignidade a essas pessoas”
Ele falou ainda que para quem mora em condomínio e queira contribuir é só ligar e agendar um dia que o caminhão da instituição passa e recolhe. “O interessante é que seja feita uma parceria com outros moradores e que todos separem para um dia específico. Assim, quando formos recolher, já pegamos o de todos ”, disse.

Através do trabalho de reciclagem da Care, cada cooperado recebe um salário mínimo e tem sua previdência paga. A cooperativa ainda possui um projeto que oferece aulas particulares a 60 crianças filhas dos assistidos e das imediações do bairro, além de uma unidade de fabricação de vassouras de plástico de garrafa PET.

Do lixão para a reciclagem

A presidente da Care, Vaneide Ribeiro, enfatizou quantas histórias de vidas foram modificadas com a criação da Cooperativa. “A vida dessas pessoas melhorou bastante. O nosso objetivo é sempre dar dignidade a esses trabalhadores, que antes viviam nas lixeiras. Se a contribuição das pessoas fosse maior, muitas famílias que precisam poderiam fazer parte da nossa cooperativa”, falou.

Simone Santos:”Esse trabalho mudou minha realidade”
São vários os casos que exemplificam as palavras da presidente. Um deles é o de Simone Santos, de 27 anos, que abandonou a lixeira para entrar na cooperativa há nove anos. “O trabalho na lixeira era bastante arriscado, principalmente pelo risco de pegar uma doença, isso sem falar na exposição a outros fatores. Esse trabalho mudou minha realidade”, desabafa.

Como contribuir

O caminhão da Care circula por vários bairros de Aracaju. Quem quiser contribuir, mesmo que não more nessas regiões, é só entrar em contato pelo número (0xx79) 3243-1581 ou 9138-5905 e agendar um horário para que o caminhão recolha o material.

Abaixo a lista com os bairros, dias e horários da coleta:  

– Conjunto Bela Vista e bairro Cirurgia, segundas-feiras, às 7 horas;

– Conjunto Beira Mar I e II, segundas-feiras, às 10 horas;

– Conjunto Médici e Jardim Baiano, segundas-feiras, às 13 horas;

– Bairro Getúlio Vargas, segundas-feiras, às 14 horas;

– Hotéis, escolas e postos de saúde do bairro Santa Maria, segundas-feiras, às 15 horas;

– Órgãos públicos, terças-feiras, às 7 horas;

– Bairro 13 de Julho, terças-feiras, às 14 horas;

– Conjunto Inácio Barbosa e bairro São José, quartas-feiras, às 7 horas;

– Bairro Jardim Esperança, quartas-feiras, às 10 horas;

– Loteamento Parque dos Coqueiros/Beira Rio e residenciais dos bairros Aeroporto e Aruana – PAR, quartas-feiras às 14 horas;

– Secretaria do Estado da Fazenda, quintas-feiras, às 8 horas;

– Casas de materiais de construção, quintas-feiras, às 14 horas;

– Conjunto J. K./Sol Nascente e Santa Lúcia, quintas-feiras, às 7 horas;

– Bairro Jardins, quintas-feiras, às 7 horas;

– Bairro Grageru, quintas-feiras, às 14 horas;

– Hotéis, escolas e postos de saúde do bairro Santa Maria, quintas-feiras, às 15 horas;

– Bairro Siqueira Campos, sábados, às 8 horas.

Por Letícia Telles

 

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