Travestis escapam de linchamento após assalto no Centro

Gerente ralata os momentos vividos na manhã desta quarta (Foto: Portal Infonet)

Após roubarem uma estudante, dois travestis foram perseguidos por populares no Centro de Aracaju, que pretendia linchá-los. O fato ocorreu na manhã desta quarta-feira, 07, por volta das 8h. Durante a fuga, os suspeitos invadiram uma loja no centro de Aracaju para na tentativa de esconder os objetos roubados e evitar o linchamento. “Eu pedi, por favor, aos populares, para que não linchassem os dois aqui dentro da loja”, explica o gerente do estabelecimento, Lucivânio Santos. Os nomes dos suspeitos não foram divulgados.

De acordo com o gerente, a loja já estava aberta e os travestis invadiram o local para se esconder da população que os perseguiam. “Um deles entrou no provador alegando que iria retocar a maquiagem. Lá, ele escondeu o celular e o jaleco de uma estudante que seguia para a universidade. Logo depois várias pessoas entraram para linchar os dois”, relata.

Ainda segundo Lucivânio, a população invadiu a loja para linchar os suspeitos, mas foram impedidos por ele. “Um deles chegou a apanhar da população, mas eu pedi que o linchamento não fosse dentro da loja. Um homem chegou a agredir com tapas no rosto de um dos travestis que caiu no chão. Os homens foram rendidos pelos populares até que a polícia militar chegasse”, conta.

Entenda
Os homens assaltaram uma estudante de enfermagem, por volta das 8h desta quarta-feira, 07, e correram em direção a Rua Capela. Testemunhas do assalto perseguiram os travestis para tentar recuperar os objetos roubados, um celular, a quantia de R$ 100 e um jaleco.

Polícia

Questionado sobre a iniciativa da população em fazer justiça com as próprias mãos, o Coronel Paulo César Góis Paiva explica que essa medida deve ser evitada. Para ele, a polícia é que deve tomar à frente da situação. “É papel da polícia intervir nesses assuntos. Alguém que está correndo não quer dizer que é culpado. A polícia militar tem, com muita freqüência, salvado criminosos que foram flagrados por populares que decidiram agredir fisicamente essas pessoas como castigo pelo que fizeram.  Contudo, a policia tem feito seu papel, mas o jurídico tem provocado liberação dessas pessoas e isso, talvez, esteja gerando essa crise”, esclarece.

Por Eliene Andrade

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