Contadores de histórias fascinam crianças e adultos

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Ser contador de histórias implica gostar de ouvir e contar as fábulas (Foto: Arquivo pessoal)
Eles estão perpetuados na figura dos avós ou dos pais. São tão milenares e enigmáticos quanto os personagens de que falam. Mas engana-se quem pensa que diante de uma verdadeira efusão de entretenimento nos dias atuais, os contadores de histórias são raros. E entretêm tanto quanto qualquer videogame de última geração.

Mas as crianças estão apenas entre um dos públicos. E um contador de história, pode ser qualquer pessoa: o professor, o avô, o pai, etc. Mas hoje há quem viva exclusivamente dessa atividade, ou quem a faça por puro prazer.

De acordo com a pedagoga e arteterapeuta Ticiana Mendonça, que conta histórias há seis anos e há um é integrante do grupo Trupicando Contadores de Histórias, que existe há um ano e meio, para ser um contador de histórias é básico gostar de ouvi-las e de passá-las adiante. “A busca por histórias também é crucial. A gente vai atrás, inclusive, de pessoas mais velhas, que falam sobre o seu passado”, diz.

Atuação do contadores independe de lugar e público (Foto: Arquivo pessoal)
Contadores de história atuam em escolas, hospitais, asilos, eventos culturais e até em empresas privadas, ao ajudar a resolver conflitos. “Todo ambiente é propício, basta adequar-nos ao público, que vai exigir uma performance diferente na hora de contar as histórias. Podemos mudar o vocabulário, por exemplo”, explica.

Os contos de fada e assombrações, segundo Ticiana, são as preferidas das crianças. “É com a contação de histórias que descobrimos que elas não precisam de tantos recursos para se entreter”, analisa. O principal benefício é estimular o gosto pela literatura e pela arte. “Ao ouvir histórias a criança tem seu primeiro contato com o mundo literário e, assim, ela vai pegando gosto, curiosidade. É com isso que percebemos como essa arte produz efeito”, constata a diretora da Biblioteca Epifânio Dória, Cláudia Stocker, que está organizando o II Encontro de Contadores de Histórias de Sergipe, entre os dias 17 e 19 deste mês.

Integrantes do grupo Trupicando formaram a equipe há um ano e meio

Durante a performance dos contadores, Ticiana Mendonça diz que são usados recursos de apoio ao contador. “Quando estamos em grupo utilizamos objetos e instrumentos, mas não chegamos a montar uma encenação, que é algo diferente, só utilizamos algumas técnicas semelhantes”, explica.

Profissão

A pedagoga Cláudia Viana, que também faz parte do grupo Trupicando e é contadora de histórias há um ano e meio, diz que mesmo a função adquirindo status de profissão para muita gente, o que é visto de forma positiva, nada substitui o prazer em levar um mundo lúdico e de imaginação às pessoas. “É quando todos esquecem o nosso mundo real e seus problemas e vivem um momento mágico”, teoriza.

Ticiana diz que motivação para ser contadora veio por acaso (Foto: Arquivo pessoal)

Ela revela que quando se juntou a Ticiana e mais dois amigos – um administrador e outra professora – para formar o grupo, a iniciativa surgiu de uma necessidade. “Nós nos vimos trocando histórias com alunos no interior aqui do Estado numa tentativa de melhorar a aprendizagem. Das rodas de fogueira, como se fazia antigamente, percebemos que poderia se tornar algo maior. A comunidade inteira daquele local começou a participar levamos a idéia adiante”, lembra.

Encontro

O Trupicando Contadores de Histórias é apenas um dos diversos grupos de contadores do Estado; há também muita gente que atua de forma independente. E justamente para que a atividade e os próprios contadores se tornem mais conhecidos é que a Biblioteca Epifânio Dórea promove a segunda edição do Encontro de Contadores de Histórias de Sergipe.

Cláudia Stokcer diz que evento tratará do impacto das histórias (Foto: Portal Infonet)

O tema deste ano “A Contação de Histórias e seus Enigmas e Simbolismos na Formação de Leitores” visa discutir o impacto que as fábulas provocam nas crianças. “Sabemos que isso ajuda de várias maneiras, podendo até surtir efeitos de terapias”, explica a diretora da biblioteca. Cláudia Stocker acrescenta, ainda, que essa é uma atividade longe de ser extinta. “Ela não compete em nada com a internet, por exemplo, porque entra na vida da criança na infância, quando ainda ela nem aprendeu a ler”, afirma.

São esperadas no evento pelo menos 200 pessoas entre professores, contadores de histórias, mediadores e bibliotecários. A programação conta com palestras, mesas redondas, debates e, claro, contação de histórias. A inscrição custa apenas um quilo de alimento não-perecível para os dois últimos dias de evento (18 e 19). As atividades estarão concentradas no auditório da Biblioteca Epifâneo Dórea.

Por Diógenes de Souza e Raquel Almeida

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