Crianças conseguem gostar de leitura?

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Capa do livro da escritora Lílian Rocha
Como estimular a leitura para crianças? Todo ano as escolas de ensino fundamental adotam os chamados “livros-paraditáticos”, nessa tentativa. Mas só isso não está sendo suficiente. A Infonet tenta responder essa questão, pedindo a opinião da pedagoga Lílian Gomes Rocha, e vendo os resultados de um programa de incentivo á leitura, o “Hora do Conto”.

A prof.ª de português Lilian Rocha ganhou notoriedade em literatura infantil no final de 2004, ao ganhar o prêmio Banese de Literatura com o livro “Deu a Louca no meu guarda-roupa”. Na estória, Lílian dá vida a peças de roupa para discutir questões de convívio familiar e mudança de gerações. Esse ano, o livro foi adotado por oito escolas em Aracaju e quatro em Maceió, além de ter sido exposto na Bienal do livro no Rio de Janeiro.

“As crianças detestam as coisas muito óbvias. Não adianta escrever um livro dizendo que vai ensinar alguma coisa, por que elas vão rejeitar. Então você tem que ensinar de outras maneiras. No meu livro são as roupas que ensinam, assim é mais lúdico. Mexe mais com a criatividade delas”, comenta a professora.

Para Lilian a produção literária no Brasil é grande, o que falta é a aproximação dos livros com as crianças. “Principalmente aqui no Nordeste, é preciso eventos como Bienais e Feiras de livro, pra que as crianças possam entrar em contato com as obras. Também tentar colocar bibliotecas mais volantes. As bibliotecas de bairro são um ótimo começo”, comentou.

Cesar Macieira participando do projeto Hora do Conto
Hora do Conto


É nessa tentativa de aproximar as crianças da leitura que foi criado o programa “Hora do Conto”, presente em duas bibliotecas públicas na capital. O programa consiste na recepção de grupos escolares e infantis, préviamente agendados, para ouvir as “contações” feitas por voluntários e convidados.

Na biblioteca Clodomir Silva, do bairro Siqueira Campos, as contações acontecem todas as terças e quintas.

“O mundo infantil não pode ficar de fora de uma biblioteca pública”, ressaltou a professora Sônia Carvalho, diretora da biblioteca. Segundo ela o cuidado com as contações é grande, sempre escolhendo as estórias de acordo com a média de idade do grupo que vai ouvi-las.

“Para ela o estímulo à leitura tem que começar na família. “O contato com o livro não deve ser feito só na escola. A escola dá o suporte, mas a família é fundamental no processo. Nós das biblioteca temos o papel de facilitadores dentro do processo”, declarou.

Dentro da biblioteca, a funcionária Célia Torres é a responsável pelo “Hora do Conto”. “A literatura infantil tem o papel de propoprcionar o prazer de ler para as crianças. E com isso elas aprendem as lições de moral dos livros, e as orientações”, comentou Célia.

O programa funciona desde 2004 e conta com contadores voluntários fixos, e participações de nomes ilustres como o jovem escritor Gustavo Aragão, o ator César Macieira, e da escritora Lilian Rocha citada anteriormente.

Alunos da creche São Lourenço na Hora do Conto
Na biblioteca Ivone de Menezes, no bairro Augusto Franco, o programa é realizado todas as quartas-feiras, tendo como prioridade os alunos de escolas próximas. Lá, o “Hora do Conto” começou em dezembro do ano passado, e já recebeu aproximadamente 800 alunos.

A biblioteca se pauta nas datas comemorativas para escolher os textos dos contos, como os festejos de independência atualmente. “Depois das contações as crianças manuseiam mais os livros, vão para a sessão infantil. Eu vejo eles mais interessados”, fala a professora Maria José, diretora da biblioteca.


As escolas que quiserem participar do “Hora do conto” devem entrar em contato com as Bibliotecas:

Clodomir Silva : (0xx79) 3179-3742 / 1380 ou pelo email  

Ivone de Menezes : (0xx79) 3179-4610 / 4611 ou pelo email    


O trabalho de Lílian Rocha pode ser apreciado durante a Semana da Criança, quando será montado o espetáculo infantil do seu livro “Deu a louca no meu guarda-roupa”. A professora também pretende lançar mais um livro infantil esse ano, e outro infanto-juvenil. 

Os interessados podem entrar em contato com a professora por e-mail 


Sites relacionados:

Associação dos Profissionais Bibliotecários e Documentalistas do Estado de Sergipe  


Por Ben Hur Correia e Carla Sousa

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