PATHOS – por Gustavo Aragão

0

É chegada a hora do poema revelar-se dominante (?)

Eis o dia “D” lançado aos vossos pés

Vai-se deglutindo horizontalmente os seus (in) cantos

Quando o melhor seria verticalmente degluti-los

É preciso cabeça zás e pensamentos livres

Para acompanhar as horas zás-traz e os poemas flashes

Que agora nos trazem a ousadia de tempos modernos,

Mas também vossos esplendores magnânimos

Que tornam estrito o que era lato

 

Genuncircunflexado vos louvo

Ó deus da pá lavra que o meu ser

Im – Pã – zi – na de reflexões lucíferas

E ilumina o que em mim se exprime

Desexprimindo-o em palavras humanas

 

Salve, ó deus sintético

O mundo que em vão se distrai a caminhar

por um chão repleto de eus e ais

 

Salve, ó deus, os poetas

Que reduziram-se a detritos,

A palavras ocultas, 

A pó,

A seres afônicos,

Que, por serem altamente grafos,

Se perderam na cosmolíngua,

que os consome vorazmente

E que travam injustamente uma fatídica batalha

com o deus KOM UNIK ASSÃO que vos aplica

uma super-dosagem de morfina conativa letargiante.

 

Perdoai-me de todos os pecados cometidos,

Ó deus do instrumento, que fecunda e fertiliza o meu ser

e semeia em mim a luz do saber universal.

Fazei de mim um instrumento vosso para que eu possa

Falar ao mundo o próprio mundo e o mundo que em mim se revela

E que não mais cabe,

Revestidos de palavras azuis com o sabor de auroras taciturnas

 

Por Gustavo Aragão
 


●Todos os direitos autorais estão reservados ao autor perante a lei nº 9610/98, lei de direitos autorais. Portanto, fica terminantemente proibida a reprodução parcial ou total da obra aqui inscrita.

 


 

Comentários