Queimaduras e risco de morte rondam atividade de fogueteiros

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Barcos de fogo: obras de arte dos fogueteiros
Trabalho de fogueteiro não é nada fácil. Eles passam por riscos de morte, e volta e meia, sofrem alguma queimadura. Além disso, não podem desempenhar só essa função, pois os lucros só acontecem mesmo na época das festas juninas. Jorge Matuceli de Santos trabalha como fogueteiro no São João em Estância, e como eletricista no resto do ano.

Segundo ele, o processo de fabricação começa em fevereiro, quando se tira o bambu. Só em maio os fogueteiros socam a pólvora, para ‘não estocar fogo’ e o rojão ter um bom brilho.


A maioria dos fogos produzidos pelos fogueteiros de Estância vai para Lagarto e Aracaju. Os lucros giram em torno de R$ 4 mil, sendo que produtos como o barco de fogo custam no mínimo R$ 150.


Jorge faz fogos há 20 anos e conta que o irmão e o cunhado, que também estão envolvidos na produção. Já os filhos, ele quer que estudem. “Eu não quero que eles façam fogos. Tenho medo de que aconteça alguma coisa”, observa
.

A casa da irmã de Jorge explodiu em 1998. Ele, sua mulher e seus três filhos moravam lá na época, e estavam dormindo no momento da explosão, que aconteceu às 4h20 da manhã. Sua esposa, Sandra Maria dos Santos, foi a mais prejudicada, e sofreu queimaduras de terceiro grau. Jorge não acredita que a causa da explosão tenha sido os fogos, mas sim um problema na instalação elétrica.


Hoje em dia a legislação proíbe que se façam fogos dentro de casa, e os fogueteiros têm de fabricar o material em uma área reservada para não acontecer episódios como esse. Jorge Matuceli conta que já perdeu amigos por causa de acidentes com fogos. Carlinho, Zé Vermelho, e Ninho estavam colocando estouro no buscapé, quando aconteceu uma explosão que matou dos dois primeiros.


Por Tatiana Hora e José Mateus

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