Rua da Cultura comemora quatro anos de existência

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Os produtores Mônica Rafaela, Lindemberg Monteiro e Christiane Oliveira
Nascida de um projeto de intervenção artístico-cultural, a Rua da Cultura e suas segundas-feiras de música, artesanato e entretenimento estão completando quatro anos de atividades em 2006. As comemorações do aniversário, que acontecem no espaço do Mercado Tales Ferraz a partir de hoje, 24, até segunda, 27, irão reunir música, cinema, teatro e atividades sociais e esportivas.

 

Além de apresentações da Orquestra Sinfônica de Sergipe hoje à noite, e do show da banda Naurêa na segunda, entre outros artistas locais, a Rua da Cultura vai contar com apresentações de teatro das companhias Mafua e Brefaias, mostra de artesanato do Projeto Economia Solidária das Delegacias Regionais de Trabalho de Sergipe (DRT-SE), e a Passarela do Xadrez com enxadristas de todas as idades.

 

Histórico

 

Rua da Cultura em frente ao Teatro Atheneu
O primeiro evento da Rua da Cultura aconteceu no dia 30 de setembro de 2002, em frente ao Teatro Atheneu, na Rua Vila Cristina, bairro São José. De acordo com o seu idealizador, o produtor cultural e coordenador Lindemberg Monteiro, ela nasceu da necessidade de levar para as ruas uma produção cultural que existe em Sergipe, mas é invisível.

 

“O objetivo da rua da cultura é criar uma via de mão dupla, onde o público pode ver tudo que acontece, com um olhar mais plural, com segmentos variados e esses segmentos tem acesso ao público também, para mostrar o seu trabalho”, conta Lindemberg.

 

O produtor relata que, além das intervenções artístico-culturais, o evento tinha a intenção de chamar a atenção para o Teatro Atheneu, construção de extrema importância para a vida cultural sergipana. Os primeiros meses de funcionamento ocorreram “maravilhosamente”, relata o produtor, com várias apresentações de música, teatro, dança, feirinha de artesanato e participação ativa do público.

 

Porém, após seis meses de funcionamento, as segundas-feiras da Rua da Cultura tiveram de ser interrompidas por conta de reclamações de alguns poucos vizinhos. “Uma promotora do Ministério Público utilizou de seu cargo para impedir uma ação de valorização da cultura do Estado em que ela vive”, afirma Lindemberg, que teve de encerrar as atividades no local e transferi-las para outro.

 

Mudança

 

Rua da Cultura no Mercado Tales Ferraz
A partir de março de 2003 a Rua da Cultura passou a existir no Mercado Tales Ferraz, onde continua até hoje. A decisão de continuar o projeto naquela localidade, segundo o produtor, foi tomada com o intuito de trazer pessoas para o Centro Histórico, que havia sido reformado mas ainda não contava com nenhuma proposta de revitalização.

 

Sobre o funcionamento da Rua da Cultura no Mercado, Lindemberg só lamenta a falta de apoio em geral. Ele informa que o maior problema que o projeto enfrenta é a ausência de parcerias com o poder público e o setor privado, que pouco tem se manifestado para ajudar a dar continuidade à Rua, bem como a sociedade sergipana, que não entende a democratização que o evento proporciona.

 

“Eles não estão acostumados a conviver com vários segmentos sociais”, diz o produtor, referindo-se ao público de lá, vindo de todos os bairros de Aracaju. Em média, de 500 a 600 pessoas comparecem à Rua, em sua maioria, estudantes universitários. “Fora isso, as anormalidades, quando acontecem, são de intervenções externas”, afirma.

 

Casa Rua da Cultura

 

O projeto Rua da Cultura manteve-se ao longo dos anos, e apesar das dificuldades de apoio, continuou com as apresentações no Mercado, mesmo quando contou com um público mais reduzido que o de hoje. E é dessa persistência que há 3 meses está funcionando a Casa Rua da Cultura, uma espécie de ‘sede’ do projeto.

 

Localizada na Praça Camerino, bairro São José, a Casa foi agraciada recentemente pelo programa Pontos de Cultura, do Ministério da Cultura. O programa tem como intuito agregar agentes culturais que articulem e impulsionem ações culturais em suas comunidades.

 

De acordo com a produtora Christiane Oliveira, a Casa atualmente oferece oficinas de canto, teatro, danças de salão, folclórica, contemporânea, flamenca, do ventre, violão, artes plásticas e capoeira, bem como é a sede da companhia de teatro Stutifera Navis, também comandada por Lindemberg. A intenção, futuramente, é de que o no espaço funcione também outros tipos de oficina, além de um estúdio de ensaios, anfiteatro, lan house e biblioteca especializada em artes.

 

Christiane conta que as dificuldades enfrentadas pela Casa são as mesmas da Rua: ausência de boas parcerias. Ela diz que, fora despesas com aluguel, a Casa precisa de uma grande reforma e tem gastos com água, energia elétrica, telefone, entre outros gastos. O dinheiro para pagar esses encargos provém das oficinas que a Casa realiza, mas com a verba do Ministério espera-se tornar esses serviços gratuitos.

 

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