Ser-pedra – por Gustavo Aragão

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Eis a pedra boba e grave

A aspirar o cheiro de vida

Que paira no ar por entre rochedos

Da primavera recorrente,

Que em leve passar,

Dedilha grave as teclas do tempo

E, ao ouvir o som profundo,

Perde-se em íntimo labirinto

A escutar estrelas e a saborear

O doce azul das notas que a fazem

Grave e boba, num átimo, onde a vida se vela

E se revela com o nascer da rosa mística

Do íntimo da pedra estática que caminha sobre o tempo;

Oscilante;

Vacilante,

Sem perceber o quanto de luz carrega,

Sem a óbvia percepção de seu ser-pedra.

Por Gustavo Aragão

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