“Desenvolvimento Econômico Sustentável”, por Bruno Setton Gonçalves (*)

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A década de 70, figura como um marco dos questionamentos e manifestações ecológicas, em nível mundial, em defesa da inclusão dos problemas ambientais na agenda do desenvolvimento econômico e das relações internacionais como o todo. Tais preocupações refletem a percepção de um conflito crescente entre a expansão do modelo de crescimento econômico capitalista, de base industrial, e o volume de efeitos desagregadores percebidos como resíduos inevitáveis do progresso, sobre os ecossistemas naturais.

No entanto a questão ambiental só começou a ser discutida no Brasil, com maior profundidade, a partir da década de 80; enquanto isto, os problemas ambientais foram ampliados pela concentração das populações nos grandes centros, e pelas apropriações inadequadas dos recursos naturais provocadas pelas diversas atividades econômicas.

A aceleração dos processos de globalização econômica atuou como um catalisador produzindo a deterioração dos componentes básicos ambientais em nível mundial e local. Determinando a perda crescente de qualidade de vida nos ambientes rurais e urbanos: a água é cada dia mais escassa e contaminada; os solos sofrem com a erosão; o desflorestamento aumenta; a qualidade do ar diminui; as condições para os processos agrícolas, a reprodução dos ecossistemas e de conservação da biodiversidade são cada vez mais difíceis.

Os problemas enunciados vêm atualmente passando por uma análise econômica a qual tem identificado um maior impacto destes fenômenos nos setores mais empobrecidos, razão pela qual se devem propor ações que possibilitem preservar e manter o equilíbrio nos elementos que possibilitam a vida. Uma forte correlação entre pobreza e ecologia agrava a deterioração ambiental e a qualidade de vida dos mais pobres, a pobreza destes acarreta em uma exploração predatória dos recursos naturais, fechando um ciclo de prejuízos sócio-ambientais.

De fato, a propagação de problemas sócio-ambientais tem cooperado para a manifestação e divulgação de uma consciência ecológica, assim como para um questionamento da atual forma de relacionamento entre sociedade e natureza e da intenção de integração dos conhecimentos da economia, da ecologia, da sociologia e da biologia, no sentido de uma aproximação das ciências naturais e sociais. Esse despertar de uma nova consciência ecológica, tende a refletir em mudanças significativas nos rumos das políticas governamentais e dos estilos de vida individuais.

Segundo a Ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, congregar os princípios da sustentabilidade nas políticas públicas nacionais, assim como nas ações dos diferentes segmentos sociais é um processo que demanda transformações culturais, de padrões e hábitos enraizados há muito em nossa sociedade. A intenção que suscita é que o governo como um todo e os diferentes segmentos da sociedade percebam que o desenvolvimento pode ser uma grande oportunidade de construção coletiva da sustentabilidade no país. Somos todos responsáveis por colaborar na consumação de uma mudança de caminhos e atitudes, que implique em desenvolvermos capacidade de mobilização e efetivação, para transformar conflitos em cooperação e estabelecermos o consenso a partir da ética que surge nas relações entre o homem e a natureza, para assim gerar a preservação e a qualidade da vida que merecemos.

Uma grande forma de mobilização na construção coletiva de um desenvolvimento sustentável, parte de um processo industrial que converte o lixo descartado (matéria-prima secundária) em produto semelhante ao inicial, a reciclagem. Reciclar é economizar energia, poupar recursos naturais e trazer de volta ao ciclo produtivo o que é jogado fora. A palavra reciclagem foi introduzida ao vocabulário internacional no final da década de 80, quando foi constatado que as fontes de petróleo e outras matérias-primas não renováveis estavam e estão se esgotando.

A reciclagem apresenta uma importância Ecológica, além de representar uma atividade econômica lucrativa e cada vez mais explorada, o consumo de água é muitas vezes menor e o consumo de energia é cerca da metade. Chegando a uma economia de 98 mil litros de água, 2500 kw/h de energia elétrica com uma tonelada de papel reciclado.e ainda 2,5 barris de petróleo na reciclagem do polietileno tereftalato – PET. Além do que estima-se que, ao reciclar papéis e PET, sejam criados cinco vezes mais empregos do que na produção do papel de celulose virgem e dez vezes mais empregos do que na coleta e destinação de lixo1.

 

1 Fonte: Portal Ambiente Brasil (www.ambientebrasil.com.br).

* Bacharel em Ciências Econômicas pela Universidade Federal de Sergipe

brunosetton@yahoo.com.br

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