Sindipetro revela três medidas para tornar a Fafen/SE viável

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O Sindicato Unificado dos Trabalhadores Petroleiros, Petroquímicos, Químicos e Plásticos nos Estados de Alagoas e Sergipe (Sindipetro) denuncia práticas de mercado nocivas na aquisição de insumos e propõe mudanças para tornar a Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados (Fafen/SE) viável novamente. “Com mudanças nas cobranças dos governos federal e estadual a Fafen voltará a dar lucro”, diz o diretor do sindicato, Edivaldo Leandro.

A Petrobras informou no início do mês que está iniciando o processo de arrendamento das Fábricas de Sergipe (Fafen-SE) e na Bahia (Fafen-BA) e que elas entrarão em hibernação (parada progressiva de produção) no próximo dia 31 de janeiro.

Já o Sindicato vê a hibernação das fábricas como uma medida inicial para privatizá-las. “Os governos inviabilizaram as fábricas e tornaram seus serviços caros o bastante a ponto do custo final da produção não ser compatível com a concorrência. Uma  auto-sabotagem. Assim, alegam que a hibernação é a melhor solução, mas não é. Serão 750 demissões diretas e mais de 3 mil demissões na cadeia produtiva, além de queda no PIB de Sergipe”, diz.

Edivaldo Leandro chama essas medidas de ‘dificuldades artificiais’ e explica três delas:

Água
Para o sindicato, o preço da “água bruta” repassado pela Companhia de Saneamento de Sergipe (Deso) é caro. A Fafen paga pela água bruta, mas depois necessita tratá-la, já que Deso não entrega a água com padrões industriais necessários. “A água entregue pela Deso não atende a demanda, precisando ser tratada novamente pela própria fábrica, onerando o seu valor em três vezes mais”, explica Edivaldo.

A assessoria de comunicação da Deso explicou que não poderia atribuir uma politica de tarifa diferenciada para consumidor comum e indústrias.

Gás
Como segundo ponto, o Sindipetro informa que a Petrobras é proibida de fornecer gás a Fafen, o que seria num valor inferior ao que a Fafen compra. E ressalta que o Gás é comprado da Sergas, que é fornecido pela Petrobras.

A Secretaria de Comunicação do governo de Sergipe (Secom) explica que o Estado é amparado por legislação específica que assegura o monopólio da venda do gás através da Sergas. E acrescenta que o governo não pode definir política de preço, porque é acionista minoritário com apenas 17% das ações. A Mitsui Gás e Energia do Brasil Ltda. (empresa pertencente ao grupo japonês Mitsui & Co., Ltd.) e Petrobras Gás S.A. – Gaspetro (empresa subsidiária da Petrobras) são os maiores acionistas.

A Sergas, informa que a informação do Sindipetro está equivocada e que até a presente data, nos seus 25 anos de operação, a empresa nunca vendeu gás para a Fafen/SE. Atualmente o gás consumido pela Fafen/SE é fornecido diretamente pela Petrobras. Fornecimento este questionado pela Sergas na Justiça.

Preço
O Sindicato finaliza informando que a Fafen é forçada a praticar o preço internacional da ureia baseada no dólar, deixando o valor do produto mais caro para os compradores costumeiros (as misturadoras de fertilizantes), do que a ureia importada.

A assessoria de comunicação da Petrobras disse que cerca de 85% do mercado nacional de ureia já é atendido via importação, sendo o preço praticado pela Petrobras calculado com base na paridade de importação deste produto.

Reunião
O Sindipetro informa que na próxima terça-feira, 29, ocorrerá uma reunião para consolidação do Fórum chamado Sergipe em Defesa da Fafen. O objetivo do encontro que está agendado para às 18h é organizar o ato que ocorrerá no dia 30 contra a hibernação da fábrica em Laranjeiras.

Governo de Sergipe
A Secom informou que o governo do Estado entregou os dados técnicos realizados pelo grupo de estudo formado pelo Governo assim que foi anunciada a hibernação da Fafen ao ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni. Ainda de acordo com a Secom, o governador solicitou uma audiência com o presidente Jair Bolsonaro no início de fevereiro para discutir especificamente a Fafen.

por Raquel Almeida

A matéria foi alterada às 09h54 do dia 24/01 para acréscimo da correção da informação enviada pela Sergas.
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