Petrobras mantém hibernação da Fafen para o próximo dia 31

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A Petrobras informa que a data agendada para a hibernação das Fábricas de Fertilizantes Nitrogenados localizadas em Sergipe (Fafen-SE) e na Bahia (Fafen-BA) continua mantida para o próximo dia 31 de janeiro. A notificação dada pela empresa na última quinta-feira, 10, de que está iniciando o processo de arrendamento das fábricas não anula a hibernação (parada progressiva de produção). Há uma expectativa para a retomada da operação das indústrias no futuro.

A Petrobras deixa claro que existem algumas exigências para que os arrendamentos das fábricas ocorram e as mesmas voltem a funcionar. “A transferência da operação depende da existência de interessados habilitados na etapa de pré-qualificação e da realização do processo de licitação, ainda sujeita à aprovação da Diretoria Executiva da Petrobras”, diz nota.

Entre os critérios para atender à pré-qualificação, a empresa deverá evidenciar a atuação na operação de plantas petroquímicas de 1ª ou 2ª geração ou plantas de fertilizantes. Para isso, deve comprovar que possui experiência como operadora das plantas por no mínimo dois anos, dentro dos últimos 20 anos, ou comprovar fornecimento como fabricante destes produtos no mesmo período.

Todas as informações relacionadas à etapa de pré-qualificação estão disponíveis no link.

Relembre o caso

Em março de 2018 a Petrobras anunciou o fechamento das duas fábricas (Fafen/SE e Fafen /BA) explicando a decisão de sair do setor de fertilizante. O motivo alegado foram as perdas da Petrobras com esta operação, chegando a ter um resultado negativo de cerca de R$ 600 milhões no ano de 2017. A data para hibernação da fábrica foi agendada inicialmente para 31 de outubro.

Com o anúncio, a classe política de Sergipe e da Bahia se uniram e o governo do Estado conseguiu 120 dias a contar do dia 30 de junho para apresentar alternativas para manutenção das fábricas. O governador Belivaldo Chagas formou um Grupo Executivo formado por técnicos e empresários sergipanos para encontrar possíveis soluções a fim de reverter essa decisão de fechamento. Ao mesmo tempo que a classe trabalhadora fazia manifestações ao lado de fora da indústria pedindo por seus empregos.

Em setembro de 2018, o ex-presidente da Petrobras, Ivan Monteiro, chegou a garantir ao governador Belivaldo Chagas que a Fafen não seria fechada. Ivan também informou que viria em outubro a Aracaju para estudar, de forma conjunta com o governo do Estado, alternativas para a viabilidade da fábrica, por meio de um projeto que contemple redução de custos e melhoria de competitividade.

Com a mobilização e estudos, a Petrobras postergou de 31 de setembro de 2018 para o dia 31 de janeiro de 2019 a hibernação das fábricas de fertilizantes dos dois estados. A companhia informou que continuava a avaliar alternativas à hibernação em conjunto com representantes dos governos, federações das indústrias dos estados de Sergipe e da Bahia e demais participantes dos grupos de trabalho.

Em novembro, a Petrobras voltou a informar que estava estudando o arrendamento como solução para a Fafen.

Conheça a Fafen/SE

A fábrica de Sergipe entrou em operação em 6 de outubro de 1982 e marcou um novo ciclo do desenvolvimento no estado, com a construção da adutora do Rio São Francisco, a ampliação da rede de energia elétrica, a revitalização da ferrovia que liga Sergipe à Bahia e ainda com a instalação do Terminal Portuário Ignácio Barbosa, em Barra dos Coqueiros, a 36 quilômetros de Aracaju.

Ocupando uma área de 1 Km², a fábrica produz amônia, uréia fertilizante, uréia pecuária, uréia industrial, ácido nítrico, hidrogênio e gás carbônico

Desde 2014, a Fafen-SE conta com uma planta de produção de sulfato de amônio com capacidade para produzir até 303 mil toneladas/ano, o que equivale a 80% da importação da região Nordeste em 2014. O sulfato de amônio contém nitrogênio na composição e também é excelente fonte de enxofre, muito utilizado no cultivo de milho, cana-de-açúcar e algodão.

por Raquel Almeida

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