Sindiserj leva denúncias contra juiz à CMA

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O presidente do Sindiserj, Hélcio Albuquerque
Na manhã desta segunda-feira, 23, o presidente do Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário de Sergipe (Sindiserj), Hélcio Albuquerque, participou da Tribuna Livre da Câmara Municipal de Aracaju (CMA). Ele levou ao conhecimento dos vereadores uma série de denúncias contra o juiz da comarca de Itaporanga, Gustavo Adolfo Plech, e apresentou um balanço de lutas da atual gestão do sindicato desde 2008.

Segundo Hélcio, o Sindiserj entrou com uma representação no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) contra o juiz. Ele acusa Plech de assédio moral e autoritarismo, dentre outras acusações. “O juiz mandou expulsar a mim a ao secretário do Sindiserj, Anselmo Cardoso, da comarca de Itaporanga quando tentávamos conversar com nossos associados. Ele disse que não queria sindicalistas na comarca em horário de trabalho, e chamou a polícia”, relata Albuquerque.

“Em um dos dias da campanha salarial da categoria, o juiz não gostou de ter visto o técnico judiciário Plínio Pugliesi com a camisa do sindicato no ambiente de trabalho, e por isso decidiu transferir o servidor público para a comarca de Salgado”, prossegue o presidente. Hélcio afirma, ainda, que outras atitudes do juiz afrontaram os servidores do Poder Judiciário, e questiona a rapidez no julgamento de um processo movido pelo juiz contra o Sindiserj.

“Ele afixou na porta do cartório um cartaz com os seguintes dizeres: ‘Se não for bem tratado, peça para falar com o juiz’. Ou seja, desmoralizando o servidor. Após o episódio de Pugliesi, o sindicato publicou no site uma nota de repúdio contra a atitude de juiz. Ele moveu uma ação contra o sindicato e entrou com um pedido de indenização no valor de R$ 15 mil. O processo foi julgado na própria comarca de Itaporanga no tempo recorde de apenas 18 dias. Fez cara feia para ele, ele entra com uma ação”, resume Albuquerque.

Além de deixar os parlamentares a par das denúncias feitas ao CNJ, o presidente do Sindiserj levou à plenária um balanço das lutas da categoria desde o ano passado. O objetivo, segundo Hélcio, é pedir o apoio dos parlamentares e deixar a população bem informada. “Desde o ano passado estamos realizando uma série de atos públicos, paralisações, greves, e isso demonstra nossa insatisfação. Queremos que a população esteja ciente sobre nossas reivindicações de valorização salarial e pessoal”, finaliza Albuquerque.

“Acham que vão transformar minha vida num inferno”

Em entrevista ao Portal Infonet, o juiz Gustavo Adolfo Plech, alvo das acusações do presidente do Sindiserj, diz que vai esperar o parecer do CNJ para se manifestar sobre o caso. “Quando sair o resultado vou fazer questão de mostrar a todos com quem estava a verdade”, diz. Ainda segundo ele, a cada acusação infundada do Sindiserj, será aberto um processo contra o sindicato.

“Eu acho lamentável que algumas pessoas ajam dessa forma. Quem conhece minha história sabe quem eu sou e que eu jamais seria responsável pelas coisas que eles me acusam de fazer. Eu não vou bater-boca com ninguém; cada um faz uso da sua liberdade como quiser e é responsável por aquilo que diz. A cada dia que passa o Sindiserj está se afundando mais, pois cada ato do presidente no sentido de me desmoralizar é uma ação de dano moral que movo contra o sindicato”, explica Plech.

O juiz afirma, ainda, que possui um dossiê com mais de 200 documentos que tornam infundadas as denúncias feitas pelo Sindiserj. “Estão achando que vão transformar a minha vida num inferno. Sei que essa perseguição não é um sentimento dos servidores; por trás disso existem outros interesses. Como ele diz que o processo contra o sindicato foi julgado em tempo recorde, se, apenas nos últimos 12 meses em Sergipe, 20.178 processos foram julgados em menos de 18 dias?”, questiona o juiz.

Por Helmo Goes e Kátia Susanna

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