Tenente-coronel que dirigia embriagado é condenado

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Julgamento aconteceu no auditório miloitar do Gumersindo Bessa (Fotos: Portal Infonet)

Por 4 x 1, o tenente-coronel da Polícia Militar de Sergipe, José Sérgio Campos Santos, foi condenado a um ano e seis meses de reclusão em regime aberto. O julgamento aconteceu no início da tarde desta sexta-feira, 13, no auditório militar do Fórum Gumersindo Bessa. Ele foi flagrado embriagado, após se envolver em uma colisão na Av. Pedro Calazans, em 17 de abril de 2007 e foi julgado também por desacato ao superior.

Com a chegada da guarnição, que constatou o estado de embriaguez do militar e a resistência para fazer o teste do bafômetro, foi solicitada a presença do coronel Abiner Lobo [corregedor de polícia] ao local e quando o oficial chegou a avenida, José Sérgio passou a dizer palavras de baixo calão em frases como: “eu quero é espetáculo, filho da p.”, “me respeite vagabundo” e “eu quero comer o c. do comandante”.

O advogado Valério Fernandes e o prmotor João Rodrigues

Um vídeo foi feito e publicado no You Tube [com a música da Banda Saia Rodada, ‘Beber, cair e levantar’] causando grande repercussão. Tanto o vídeo como uma matéria exibida pela TV Sergipe, foram exibidos quando da audiência presidida pelo juiz de Direito Militar Diógenes Barreto.e

O tenente-coronel foi autuado em flagrante e na Delegacia Plantonista, pagou fiança de R$ 1.356 e multa de R$ 1.915, tendo perdido a Carteira de Habilitação e ficado um ano sem dirigir.

O promotor João Rodrigues solicitou ao juiz Diógenes Barreto a exibição dos vídeos e em seguida afirmou:
“A gravidade da conduta não diz nada diante dos vídeos, que já dizem tudo. A afirmação do coronel Abiner Lobo, de que não ouviu o quem José Sérgio falou, que o réu não se dirigiu a ele e não se sentiu melindrado, é incompreensível. Aceitar isso como natural, com parcimônia é um enfraquecimento grave e não adianta se julgar a embriaguez, porque a vítima maior é a administração da Polícia Militar, até porque ele disse que já tinha problemas com o álcool, chegando a afirmar que vinha tomando remédios, misturou bebidas e assumiu responsabilidades. O réu manchou com uma pecha quase que inexorável a vida militar. A teoria da embriaguez não tem aplicabilidade nenhuma, por isso, estou pedindo a acusação”, destaca.

Já o advogado Valério Fernandes, sustentou a defesa no alcoolismo visto como uma doença.

“Esse processo vem da malfadada imagem do bêbado engraçado, tanto que o título do vídeo do You Tube é ‘Coronel Sérgio em Águas’. Vocês [os quatro juízes militares] terão a árdua função de decidir o caminho a trilhar pelo acusado, inclusive, um membro do Conselho Especial da Justiça Militar, é médico. Não se pode esquecer que o alcoolismo é uma doença e não é fácil de tratar. Tenho certeza que nessa sala não tem pessoa mais envergonhada desses fatos todos do que ele”, diz o advogado.

Valério Fernandes disse ainda ser preciso lembrar que muitos não consomem álcool e não conseguem parar. “É possível se embriagar com um único copo de cerveja. Ninguém tem culpa de uma gripe, de ter uma doença. O próprio tenente-coronel Paiva disse que o réu não estava na sua razão, não dizia coisa com coisa. Ele estava lá e viu que o réu não conseguia levantar, estava totalmente embriagado, fora do seu curso. E nós não estamos aqui para analisar uma conduta genérica. Provou-se na instrução civil, que José Sérgio não atingiu a moral dos seus subordinados. Os senhores acham que ele se embriagou para bater o carro e esperar o superior chegar?”, indaga o advogado.

Participaram do julgamento, os juízes José Pereira de Andrade Filho, Lincolm Marcelo Pacheco de Menezes Veras, Paulo da Silva Batista e Marcílio Ferreira da Silva Pontual.

Por Aldaci de Souza

                                                

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