Vera Lúcia aponta revolução socialista para melhorar situação do país

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Vera Lúcia aponta revolução socialista como solução para problemas do país (Foto: Portal Infonet)

A pré-candidata a presidência da República Vera Lúcia (PSTU) está em Sergipe para o lançamento das pré-candidaturas de Gilvani ao Governo do Estado e de Clarckson ao Senado Federal, além de outros nomes para concorrer a deputados federais e estaduais.

Nossa equipe de reportagem conversou com a líder do partido, que falou sobre a ‘desilusão’ com o processo eleitoral, criticou o sistema capitalista e contou que concorrer a cargos políticos faz mais parte de um processo de propagação de ideais do que brigar para vencer as eleições. Confira o bate-papo:

Infonet – Como surgiu a ideia da pré-candidatura à presidência da República?
Vera Lúcia – Foi uma deliberação do PSTU. Levando em consideração a realidade política e econômica, de crise profunda do Brasil e que transformou a vida da classe trabalhadora e dos mais pobres em um caos social, entenderam que nesse momento, meu nome e do companheiro Hertz estariam em condições de apresentar um programa extraído das necessidades da classe, para apresentar não só agora antes das eleições, mas durante e depois. Esse programa está expresso no manifesto que o partido lança a nível nacional, ‘Um chamado à rebelião’. Entendemos que os problemas que nossa classe vivencia não pode ser resolvido nem nas eleições, que é um jogo de cartas marcadas. A legislação eleitoral não permite que partidos como o nosso tenham tempo de externar o próprio pensamento. Além disso, há campanhas milionárias. Por outro lado, a eleição não resolve o problema da classe trabalhadora. Chamamos essa rebelião para que a classe trabalhadora se organize e lute para que os de baixo derrubem os de cima. Não é possível conciliar os interesses dos grandes empresários com as necessidades dos trabalhadores. Como não vai ser possível externar isso nos meios de comunicação de massa, já estamos passando com o manifesto em todos os cantos do país. Não é um programa eleitoral.

Infonet – Vera, você já foi candidata ao Governo do Estado, à Prefeitura de Aracaju. Politicamente falando para o partido, não seria mais estratégico ter tentado mais cargos legislativos?
VL-
Primeiro que não fui “eu”, não sou eu que pleiteio. Sempre assumi as tarefas que o PSTU me deu. Era no executivo para apresentar, da melhor forma possível, um programa de saída para nossa classe. Durante todo esse período, deixamos claro aos trabalhadores que nossos problemas não se resolveriam no marco das eleições. Está comprovado. Estamos em uma crise política, e os trabalhadores que são enganados o tempo inteiro não têm mais nenhuma ilusão. E estão certos. Esse Estado e a forma que é feita a política é para atender os empresários, em detrimento das necessidades de quem trabalha. Em um país tão rico como o nosso, 16 milhões passando fome. É impossível resolver esses problemas nos marcos do sistema capitalista. Não é buscando mandatos de vereadora, deputada, ascendendo politicamente que vamos resolver isso. Galgar cargos não é nossa tarefa. O PSTU tem como tarefa central organizar a classe trabalhadora para que ela assuma as rédeas do seu destino. Não temos nenhuma ilusão nas eleições e nem no capitalismo. Somos um partido político e participamos das eleições, justamente para dizer o que estamos dizendo.

Infonet – Como você enxerga a questão do cenário político nacional, onde há inúmeros pré-candidatos, a questão sobre a pré-candidatura de Lula e uma especulação de unificação da esquerda?
VL-
É uma demonstração da polarização da luta de classes. Os partidos de esquerda, à exceção do PSTU, estão muito próximos, inclusive na campanha ‘Lula Livre’. O único que não está embaixo da asa do PT, porque não queremos essa sombra, é o PSTU, e por uma razão muito simples: somos  defensores que os corruptos e os corruptores estejam na cadeia, tenham seus bens confiscados e que essas empresas que são milionárias e enriqueceram absurdamente através de falcatruas sejam governadas e administradas pelos trabalhadores. Uma eleição com ou sem Lula não resolve o problema da nossa classe. Lula governou duas vezes, Dilma por quase dois mandatos. O PT já teve quase 14 anos na administração. Já governou o Estado, a Prefeitura de Aracaju. Olhem para a nossa realidade. O que mudou? Absolutamente nada! A crise veio e arrastou todo mundo. O estado capitalista existe para administrar os negócios dos grandes empresários.

Infonet – No manifesto, o PSTU diz que “a saída é o socialismo”. O que quer dizer?
VL-
É a revolução socialista. Precisamos nos rebelar. Não é só para o país, é para o mundo. Olha o drama dos refugiados, da imigração. São 65 milhões de refugiados no mundo. É uma quantidade maior que na Segunda Guerra Mundial. Não podemos resolver os problemas de Sergipe, do Brasil ou do Mundo . É da natureza do capitalismo concentrar riqueza na mão de poucos e espalhar miséria na vida de muitos. Não é uma questão moral, de caráter. Queremos uma sociedade onde a produção tenha uma função social de atendimento das necessidades humanas. Isso é impossível no capitalismo.

Infonet – No pensamento de vocês, como seria essa rebelião?
VL-
A greve dos caminhoneiros foi uma rebelião. Só não saiu greve geral porque as direções dos movimentos são traidoras. Estavam mais preocupadas em garantir ‘Lula livre’ do que derrubar o Governo Temer e as reformas que foram feitas contra a classe trabalhadora. Estavam dadas todas as condições. Os caminhoneiros deram o pontapé inicial, e as direções traíram covardemente. O Governo e Congresso foram para as ‘cordas’ e teriam sido nocauteados. Poderíamos pôr abaixo a venda da Petrobras, por exemplo. Quando fizemos a greve geral em abril do ano passado, foi uma rebelião. Nos jornais, saíam os prejuízos de milhões. Naquele dia foi uma rebelião, e a demonstração de que quando os trabalhadores não se movem, não há produção de riqueza no país. É por isso que eles precisam nos convencer todo dia de que não somos capazes: porque no dia que a classe trabalhadora se levantar organizada, não fica um rico em pé.

Por Victor Siqueira

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