
Com a aproximação das festas juninas, oftalmologistas alertam para os riscos à saúde ocular provocados pela exposição à fumaça das fogueiras, ao calor intenso, ao manuseio de fogos de artifício e até a acidentes domésticos durante o preparo de comidas típicas. Tradicionalmente associadas à diversão, as celebrações também exigem atenção, já que a combinação desses fatores aumenta as chances de ocorrências que podem causar desde irritações e alergias até queimaduras, traumas oculares e lesões que, em alguns casos, comprometem a visão.
De acordo com a médica oftalmologista Fernanda Mota, que integra o corpo clínico do Hospital de Olhos de Sergipe (HOS), um dos principais fatores de risco nessa época é a fumaça das fogueiras.
“Ela pode provocar irritações severas, conjuntivite tóxica, agravar quadros de olho seco e intensificar alergias já existentes. Além disso, as fagulhas podem causar vermelhidão, coceira, ardência, sensibilidade à luz e sensação de areia nos olhos”, destaca.

Outro alerta importante envolve os fogos de artifício, especialmente quando manuseados por crianças e adolescentes. Segundo a especialista, a pólvora e os fragmentos liberados durante a queima podem atingir os olhos e causar queimaduras, lesões na córnea e danos nas pálpebras.
“Sempre que a criança for utilizar uma chuvinha, por exemplo, o ideal é manter as mãos abaixo da altura dos olhos e nunca olhar diretamente para os fogos quando eles explodem no ar”, orienta.
Os adultos também não estão livres dos riscos, já que partículas e corpos estranhos podem atingir a superfície ocular e provocar lesões de diferentes gravidades. A atenção também deve se estender ao preparo das comidas típicas, já que brasas, fumaça, óleo quente e líquidos ferventes podem provocar queimaduras na superfície dos olhos.
“Durante o preparo de alimentos típicos, como canjica, milho cozido e outras receitas que utilizam líquidos em alta temperatura, respingos podem atingir os olhos e provocar queimaduras. O mesmo cuidado vale para quem manipula brasas, carvão ou assa alimentos diretamente na fogueira. O calor intenso pode causar microqueimaduras na córnea ou desepitelização, que é a perda da camada protetora da superfície ocular. São lesões extremamente dolorosas”, explica Fernanda Mota.
Período exige atenção redobrada
Especialistas observam um aumento na ocorrência de queimaduras, traumas e irritações oculares durante os festejos juninos, principalmente em decorrência da exposição à fumaça, ao calor das fogueiras e ao uso inadequado de fogos de artifício. A oftalmologista reforça ainda que pacientes com doenças oculares, como glaucoma e catarata, precisam redobrar os cuidados durante as festividades.
“A fumaça não agrava diretamente o glaucoma ou a catarata, mas pode aumentar a irritação da superfície ocular. Pacientes com glaucoma, por exemplo, não devem interromper o uso dos colírios prescritos”, orienta.
Em caso de queimaduras ou contato dos olhos com líquidos quentes, a recomendação é lavar imediatamente a região com água corrente abundante ou soro fisiológico e procurar atendimento oftalmológico o quanto antes.
“O mais importante é interromper imediatamente o contato com o agente causador da queimadura e resfriar a área afetada. Isso deve ser feito com água ou soro fisiológico. Jamais devem ser aplicadas pastas, pomadas ou medicamentos sem orientação médica. A recomendação é que qualquer sintoma persistente, dor intensa, redução da visão ou queimadura ocular seja avaliado imediatamente por um oftalmologista”, reforça.
Fonte: Assessoria de Imprensa

Comentários estão fechados.