Projeto doa toucas de lã a pacientes com câncer em Sergipe

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O projeto Fios Encantados confecciona e doa toucas de lã para pacientes com câncer (Foto: Infonet)

Integrantes do projeto Fios Encantados da cidade de Jundiaí no estado de São Paulo estão em Sergipe nesta segunda-feira, 28, visitando instituições que acolhem pessoas com câncer para fazer a doação de toucas de lã e divulgar o projeto no estado. A visita começou no início da manhã na Associação de Apoio ao Adulto com Câncer do Estado de Sergipe (AAACASE) e depois as voluntárias visitaram o setor de oncologia do Hospital de Urgência de Sergipe (Huse). A tarde o projeto visita o Grupo de Apoio as Crianças com Câncer de Sergipe (GAAC/SE) e a Associação dos Voluntários a Serviço da Oncologia em Sergipe (Avosos).

O objetivo do projeto é elevar a autoestima de crianças, jovens e adultos que perdem o cabelo por conta do tratamento contra o câncer. A idealizadora e presidente do projeto, Mara Gisela Pereira, conta que o foco inicial dos Fios Encantados, que começou em abril de 2018, era fazer toucas de super-heróis e personagens para crianças.

Mara Gisele é a idealizadora do projeto e vai percorrer o Brasil distribuindo as toucas (Foto: Portal Infonet)

“Essa foi uma forma que encontramos de elevar a autoestima dessas crianças. Recebemos fotos e depoimentos dos pais dizendo que os filhos voltaram a brincar, a correr, a se sentir de fato um herói na luta contra o câncer. Mas, nós percebemos também que as toucas também podiam elevar a autoestima e aquecer as carequinhas dos adultos”, explica.

Mara já era envolvida com trabalho voluntários antes de iniciar o projeto, mas resolveu dedicar ainda mais do seu tempo a ajudar o próximo. “Eu sentia que precisava fazer mais e veio a ideia das toucas de lã de heróis e personagens infantis, apesar de não saber fazer crochê. Fizemos uma oficina em que 43 pessoas participaram e a partir daí não parou mais de chegar gente, hoje temos 96 voluntários fixos fazendo as toucas, e toda a produção é doada aos pacientes”, conta.

Iracema Pereira apresenta seu projeto de confecção de próteses (Foto: Portal Infonet)

Sergipe é o sexto estado do país visitado pelo projeto. O objetivo de Mara é rodar todo o Brasil conhecendo as instituições, divulgando o projeto e estimulando outras pessoas a fazer mais pelo próximo. “Começamos há seis meses a sair pelo país, um estado a cada mês. Aqui em Sergipe já estive no lar de Idosos Same, e até o final do dia vamos visitar outras instituições. Eu gosto de estar junto, conhecer, vivenciar a dor do outro, e tentar fazer essas pessoas mais felizes”, afirma.

Próteses

Na AAACASE as integrantes do Fios Encantados conheceram mulheres que estão em tratamento contra o câncer de mama e que mesmo com a doença realizam trabalhos voluntários na instituição. Uma dessas voluntárias é Iracema Pereira, curada do câncer de mama há 12 anos e idealizadora de um projeto que confecciona próteses e sutiãs para as mulheres que acabam perdendo o seio por conta da doença.

Iracema teve câncer de mama há 12 anos e fez mastectomia (Foto: portal Infonet)

Iracema conta que seis meses após sua cirurgia de mastectomia começou a pesquisar os valores de sutiãs e próteses, e viu que o preço era bastante elevado. Foi aí que surgiu a ideia de fabricar próteses e doar. As clientes pagam apenas o preço de custo porque não há patrocinadores e a voluntária não consegue arcar com todos os custos da produção sozinha.

“No início fiz de várias maneiras e fui aperfeiçoando, mas vi que ainda precisa melhorar. Foi quando eu fui ao Rio de Janeiro fazer um curso e adaptei o que aprendi lá. Hoje eu pago a uma pessoa para fazer os sutiãs, todos dentro dos padrões necessários para receber as próteses. Os tamanhos das próteses vão do 38 ao 52, todas são pesadas de acordo com o tamanho do seio e do manequim de cada mulher para que a adaptação seja melhor”, explica.

Iracema inova nas cores dos sutiãs. Ela conta que o modelo na cor vermelha e rosa conquistaram o coração da mulherada. “Antes só fazia na cor branca, bege e preta. Depois eu resolvi fazer na cor-de-rosa e vermelho, e foi o maior sucesso. Além de ressignificar, ter uma lingerie bonita faz a mulher se sentir bem, desperta sua sexualidade e sua valorização pessoal”, aponta.

A presidente da AAACASE, Neide dos Santos, explica que a instituição desenvolve várias atividades com intuito de elevar a autoestima dos assistidos, e em especial das mulheres. “Aqui elas dançam, cantam e desenvolvem atividades que resgatam a autoestima perdida por conta da doença. Iniciativas como a dos Fios Encantados e da Iracema com as próteses chegam para somar e tornar a vida dos pacientes com câncer mais feliz”, conclui.

Por Karla Pinheiro

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