Testagens da UFS: 68% das pessoas estavam na fase ativa da covid-19

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UFS apresentou resultados da terceira fase de testes da covid-19 no âmbito do Projeto EpiSergipe (Foto: SMS)

A Universidade Federal de Sergipe (UFS) divulgou nesta segunda-feira, 19, os resultados da terceira fase da pesquisa de base populacional de monitoração de casos do novo coronavírus no âmbito do Projeto EpiSergipe. Foram realizados 6.662 testes rápidos e sorológicos nas zonas urbanas e rurais de 15 municípios sergipanos, no período de 18 de fevereiro a 30 de março deste ano.

Os municípios monitorados quanto à evolução da contaminação são: Aracaju, Barra dos Coqueiros, Nossa Senhora do Socorro, São Cristovão, Capela, Estância, Propriá, Itabaianinha, Tobias Barreto, Simão Dias, Lagarto, Itabaiana, Nossa Senhora da Glória, Canindé do São Francisco e Porto da Folha.

Essa nova etapa de testagem alcançou 3.609 pessoas do gênero feminino (65,3%) e 1.918 do gênero masculino (34,7%). Quanto à faixa etária, 11,8% tinham entre 0 e 19 anos de idade, 68% entre 20 e 59, e 14,7% acima de 60. Outras 5,5% não tiveram a idade registrada no inquérito epidemiológico.

“Trata-se do maior inquérito epidemiológico de base populacional realizado em Sergipe. Foram mais de 20 mil testes e 60 viagens realizadas nos útimos dez meses aos municípios selecionados pelo tamanho da sua população e pelas características de áreas de divisa. Mais de 60 pessoas entre estudantes de graduação e pós-graduação, técnicos e professores estão envolvidos na ação,” destaca o coordenador do Projeto EpiSergipe, professor Adriano Antunes.

Testagem rápida

Foram aplicados inicialmente 5.527 testes rápidos por meio de visitas domiciliares, sendo que 22% das pessoas apresentaram resultado positivo: 71.8% mulheres e 28.2% homens. Além disso, 7.5% encontravam-se na faixa etária de 0 a 19 anos, 71.2% entre 20 e 59, e 17.8% acima dos 60.

Nossa Senhora do Socorro (33.7%), Aracaju (26.7%) e Itabaianinha (26.5%) foram os municípios com as maiores taxas de positividade nesta fase de testagem rápida. Por outro lado, São Cristóvão (11.9%), Simão Dias (14.3%) e Nossa Senhora da Glória (14.5%) registraram os menores índices de prevalência.

Taxa de soroprevalência

A partir dos resultados dos testes rápidos, foram coletadas amostras de sangue de 1.135 pessoas para a realização de teste sorológico para a dosagem de anticorpos contra o novo coronavírus. Neste caso, 75% apresentaram anticorpos para o SARS-CoV-2 através da técnica de imunofluorescência. 284 (25.0%) tiveram os resultados negativos.

A soroprevalência geral para anticorpos contra o SARS-CoV-2 nos 15 municípios foi de 15,4%, sendo 17% em mulheres e 12,4% em homens. Já a soroprevalência calculada para os indivíduos entre 0 e 19 anos foi de 8,4%, 16,3% entre 20 e 59 anos, e 18,8% para aqueles com mais de 60 anos de idade. Isso representa um aumento de aproximadamente 30% nas taxas gerais de soroprevalência em cada fase do projeto.

Os municípios com as maiores soroprevalências nesta terceira fase foram: Nossa Senhora do Socorro (22,3%), Itabaiana (20,6%) e Propriá (19,8%). Já Simão Dias (7,3%), São Cristóvão (9,3%) e Nossa Senhora da Glória (9,8%) apresentaram as menores taxas de soroprevalência no período.

“Durante o segundo semestre de 2020, houve um importante avanço da epidemia para o interior e uma estabilização no comportamento do número de casos na Grande Aracaju. Entretanto, durante a segunda onda da covid-19, houve um aumento significativo nas estimativas de soroprevalência na Grande Aracaju, especialmente na capital, na Barra dos Coqueiros e em Laranjeiras,” explica o professor de Epidemiologia e chefe do Laboratório de Patologia Investigativa da UFS, Paulo Martins Filho.

Casos de infecção ativa

Através da análise sorológica para a detecção de anticorpos, 67,9% dos indivíduos estavam na fase ativa da doença (IgM+) no momento da realização do exame ou apresentaram resultados sugestivos de infecção recente (IgM+/IgG+). Além disso, 32,1% tiveram resultado sorológico indicando uma provável infecção passada (IgG+).

Paulo Martins chama a atenção para o aumento significativo no número de pessoas com infecção ativa. “Em julho de 2020, data da realização da primeira etapa do projeto, 3,8% dos indíviduos que fizeram exame sorológico encontravam-se na fase ativa da doença ou tiveram infecção recente pelo novo coronavírus, ao passo que esta proporção aumentou para 8,5% no segundo semestre do ano passado. Agora subiu para quase 68%,” frisa o pesquisador.

“É crucial que as medidas de contenção de disseminação do novo coronavírus, incluindo o uso de máscara, a lavagem regular das mãos com água e sabão, o uso de álcool gel a 70% e o distanciamento social, continuem sendo respeitadas pela população. Esses resultados da terceira fase de testes justificam a necessidade do não afrouxamento das medidas restritivas de adotadas desde o início de março para frear o avanço da epidemia no Estado,” complementa.

Fases anteriores

Na primeira fase da ação de testagem, ocorrida em julho do ano passado, foram avaliadas 5.615 pessoas e a soroprevalência foi estimada em 9,3%. Na segunda fase, por sua vez, entre os meses de agosto e novembro, foram testados 5.405 indivíduos. Neste caso, a soroprevalência em relação ao novo coronavírus aumentou para 12%.

Projeto EpiSergipe

A ação é uma parceria entre a Universidade Federal de Sergipe (UFS) e o Governo do Estado de Sergipe com investimento de cerca 4 milhões de reais. O projeto consiste na execução de três áreas temáticas de atuação no combate à covid-19: monitoramento da evolução da prevalência da infecção por SARS-CoV-2 ao longo do tempo em Sergipe; estimação dos impactos socioeconômicos da pandemia no Estado; e acompanhamento dos impactos sociais da pandemia do coronavírus sobre populações vulneráveis.

“A Universidade Federal de Sergipe tem dado a sua parcela de contribuição de forma muito significativa no enfrentamento à pandemia. Estamos na linha de frente nesse combate ao avanço da contaminação, através de ações efetivas, como a oferta de leitos de intermanento para pacientes nos Hospitais Universitários (HU e HUL), a produção de insumos e equipamentos de proteção, e o desenvolvimento de pesquisas científicas que auxiliam os governantes na tomada de decisão,” pontou o reitor da UFS, professor Valter Santana.

Fonte: UFS

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