2006, ainda não! – Araripe Coutinho

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2006, ainda não!!!

Quando janeiro chegar, todos nós já choramos muito.

A cada ano insisto em dizer: renovam-se as esperanças.

Para quem leu o que já leu, viu o que pensa ter visto,

Passou por onde passou, falar que renovam-se as esperanças

É ridículo. O homem nasceu para sofrer. E se não, onde está a coroação de 2005? Quem foi chamado ao pódio? Quem recebeu o troféu de bonzinho, fiel, honesto, bem-sucedido? Quem não precisou de usar as saídas e entradas de emergência? A história do PT é a mesma história do PSDB, de todos os PMDBs e bebês que servem de legenda . Nada de novo. Não fosse ainda o povo a morrer de fome. A peste da tuberculose e pneumonia matando crianças e velhos, a polícia atirando como se fosse show  pirotécnico e as estatais cada vez mais bilhardárias – ninguém investiga esta Vivo, a Telemar, a Oi, a Claro. Pagamos pela telefonia mais cara do mundo.

Maradona vem passar dias no Rio, Mike Tyson leva cinco pessoas para o hotel e este povo ainda faz campanha contra aids e kaká ou é Kakai o jogador que casa  na Igreja Evangélica e gasta o dinheiro que daria  para acabar com toda a fome do Acre no passado natal. E kyoto, a besta fera dos EUA. Tivemos o Katrina, Rita , Stan e o Wilma e os EUA não tiram o dedo do suspiro. A Amazônia nunca teve tão algemada, sem recursos, vende a madeira aos olhos dos satélites e ninguém faz-nada. William Bonner, o editor do Jornal mais visto do País, diz que o telespectador é comparável a Hommer, aquele dos Simpsons – preguiçoso, parado, que fica sentado vendo TV e bebendo cerveja. A TV virou um desfile de celebridades . Ocas. Por dentro e por fora. Mariconas, escritores- de- novela, colocam os garotos bem nutridos de Copacabana, para desfilar na tela da novela das oito, como amantes de coroas bem-sucedidas. O humor virou escracho barato e Tony Ramos é o ator-símbolo homenageado até por Maria Betânia. Esse povo deveria ficar calado, já que não gosta de falar. No teatro nada mais se inventa, depois de Zé Celso Martinez Correia. Não conheço, depois de Paulo Francis, um jornalista que possa gastar mil reais em livros. Professores vivem à beira da miséria, com empréstimos garantidos em seu contra-cheque, enquanto Edemar Cid Ferreira possuía, só em obras de arte 2 bilhões  de dólares. 2006, ainda não! A Medicina está na UTI, médicos viraram máquinas e pacientes estatística. Ter como Ministro das Comunicações,o senhor Hélio Costa é o fim. Cada um tem a Daslu que merece. Empresário odeia pobre e empregado e artistas. A maioria das empresas ricas não tem um projeto social real – é tudo uma mentira – funcionários relaxando ao som de mantras, enquanto seu filho saiu do inglês e da computação porque não pôde mais pagar.O cinema brasileiro conseguiu o ápice com “Abril Despedaçado”, depois disso “Os dois filhos de Francisco” é mais um besteirol que deu certo – o povo adorou e foi ver.

Água com açúcar, de preferência com Caetano cantando, para dizer que o filme é cult. Um horror! 2006, ainda não! Mas vem as eleições e os candidatos majoritários não querem saber da dor da vendedora de chiclete. Vão gastar os tubos, vão rir da cara de todo-mundo e vão ser eleitos  pelo mesmo povo que disse sim para o armamento. A moça que matou os pais, com os irmãos Cravinhos, está solta. Ela pode ir pro motel, colocar mais uma tatuagem, dessa vez, na língua e como quase todas as adolescentes que adoram rock, tatoos, cabelo acaju, piercings – estão  todos numa boa e Deus vai perdoá-los. Estão livres e juntos.Em nome do amor. Filhos são mesmo um desastre! Quando não, são deprimidos e não sabem nem o dia do aniversário da mãe! 2006, ainda não! O Governador da Califórnia  que a vida inteira ganhou dinheiro com a violência nos seus filmes, não deu clemência ao negro que se arrependeu. E se fosse branco, daria? Acho que estamos cansados, todos. Mesmo imperfeitos. O mundo não tem jeito. Nem terá. O resto, é silêncio. 2006, ainda não!

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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