Adelson Barreto e a política de aluguel

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Vem causando repercussão na imprensa sergipana a decisão do deputado estadual Adelson Barreto em filiar-se ao PTB, um dos inúmeros partidos comandados por Edvan Amorim. O fato foi bastante noticiado nos meios de comunicação, principalmente pelo flerte de diversas legendas (quase dez) com Adelson, conhecidamente um campeão de votos em eleições que disputa.

É público, afinal os próprios Adelson e Edvan fizeram questão de afirmar aos quatro ventos, que Adelson Barreto já chega ao PTB sendo o presidente do partido. É público também que Adelson será candidato a deputado federal nas eleições de 2014. Como o PTB é, em Sergipe, uma daquelas legendas de aluguel a que me referi no artigo anterior nessa mesma coluna, nem irei perguntar quais instâncias do partido decidiram que Adelson, um recém-filiado, já seria o presidente da legenda e candidato a deputado federal. Seria ingenuidade da minha parte.

Prefiro questionar a postura do próprio Adelson Barreto que, em março deste ano em depoimento ao Jornal da Cidade, disse: “a minha prioridade é ir para um partido onde não haja uma centralização de poder, onde as decisões do partido sejam tomadas por uma ou duas pessoas. Não quero partido do presidente, do eu mando, eu determino”. Na mesma entrevista, pergutando sobre pretensões de candidaturas ao Legislativo federal, Adelson disse: “não quero chegar já impondo uma candidatura, vou analisar os projetos dos partidos”.

Agora, bem ao seu estilo populista, filiando-se a um dos partidos da família Amorim, Adelson disse que para tomar a sua decisão foi “ao mercado, às feiras e às igrejas” e que o seu grupo “é a dona de casa, a doméstica, o desempregado”. Mas, e o partido (PTB) e os seus filiados, Adelson os consultou? Ou melhor, menos de sete meses depois, Adelson mudou de opinião e, agora, aceitou se filiar a um partido em que uma pessoa manda?

Apenas para lembrar: Adelson Barreto já esteve no PFL, PPS, PMN e PSB. O PTB será o seu quinto partido político.

Adelson Barreto é apenas um exemplo da tônica da política em Sergipe: a busca por ascensão e desejos pessoais em detrimento de projetos coletivos. Por isso, para ele e tantos outros políticos o que menos importa é a organização coletiva. Até esse sábado (5), quando acaba o prazo para filiação de quem pretende disputar as eleições em 2014, assistiremos movimentações de todos os lados na política sergipana.

Esse troca-troca partidário – que em Sergipe tem Adelson Barreto e tantos outros como símbolo – tem sua raiz na própria história da política brasileira, inteiramente ligada à personalização das campanhas, das gestões e atuações, diminuindo assim a importância dos partidos políticos. É a festa da política individual, construída em torno de pessoas, de nomes, ao invés da política coletiva, baseada em projetos e programas.

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