Adoniran, Povoado Cabrita e a “eficiência” do Estado

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Há dias tento escrever algumas linhas sobre a truculência do Governo de Sergipe nas sucessivas ações de expulsão de 217 famílias das suas casas no Povoado Cabrita, em São Cristóvão, local em que vivem há mais de vinte anos.

Desde a semana passada, o Estado – que sempre esteve ausente da vida dessa famílias – resolveu aparecer e mostrar toda a sua "eficiência" para aquelas mulheres, homens e crianças, derrubando as suas casas, destruindo as suas plantações e tentando apagar as suas histórias de vida.

Depois de pensar muito sobre a violência dessa ação – assinada pelo Judiciário, executada pela Polícia e comemorada por "grileiros" e pela especulação imobiliária -, encontrei na música "Despejo na favela", de Adoniran Barbosa, a melhor síntese para o que está acontecendo esses dias no Povoado Cabrita.

Quando o oficial de justiça chegou
Lá na favela
E contra seu desejo entregou pra seu Narciso um aviso pra uma ordem de despejo
Assinada seu doutor , assim dizia a petição dentro de dez dias quero a favela vazia e os
barracos todos no chão
É uma ordem superior,
Ôôôôôôôô Ô meu senhor, é uma ordem superior…

A democracia em Sergipe é assim: de um lado, mais de 200 famílias têm, de um dia para o outro, as suas casas derrubadas e ficam sem moradia, direito fundamental previsto na Constituição Federal de 1988; de outro, juízes que assinam ordem de despejo recebem, por mês, mais de R$ 4 mil apenas para despesas com…moradia.

Contra a "ordem superior" que autoriza a derrubada das casas das famílias do Povoado Cabrita, a luta, a resistência e a esperança das próprias famílias, expressas na foto abaixo (registrada por Anderson Barbosa/TV Sergipe), que mostra uma criança reconstruindo a sua casinha em meio ao que restou após o despejo.

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