Belém (PA): cores, cheiros e sensações de uma cidade multicultural

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Cores, cheiros e crenças da Amazônia presentes nas tradições de Belém

Quando se fala em turismo, pode-se dizer que é unanimidade: Belém atrai cada vez mais turistas ávidos por conhecerem melhor os cheiros, os gostos, os cantos turísticos e encantos históricos e naturais da considerada Porta da Amazônia.

As cores das essências e “garrafadas” deixam vivas às tradições indígenas no Ver-o-Peso. As mangueiras enfileiradas em suas ruas e a tradicional chuva de fim de tarde. O rodopiante carimbo. As feiras, mercados e ruas contagiados por sua gente mostram a brasilidade de um país multicultural em uma única cidade.

Praça da República com icônicos prédios em art nouveau, além do Teatro da Paz, e novas construções

O pôr do sol na Baía do Guajará, a religiosidade do Círio de Nazaré, o Forte do Presépio, a Catedral Metropolitana, a surpreendente Praça da República com o tradicional e imponente Teatro da Paz, a atraente e divertida noite da Estação das Docas são alguns dos exemplares de uma cidade que cresce turisticamente.

É como se fosse um sacrilégio não provar do tacacá em uma das esquinas da cidade. O caldo à base da mandioca com camarão e folha de jambu é um convite aos gostos amazônicos que atiçam o paladar juntamente com as frutas, as sementes e as raízes.

Capital fundada pelos portugueses com mais de 1.485.000 hab (IBGE/2018), viveu o período áureo da borracha e lá está documentado esse tempo em costumes, prédios históricos e a miscigenação do europeu como o homem ribeirinho, indígena e amazônico. Veja as dicas que não podem faltar num roteiro pela multifacetada Belém. Que tal afivelar as malas e visitá-la?

Mangal das Garças

Um dos símbolos de Belém e ponto que o turista não deve deixar de ir ao visitar a Capital das Mangueiras

Sem sombra de dúvidas, é um dos locais mais agradáveis e imperdíveis de Belém. A área verde está instalada à beira do rio Guamá, localizada em uma área então abandonada do Arsenal da Marinha que, primeiramente, foi planejada para ser uma reserva de reprodução de pássaros no entono da zona urbana.  O parque conta com dezenas de garças e guarás que circulam soltos, além de lagartos e outros tipos de animais da fauna amazônica. Um dos principais destinos dos turistas em visita ao local é o Farol de Belém, um mirante de 47m que se tem a melhor vista panorâmica da cidade. Também compõem as atrações um borboletário, um viveiro de pássaros, e o Memorial Amazônico da Navegação.

Vista panorâmica

Horário de funcionamento: de terça-feira a domingo, das 9h às 18h. Passeio Carneiro da Rocha, s/n. Cidade Velha. Fone (91) 3242-5052. Borboletário- R$ 5, Farol de Belém R$ 5, Viveiro das Aningas – R$5, Memorial da Navegação da Amazônia – R$ 5. Passaporte (preço único para todos os espaços) – R$ 15

Gastronomia paraense

Vatapá paraense

Pato no tucupi, maniçoba, tucunaré, caruru, farofa d’água e jambu. Tem muito mais. A culinária paraense é uma miscelânea de sabores que agrada aos mais exigentes paladares, desde as comidinhas de rua aos refinados restaurantes com pitadas de contemporaneidade dos chefs. A forte influência indígena criou pratos que hoje se expande por todo o país. As frutas e raízes fazem dos ingredientes especiarias cobiçadas mundialmente, como o cupuaçu, a castanha do Pará, pupunha, o bacuri, o açaí, entre outros.

Tacaca da Dona Maria – A iguaria é a mais famosa e tradicional da cidade. O legado de mais de quatro décadas deixado por Maria do Carmo Pompeu dos Santos é perpetuado por funcionários e familiares. O caldo da mandioca cozida triturada descansa por horas até que possa separar da goma e obter o denominado tucupi. O caldo é fervido com alho e chicória e ganha os paladares mundiais servidos em cuias com camarão, folhas de jambu e goma, também extraída da mandioca. Também tem vatapá, bolo de macaxeira e cocada

Tacacá da Dona Maria

Horário de funcionamento: Todos os dias, das 16h às 20h. Avenida Nazaré, altura do nº 902 (em frente ao Colégio Nazaré). Fone (91) 9142-0433. O tacacá varia de R$ 15 a R$ 30.

Estação das Docas

Estação das Docas é um complexo de bares, lojas e restaurantes à beira do Guará

O antigo porto de Belém hoje é uma das principais atrações da cidade. Totalmente restaurado em 2000 com as docas preservadas, os armazéns com estrutura inglesa foram transformados em centros de entretenimento, bem a beira da baía do Guajará. O espaço de entretenimento abriga um complexo que reúne teatro, centro de exposições, artesanato, sorveterias e restaurantes.

Estação das Docas

Nas lojas o visitante encontra CD’s e DVD’s regionais, principalmente de carimbó, além de restaurantes e lanchonetes de comidas amazônicas. Um dos atrativos da Estação das Docas é a cervejaria Amazon Beer, que fabrica artesanalmente cervejas de diversos tipos, a exemplo da frutada de açaí. Nos finais de tarde há shows de MPB num palco deslizante – um antigo transportador de cargas adaptado.

Horário de funcionamento: Às segundas-feiras, das 10h à 0h. Terças e quintas, das 10h à 1h. Sextas-feiras e sábados, das 10h às 3h, e aos domingos, das 10h à 0h. Avenida Boulevard Castilho França, s/n. Cidade Velha. Fone (91) 3212-5660. Entrada Gratuita.

Mercado Ver-o-Peso

Complexo Ver o Peso onde se reúne as tradições populares brasileiras em um só local

Visitar o mercado de uma cidade é conhecer a essência do seu povo, o dia-a-dia, as crenças, as cores, os cheiros, gostos e hábitos. Quando o mercado é o Complexo Ver- o-Peso, a sensação é de conhecer a alma de um povo, principalmente por ser ali a maior feira-livre da América Latina e símbolo paraense.

Castanha do Pará

Em um dos seguimentos ficam as barraquinhas de comidas, com cheiros e gostos exóticos. Em outro seguimento, concentram-se artesanatos, em destaque as cerâmicas com traços marajoaras e ervas aromatizantes. Logo após, mais abaixo, as pimentas, os vasos de tucupi com todos os tipos de ervas são expostos em bancas, promovendo um colorido de chamar atenção. Mas são nas barracas de essências, garrafadas, chás e elixires que as cores do Pará estão ali, expostas. Tem de tudo, desde promessas para “levantar o falecido” até óleo de buriti, andiroba, copaíba, perfume de “talismã da sorte”, agarra homem, chama marido, garrafada para celulite, cheiro de priprioca.

Frutos do Amazonas

Ver a retirada da castanha do Pará da casca ou os movimentos eficazes dos catadores de pimenta traduz um hábito bem local, onde a singularidade de gestos faz daquele povo bem natural.

Uma atração a parte é a estrutura do mercado Ver-o-Peso, datado de 1688, trazido da Europa no tempo áureo da borracha. O movimento no Mercado Ver-o-Peso começa às 3h30. Entre 6h e às 14h, os comerciantes oferecem o que há de mais fresco em matéria de pescados. Não deixe de caminhar um pouco mais pelo entorno do mercado. O complexo Ver-o-Peso é incontestavelmente uma das belezas do Pará.

Mercado Municipal de Belém

Estrutura chama atenção em ferro inglês

Bem a frente do mercado Ver-o-Peso, o prédio faz parte do complexo totalmente reformado e datado de 1867. Lá somente são vendidos carnes e derivados e há restaurantes populares, porém é a estrutura que totalmente em ferro encomendados da firma Walter MacFarlane, de Glasgow, Escócia, que vale a visita. Ao centro do mercado, uma escadaria em círculo onde leva a um mirante, que se pode ver o jogo de desníveis dos telhados dos pavilhões e do prédio neoclássico. Horário de funcionamento: De segunda a sexta-feira, das 7h às 16h; sábado, das 8h às 13h. Avenida Boulevard Castilho França, s/n. Campina. Fone (91) 3073-3112

Basílica de Nossa Senhora de Nazaré

Basílica do Círio de Nazaré

Exemplar da fé católica paraense, conta a lenda que a Basílica de Nazaré foi erguida no lugar onde o caboclo José Plácido encontrou, em 1700, a imagem de Nossa Senhora de Nazaré. A santa fica no topo do altar, protegida por um vidro blindado. Na praça, em frente, há uma réplica, onde fiéis amarram fitinhas e fazem pedidos. Visite também o entorno do templo, com alguns casarões em bom estado de conservação.

Imagem do Círio de Nazaré

Horário de funcionamento: De segunda a sexta-feira, das 6h às 20h. Sábado e domingo, das 6h às 12h e das 15h ás 21h. Fica na praça Justo Chermont, s/n. Nazaré. Fone (91) 4009-8400

Parque Zoobotânico e Museu Emílio Goeldi

Fauna e flora preservadas no centro de pesquisa e visitação

O passeio pode ser feito em consonância com a visita a Basílica de Nazaré, já que a enorme área verde fica a poucas quadras do templo religioso, em plena região central. O passeio é para quem quer conhecer um pouco mais da fauna e da flora amazônica, além de se debruçar no turismo cientifico do centro de pesquisas.

Entre os animais há onça-pintada, jacaré-açu, antas, macacos, cutias e lagartos – os dois últimos ficam soltos, circulando entre os visitantes nas alamedas. O Museu Paraense Emílio Goeldi, fundado em 1871, tem mostras temporárias. Na parte externa, as calçadas são usadas para corridas e caminhadas.

Horário de funcionamento: De quarta-feira aos domingos, das 9h às 17h.  Avenida Governador Magalhães Barata, 376/ Nazaré. Fone (91) 3219-3342

Praça da República

Vale a pena a visita

Um local que antes era um cemitério de escravos deu espaço para uma das mais belas praças do país. A Praça da República passou a ser uma área verde, após a construção de um monumento que faz alusão à proclamação da república, em 1889.

Esse monumento foi construído todo em mármore Carrara e possui 20 metros altura. O outro lado da obra há vários livros e o registro da data da proclamação. Duas pequenas estátuas erguem escudos e, em cada um deles está escrito “Probidade” e “União”.

Na praça encontram-se ainda mais outras construções importantes de Belém, a exemplo do parque João Coelho, da praça da Sereia e do teatro da Paz, da biblioteca de Belém, do lendário bar do Parque.

Teatro da Paz

Apogeu do ciclo da borracha na região

O teatro da Paz foi construído com o dinheiro advindo do Ciclo da Borracha e batizado em alusão ao fim da Guerra do Paraguai, em 1870. Inspirado no Teatro Scala de Milão, na Itália, destacam-se, na decoração, materiais e objetos trazidos da Europa, como o lustre e as estátuas de bronze francesas, o piso de pedras portuguesas e a escadaria em mármore italiano. Tem visitas guiadas, de hora em hora.

Horário de funcionamento: De terça a sexta-feira, das 9h às 17h. Sábado, das 9h às 12h. Domingo, das 9h às 11h. Rua da Paz, s/n, Praça da República.  Campina. Fone (91) 4009-8750.

Vista do Forte do Presépio

Pôr do Sol de encher os olhos

A dica é deixar para conhecê-lo no fim da tarde, quando o pôr do sol é um convidado especial, às margens do rio Guamá. A vista para a Cidade Velha, tendo ao fundo o mercado Ver- o Peso é também um clique a ser conferido pelos turistas.

O forte é um dos marcos da fundação da cidade, erguido para defendê-la de invasões. Canhões originais estão expostos no pátio interno. Na sala de exposição permanente, com peças de cerâmica marajoara e minerais da região.

Horário de funcionamento: De terça a sexta-feira, das 10h às 18h. Sábado e domingo, das 10h às 14h . Praça Frei Caetano Brandão, s/n. Cidade Velha. Fone (91) 4009-8828.

Casa das Onze Janelas

Essa atração é composta por uma galeria de artes, um bar aconchegante e uma área externa, com vistas para baia, de onde o viajante pode apreciar o fim de tarde entre uma chuva e outra. O prédio que teve outras funções no passado, hoje é uma referência em arte contemporânea da região, através de imagens de seu farto acervo, transmite cultura e conhecimento aos visitantes.

Horário de funcionamento: De terça-feira a sexta-feira, das 10h às 18h. Sábado e domingo, das 10h às 14h. Praça Dom Frei Caetano Brandão, s/n. Cidade Velha. Fone (91) 4009-8821.

Catedral da Sé

É ponto de partida da procissão dominical do Círio de Nazaré, em outubro. Barroca no exterior e neoclássica por dentro, tem sua nave iluminada por 18 candelabros de ferro. Repare no órgão, que veio da França e foi restaurado em 1996, e nas pinturas do século 19.

Horário de funcionamento: Segunda das 14h às 20h30; terça a sexta-feira, das 7h30 às 12h e das 14h ás 20h30; sábado, das 7h30 às 10h e das 16h às 20h; domingo, das 6h30 às 12h e das 16h às 20h. Praça Frei Caetano Brandão. Cidade Velha. Fone (91) 3223-2362

Fotos: Silvio Oliveira

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