Café Pequeno com Síndrome de Perfeição…

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 Certa vez li uma entrevista da Malu Mader que reclamava da série de exigências impostas às mulheres nos últimos anos em função da imagem.

Todas temos de ser bonitas, magras, malhadas, simpáticas, pontuais e eficientes e, de quebra, boa esposa e mãe exemplar. 

Se é difícil para a Malu imagina para o resto de nós mulheres possíveis…

É como se depois de anos de conquistas voltássemos à estaca zero numa área tão sensível quanto a da aparência. 

Mas nesses narcísicos tempos a condescendência com  os homens também chegou ao fim, e já vemos muitos deles investindo na imagem pessoal com cremes anti- rugas, perfumes e depilação no que se convencionou chamar de universo metrosexual. 

Literalmente na esteira dessa nova ditadura da aparência surgiram os profissionais mais inusitados e impensáveis, tempos atrás, como “personal trainer”, “personal stylist”  “personal organizer” e consultores de toda a ordem, além de numerólogs, tarólogos, iridólogos e médicos especialistas em quase tudo, afinal é fundamental cuidar da saúde. 

Para além dos artistas surgiram as celebridades instantâneas e o mercado editorial explodiu com uma quantidade inimaginável de livros e manuais de auto ajuda, nas esferas  pessoal, profissional e espiritual… 

Além do que somos bombardeados por revistas com corpos sarados e sorrisos perfeitos, em casas maravilhosamente decoradas… fora os  N  programas  para todos os gostos nas TVs fechadas e aberta. 

Quanto a nós temos que ser perfeitos, ou pelo menos parecer que somos noite e dia, dia após dia, o tempo inteiro e só assim poderemos ser felizes. Ufa!!!!!!!!!!! 

São tantas as recomendações e os conselhos que o que sobra é um puta sentimento de incompetência e dívida, para não falar de frustração…

E esse é o ponto inquietante da questão. Se toda essa parafernália midiática estivesse a serviço do ser, ao invés do parecer ser, haveria alguma chance para nós.

Essa opção da humanidade pela aparência me assusta e desanima! 

Cada dia mais abandonamos a essência do ser e, nunca, uma época foi tão sacrificada por esse inatingível desejo de perfeição, e o modelo atual de sucesso contaminou a todos fazendo do viver, novamente, um espartilho difícil de envergar. 

A que ponto chegamos, ou melhor, retrocedemos !

 

Croa do Goré- SE -Foto Ana Libório

 

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