Cálculos eleitorais de Jackson e Belivaldo: abstenções os beneficiam

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“O jornalismo é o exercício diário da inteligência e a prática cotidiana do caráter.” Cláudio Abramo.

Decididamente a política não possui lógica cartesiana tampouco cálculos aritméticos. É este princípio que será adotado por Jackson Barreto e Belivaldo Chagas para tentar vencer seus adversários em 07 de outubro.

A dupla carrega os ônus de uma gestão desastrosa com rejeição acentuada e, principalmente, pelo que se convencionou de classe média. Esta parcela, em todos os levantamentos, manifesta alto índice de rejeição à classe politica e indisposição de votar no pleito deste ano.

Com tantas variáveis desfavoráveis, JB e Galeguinho preparam uma arriscada jogada: apostar na abstenção destes setores para lograrem êxitos nas suas respectivas eleições. Como avaliam que não terão estes votos, melhor que se abstenham do que escolham algum de seus adversários.

Jackson é mega habilidoso e por isto mesmo desde as últimas décadas do século XX vem sendo um animal político que sobrevive a lei do mais forte, e como atesta a Teoria da Evolução das Espécies de Charles Darwin, aqueles que melhor se adaptam ao meio têm maiores chances de sobrevivência do que os menos adaptados. Jackson é a prova deste teorema, se aplicado ao mundo político.

Ninguém tem uma longevidade na vida pública se não souber interpretar a realidade momentânea para em seguida fazer os prognósticos eleitorais. Jackson Barreto, gostem ou não, tem esta capacidade que o faz vencer o darwinismo político. Sua rouca voz agrada ou incomoda, a depender dos seus aliados por interesse, e se faz ouvir pelo elogio por conveniência e pela crítica letal. Sergipe sabe que JB sofre da incontinência partidária: muda de aliado em quadras estabelecidas.

Depois de chefiar um governo altamente contestado, o que lhe rendeu altos índices de rejeição por conta dos graves problemas que permitiu que se aprofundassem, e sair para facilitar que Belivaldo conseguisse ser melhor conhecido entre o eleitorado, ele desdisse o que havia dito e resolve candidatar-se a uma das duas vagas ao Senado.

E para recuar na decisão de se aposentar fez uma leitura que, a priori, parece infundada mas tem muita lógica: ele torce para que as abstenções sejam recorde para se apoiar nos votos da militância petista, dos familiares dos milhares de cargos em comissão e apadrinhados e de parcela da população mais carente de Sergipe a quem JB costuma visitas às vésperas das eleições para pedir voto. Esta receita foi decisiva e se mostrou eficiente em 2016 na disputa em Aracaju.

JB vem conseguindo, paulatinamente, consolidar seus intentos. Mesmo sem a caneta na mão, ordenou que Belivaldo usasse os últimos dias antes dos prazos determinados pela Justiça eleitoral, percorrendo o estado prometendo algumas poucas toneladas de asfalto a alguns prefeitos o que lhe rendeu os 15 minutos de fama. Embora disciplinado, Galeguinho não empolga e preocupa a cúpula palaciana. Mesmo assim para chegar ao segundo turno, após a debandada de aliados, precisa optar por se desvincular de Jackson ou pagar o preço pelo apoio de quem é rejeitado por quase 80% dos sergipanos.

Outra importante artimanha conseguida por Jackson foi o acordo com o PT, aprovado no Encontro Estadual do domingo passado, 29. Embora com a dissidência do grupo Articulação de Esquerda, o partido homologou a aliança, mas pode pagar um alto preço. Jackson deseja o empenho e o voto da militância vermelha, mas não cobra lealdade de seus aliados do interior para que votem em Rogério Carvalho na segunda opção para o Senado.

Pelo contrário, muitos prefeitos e lideranças, mesmo sendo da base aliada, não escondem que devem votar na dobradinha André Moura e JB. Ou seja, os inocentes úteis do PT, incluindo aí a direção do MST, das organizações estudantis, representações das minorias étnicas e de orientação sexual, despejarão votos em Belivaldo e Jackson imaginando que os aliados retribuirão votando em Rogério e nos candidatos do partido.

Ledo engano. As urnas mostrarão a verdade e o arrependimento será tardio.

Esta mistura de interesses pessoais pode acabar por prejudicar o despenho do PT nas eleições deste ano em Sergipe. Curiosamente, em 2014 foi justamente o agrupamento de Ana Lúcia, a quem a direção do PT fez ouvido de mercador no processo de acordo eleitoral, que conseguiu uma vaga na Assembleia Legislativa. Esclarecendo que o líder do Governo, Francisco Gualberto, herdou a vaga de Manoel Sukita e o controvertido episódio de sua candidatura.

Em suma, Jackson mira nesta parcela de votos e torce para que a classe média, os servidores públicos a quem maltratou com atrasos e parcelamentos de salários não compareçam às urnas e diminuam o potencial de votação de seus adversários. Neste caso, menos é mais. E assim JB tenta sedimentar sua ida aos tapetes azuis do Senado e, de quebra, eleger seu sucessor.

Nem que para isto ele ultrapasse as barreiras do imponderável, lutando para que o eleitor prefira se abster e fazendo alianças possíveis e imagináveis, formais e informais, com gente da esquerda e da direita.

 

Rogério a um passo do céu para desespero de alguns aliados Anote, caro leitor: Rogério está a um passo do ceú para sacramentar definitivamente sua candidatura ao Senado, para desespero de alguns aliados que o queriam fora da disputa. E quando chegar ao céu, Rogério voltará a ser o Rogério de sempre sem medo de dizer a verdade.

PRB, PSB e PT fortalecidos nas principais chapas majoritárias Depois de muitas conversas, reuniões e especulações nas três principais chapas majoritárias que disputam o governo e as duas vagas ao Senado, chama a atenção à coincidência: três partidos indicaram dois nomes em cada uma das chapas. O PRB indicou Heleno Silva e o vice, Ivan Leite, na chapa de Amorim, PSDB, que ainda tem André Moura, PSC. Na chapa encabeçada por Valadares Filho, além dele do PSB, tem o senador Valadares que disputará a reeleição ao Senado ao lado de Henri Clay, do PPL. E o vice é a deputada Silvia Fontes, do PDT. E na chapa de Belivaldo, PSD, tem dois petistas, a vice, Eliane Aquino, e Rogério Carvalho, que disputará o Senado ao lado de Jackson Barreto, do MDB.

Volney Leite na campanha suplementar do ano passado quando foi eleito ao lado do vice, Beto Caju (Foto Facebook)

Falecimento prefeito de Carmópolis O prefeito de Carmópolis, Volney Leite, 76 anos, faleceu ontem, 02, em Aracaju num hospital onde estava internado, com problemas graves de saúde. O ex-prefeito de Carmópolis, Theotônio Neto, pai do vice-prefeito, Beto Caju, bastante emocionado escreveu no Facebook:” Volney Leite Albes, Carmópolis, para sempre. Um amigo do peito não parte, não morre. De um grande homem não se esquece. Uma luta histórica não para, continua.” Diversas lideranças e autoridades manifestaram suas solidariedade à família através de notas de pesar. O velório está sendo realizado na residência da família no centro de Carmópolis. Hoje, 03, pela manhã, às 10h, será realizada uma missa de corpo presente na Igreja Nossa Senhora do Carmo e logo após o corpo será sepultado no cemitério local.

Defesa do nome de Déda somente quando é conveniente De início o blog deixa claro que repudia o que circulou nas redes sociais tentando denegrir os nomes de Marcelo Déda e Eliane Aquino com a utilização de recursos públicos quando o governador fazia tratamento contra o câncer. Não só repudia como é solidário a toda família.

Defesa do nome de Déda somente quando é conveniente II Porém um detalhe chamou a atenção ontem, 02, quando o governador Belivaldo Chagas concedeu entrevista na rádio FAN FM, ao radialista George Magalhães: a conveniência da defesa do nome de Déda quando se quer obter dividendos eleitorais. Belivaldo de forma muito enfática esbravejou, que nem ele, nem Eliane Aquino irão usar o nome de Déda na campanha, mas que os dois irão defender o nome Déda durante o período eleitoral.

Defesa do nome de Déda somente quando é conveniente III Então, a defesa de Marcelo Déda vai estar limitada a campanha ou quando partir de oposição, porque, recentemente, Jackson Barreto manchou a memória de Déda acusando de improbidade administrativa (utilização de recursos do Proinveste para fim diverso da destinação), e nem Belivaldo, e nem Eliane fizeram a sua defesa. Isso é lamentável.

Defesa do nome de Déda somente quando é conveniente IV “Todos sabem fazer história – mas só os grandes sabem escrevê-la.” Essa frase de Oscar Wilde vale para Belivaldo e Eliane. A história será cruel com os dois com essa conveniente omissão na defesa de Déda e a submissão a Jackson Barreto. Um fato lastimável para a memória de Deda. Ele não merecia isso.

 

Lagarto: prefeito Valmir Monteiro tem os bens tornados indisponíveis pela Justiça E o prefeito de Lagarto, Valmir Monteiro, PSC, sofreu novo revés na Justiça. Desta vez teve os bens tornados indisponíveis por conta do processo que envolve o matadouro do município e o repasse  da administração do espaço para um aliado político dele. Valmir teve os bens indisponíveis até o valor de R$ 1,3 milhão.

“Você usa o crucifixo, mas tem o diabo no corpo.” A frase foi do deputado Jairo de Glória proferida ontem, 02, na Alese se referindo ao colega de parlamento Moritos Matos. Quem assistia a sessão viu que Matos falou sobre os aliados do governo que estão debandando sem citar nomes. Após o discurso de Matos, Jairo foi a tribuna e quando viu que o colega estava deixando o plenário bradou: “volte e sente para ouvir meu discurso”. Matos obediente sentou para ouvir, mas não teve nem como se defender porque não teve apartes. Saiu esbravejando com a cruz no pescoço.

Procuradoria eleitoral vai analisar farsa do Centro de Nefrologia O promotor de Justiça Francisco Ferreira de Lima Junior encaminhou à procuradora regional eleitoral, Eunice Dantas, toda a documentação referente a apuração do Ministério Público Estadual sobre a farsa da inauguração do Centro de Nefrologia do HUSE – Hospital de Urgência de Sergipe. Matéria completa.

SMTT O vereador Zezinho do Bugio (PTB) usou a tribuna da Câmara Municipal de Aracaju (CMA) na quinta-feira, 2, para desabafar sobre o descaso da SMTT com algumas solicitações feitas recentemente. O discurso do parlamentar foi elogiado e acabou gerando até comentários dos colegas de “Fora Ari” sobre o superintendente Aristóteles Fernandes.

Porto da Folha: Ponte sobre o Rio Campos Novos está 60% executada O Governo de Sergipe, por meio da parceria entre Seinfra e o DER, prossegue célere na construção da ponte sobre o Rio Campos Novos, localizada na Rodovia SE-200, entre o Povoado Lagoa da Volta e a sede do município de Porto da Folha.

Investimentos Tendo investimentos de R$ 3.985.630,30 provenientes do Programa de Apoio ao Investimento dos Estados (Proinveste), a ponte que está sendo construída em concreto armado com guarda-rodas possui 88,98 metros de extensão, 11 metros de largura, 6 de altura no ponto máximo do vão central, passeio de pedestres e animais com 1,5 metro de largura e contribuirá significativamente para a mobilidade da região, uma vez que a antiga foi destruída por uma cheia ocorrida em janeiro de 2016.

Melhorias Para Valmor Barbosa, a obra trará incontáveis melhorias.“A construção dessa ponte não só trará alento para os moradores que se deslocam frequentemente para a sede municipal, como também para as dezenas de pessoas que trafegam com motocicletas e veículos, e ainda com animais de montaria. A estrada também é uma via importante para a passagem de gado na região e, mesmo sendo vicinal, é bastante utilizada pela população de Porto Folha e Monte Alegre, bem como serve de atalho para povoados importantes dos dois municípios”, frisa.

‏ Arnaldo Machado lança pré-candidatura à presidência da OAB/SE O Conselheiro Federal da OAB/SE, Arnaldo Machado, lançou ontem, 02, à noite, no Del Mar Hotel, pré-candidatura à presidência da Ordem. Defensor das prerrogativas dos advogados e advogadas, Arnaldo Machado foi o indicado como representante de um grupo heterogêneo de profissionais da advocacia sergipana que questiona a o retrocesso imposto à Ordem pela ausência de democratização, promessas do Plano de Gestão não cumpridas e o uso político da instituição.

Atuação Arnaldo Machado é advogado militante há 15 anos, especialista e mestre em Direito Processual Civil, professor efetivo do Curso de Direito da UFS há sete anos, após aprovação em primeiro lugar em concurso público de provas e títulos. Ex-subchefe do Departamento de Direito da UFS, atualmente é chefe do Departamento de Direito da UFS tendo sido eleito por unanimidade. Foi o idealizador, e hoje coordena o projeto de extensão do Memorial do Departamento de Direito da UFS, cujo objetivo é catalogar, preservar e divulgar a história do Curso de Direito da UFS. É ainda autor de monografias premiadas em concursos, diversos artigos e capítulos de livros jurídicos.

Atuação II Atuou como professor colaborador na Escola Superior do Ministério Público de Sergipe (ESMP) e na Escola Superior da Advocacia (ESA/SE). Ex-Conselheiro Seccional suplente, Ex-Conselheiro Seccional titular e desde 2016 está Conselheiro Federal Titular da Ordem dos Advogados do Brasil-seccional Sergipe. Na condição de representante da OAB/SE, participou da comissão julgadora dos últimos concursos para a Magistratura Estadual e Notários/Registradores do TJSE.                                                                                               

“O Futuro da Humanidade” Os alunos da Turma 104 de Medicina, da Universidade Federal de Sergipe (UFS), subirão ao palco do Teatro Atheneu na próxima terça-feira, 7, para encenar a peça “O Futuro da Humanidade”, uma adaptação teatral da obra de Augusto Cury. O espetáculo, que ocorrerá às 19h, será aberto ao público e o ingresso será 1kg de alimento não-perecível.

Objetivo Idealizado pelo médico e professor José Aderval Aragão, o projeto tem o objetivo de promover, através da arte, um momento de descontração e relaxamento entre os estudantes. Além de ajudar instituições filantrópicas com a doação dos alimentos que serão arrecadados com a apresentação teatral.

Festival da Canção Francesa Aracaju se prepara para sediar, pela primeira vez, a etapa regional Nordeste do Festival da Canção Francesa que vai ocorrer no dia 21 de outubro. As inscrições terminam no dia 14 deste mês de agosto. Portanto, se você gosta de cantar e interpretar ainda há tempo de participar desse concurso cultural, que todos os anos revela novos talentos na música. Os selecionados nessa fase regional seguem para a grande final marcada para o dia 7 de novembro, em São Paulo. O vencedor ganha uma viagem a Paris com direito a acompanhante.

Inscrições As inscrições são gratuitas e abertas a cantores profissionais e amadores. No ato da inscrição, o candidato deverá entregar o link da gravação da canção interpretada, em formato digital de vídeo, sem cortes e sem edição. A etapa regional na capital sergipana é promovida pela Aliança Francesa de Aracaju que este ano conta com o apoio da Prefeitura de Aracaju, por meio da Funcaju; da Universidade Federal de Sergipe e Governo do Estado, por meio da Secretaria da Cultura e Fundação Aperipê. Mais informações sobre o Festival da Canção Francesa.

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FÓRUM SERGIPANO DAS RELIGIÕES DE MATRIZ AFRICANA

O ABATE DE ANIMAIS NAS RELIGIÕES DOS POVOS TRADICIONAIS DE MATRIZ AFRICANA E O JULGAMENTO DA LEI 494.601 NO STF DIA 09 DE AGOSTO DE 2018.

Irivan de Assis
Pejigan
Graduado em Pedagogia
Pós Graduando em História

Os Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana são grupos que se organizam a partir dos valores civilizatórios e da cosmovisão trazidos para o país por africanos para cá transladados durante o sistema escravista, o que possibilitou um continuo civilizatório africano no Brasil, constituindo territórios próprios caracterizados pela vivência comunitária, pelo acolhimento e pela prestação de serviços à comunidade. (I Plano Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos Tradicionais de Matriz Africana, SEPPIR, 2013).

Nesta concepção, as comunidades tradicionais de matriz africana, espaços de prática das religiões de matriz africana, estão incluídas entre os povos e comunidades tradicionais do país, mas não se constituem apenas como locais de culto religioso. São também instrumentos de preservação das tradições ancestrais africanas, de luta contra o preconceito e de combate à desigualdade social, visto que desenvolvem ações sociais no seu entorno, dentre as quais, atividades relacionadas à segurança alimentar e nutricional da comunidade geograficamente constituída. São, portanto, espaços de acolhimento e prestação de serviços sociais a grupos e pessoas que vivenciam situações de vulnerabilidade, visto que tais comunidades, em sua maioria, estão localizadas em áreas de vulnerabilidade social.

É nesse contexto que no próximo dia 09 de agosto de 2018, o Supremo Tribunal Federal (STF) realiza em Brasília o julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 494601. Datado de 29 de setembro de 2006 e com relatoria do Ministro Marco Aurélio Mello, o RE foi apresentado pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul contra a decisão do Tribunal de Justiça do Estado (TJ-RS), que validou a constitucionalidade por meio de uma lei o abate de animais em rituais religiosos. Ou seja, o julgamento no Supremo Tribunal Federal – STF, sobre abate religioso de animais, nasceu de uma vitória das religiões de matriz africana obtida em 2004 no Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul. Inconformado com esta vitória, o Ministério Público gaúcho ingressou com recurso no STF, que será julgado no próximo mês.

Desta forma, diversas entidades do Brasil têm acompanhado de forma permanente esse processo que diz respeito à resistência cultural e liberdade de culto de um povo. E desde o ano passado representantes da Comissão dos Terreiros Tombados da Bahia, entidades e lideranças religiosas e da sociedade civil de todo Brasil se reuniu com a Presidente do STF, Carmem Lúcia. Na oportunidade foi entregue a Ministra do STF, um parecer e um memorial com informações históricas, legais e culturais no mundo inteiro relacionado ao abate de animais.

Nessa caminhada que vem desde 2004 o Dr. Hédio Silva Júnior vem atuando neste processo e, mais recentemente, também passaram atuar os advogados Dr. Antônio Basílio Filho e Dr. Jáder Freire de Macedo Júnior. Nas audiências no STF foram apresentados os argumentos jurídicos que embasaram as vitórias das religiões afro-brasileiras no Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul e também no Judiciário paulista, que recentemente julgou inconstitucional uma lei do município de Cotia que punia o abate religioso de animais. Além disso, foi elaborado um parecer jurídico subscrito pelos advogados, contendo legislação brasileira, legislação europeia, jurisprudência da Suprema Corte norte americana e de tribunais europeus, todos sobre o abate religioso de animais.

É importante salientar que a proibição do abate de animais para fins religiosos trata-se de um ataque a Constituição da República do Brasil o que se configura como preconceito e racismo religioso contra um segmento étnico da sociedade brasileira. Assim o abate de animais dentro dos cultos de matriz africana não fere a Declaração Universal dos Direitos dos Animais. Além disso, diversas religiões praticam o procedimento de abate religioso de animais, e, no entanto não são alvos de perseguições legais.

Destacamos aqui que os terreiros são focos de congregação e rearticulação de uma vasta gama de saberes científicos, tecnológicos, artísticos, artesanais, políticos, econômicos e espirituais dos povos africanos escravizados no Brasil. Sempre dentro de uma perspectiva universalista, inclusiva, agregadora e aberta, os terreiros combinam para sua preservação tradições religiosas afro brasileiras, os saberes tradicionais africanos, os saberes tradicionais indígenas e europeus, gerando ao longo dos tempos, um modo de vida em que há lugar, abrigo, comida, ocupação, trabalho e respeitos para todos e todas. Simplesmente por que todos serem humanos têm um Ori (cabeça) e todo Orí tem seus Orixás de guia. Todos e todas têm Orixá, ou Vodum, ou Inquice, ou qualquer outro tipo de entidade. Todas as entidades devem ser reverenciadas e todas as entidades exigem oferendas e demandam símbolos e objetos que sejam suporte do contato humano com elas.

Para estabelecer a ordem cósmica e fortalecer o Ori é indispensável os alimentos – frutas, doces, pratos preparados, pratos frios, pratos quentes, pratos cozidos, pratos crus, condimentos, é preciso roupas, vestes especiais, esteiras, braceletes, panos de cabeça, enfeites que não se compram, mas que são feitos a mão. Para fortalecer e celebrar os Orixás e seus equivalentes, é preciso tudo que o Ori exige mais sangue vivo de animais sádios, em uma tipologia extremamente variada que não pode ser atendida pela pecuária de grande escala, porém que depende de um circuito de produtores de pequena escala, é preciso também uma variedade ainda maior de comida, conformando um dos saberes mais complexos do país.

É por demais significativos relatar que o abate de animais é inerente ao direito fundamental à alimentação desses povos e, portanto, só o fato do STF acatar uma adin dessa magnitude e colocar em julgamento nos leva a acreditar que vivemos um Estado de Exceção e é um ataque ao Estado Democrático de Direito, por entendermos que essa matéria é pacificada nos diverso marcos legais do nosso país e confirmada e consolidada em tratados internacionais pelo Brasil. Sendo assim, a posição do Supremo Tribunal Federal em levar adiante esse julgamento sobre o abate de animais é uma afronta aos Pactos Internacionais feitos pelo Estado Brasileiro, o que só reforça o quanto os direitos dos povos de matriz africana são violados pelo Estado Brasileiro.

Para entender melhor o que chamamos de racismo religioso cujo Estado Brasileiro se cala ou é participe dessa atrocidade contra os Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana e de Terreiros podemos afirmar que os Judeus, os Mulçumanos e as Religiões de Matriz Africana realizam o abate de animais da mesma forma e com o mesmo objetivo é tornar o alimento sagrado para consumo dos seus adeptos, de acordo com suas liturgias. No entanto, o que observamos no julgamento da Adin é de criminalizar apenas o abate realizado nos Terreiros. Isso caracteriza preconceito e intolerância religiosa aos cultos afro brasileiro e uma violação ao direito humano a alimentação adequada que está prevista no artigo 25 da Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948.

Segundo Rodrigues, analisando os inúmeros documentos que desaprovam o abate de animais nos terreiros – sim, eles são muitos e pululam na internet! Não é difícil identificar o aparato racista e de ódio religioso que os estruturam. Mais ainda, é possível identificar que os argumentos dos que condenam as práticas alimentares nos terreiros estão pautados pelo fundamentalismo cristão – que, aliás, tem desgraçado grande parte dos nossos direitos e emburrecido uma parte considerável da sociedade.

Continua Rodrigues, um dos maiores exportadores e consumidores de carne no mundo que proibir o abate? O Brasil é o segundo produtor mundial de carne bovina com 211,764 milhões de cabeças em 2013 e a exportação de 1.565.308 toneladas em 2014 (Gonçalves e Salotti-Souza, 2017). Segundo a Informa Economics (FNP), em reportagem publicada pela Folha de São Paulo, o consumo per capta do brasileiro, em 2010, chegou a 94 quilos de carne – considerando as carnes bovina, suína e a de frango.

Nesse contexto, dar-se a entender que estamos tratando exclusivamente da liberdade religiosa, mas essa matéria vai além da luta por liberdade religiosa, ela se fundamenta no desrespeito e no racismo que tem a clara intenção de criminalizar uma prática cultural e ancestral proveniente dos povos negros escravizados no Brasil. Com isso, afirmamos que esse debate não se limita a religiosidade étnica, mas sim a história da cultura e da cosmovisão de mundo de um Povo, que ao longo de 500 anos de escravidão tem sua cultura vilipendiada, criminalizada, demonizada e discriminada. Para os Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana e de Terreiros esse debate supera a ideia de um simples sacrifício de animal, e sim se constitui numa forma tradicional e cultural desses povos se alimentarem, como garante todas as legislações internacionais das quais o Brasil é signatário.

“Não vamos debater sob a luz de nossas convicções religiosas… Para fora do debate religioso, trata-se de Segurança Alimentar e Nutricional dos Povos Tradicionais de Matriz Africana. Religião é de confissão pessoal, de foro íntimo. Quem não pertence a tal não tem o direito de querer discutir sobre, pois desconhece/ignora a fundamentação conceitual de tais atos. Só cabe o respeito à diversidade cultural e religiosa, garantido na Constituição Federal”.

A expansão do capitalismo no Brasil tem afetado o desenvolvimento de diversos povos e tem homogeneizado as suas diversas culturas. Isso tem reflexo em uma eterna luta de classes desse país, de um lado um sistema opressor, segregacionista, consumista e individualista, que tem no seu horizonte a manutenção de uma indústria do comércio de alimentos e seus grandes produtores vendendo carne com veneno. Do outro um povo descendente de África vitima do racismo e das desigualdades, com sua visão de mundo trazida pela travessia do atlântico na condição de escravizados que hoje oferece ao povo brasileiro uma esperança para a crise que se abate sobre a sociedade apresentando uma organização comunitária e coletiva através da sabedoria ancestral, a utilização equilibrada dos recursos naturais, de respeito aos mais velhos, do compromisso com os mais novos, de uma alimentação adequada e compartilhada com o sagrado, com o respeito a todo ser vivo e inanimado e que compreende este sagrado como tudo que existe.

Portanto, o Fórum Sergipano das Religiões de Matriz Africana se soma a todos os Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana e de Terreiros do Brasil em nossa luta pelo reconhecimento legal de nossos ritos sagrados. Os povos de terreiro apresentam um forte envolvimento com a natureza e com a preservação do meio ambiente. A proibição do sacrifício tem sim sido mais usada como manifestação de intolerância religiosa e racismo, perseguindo-se as crenças de matriz africana, do que como uma preocupação real com os animais.

Muito Axé e Paz
Pejigan
Irivan de Assis

Referência:

Alimento: Direito Sagrado – Brasília/2011
www.google: esclarecimento do Dr. Hédio Silva
www.google: Proibir a alimentação nos Terreiros é crime: Rosiane Rodrigues
Texto de Andréa Basílio Fonsanpotma de Rio Grande.

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Frase do Dia
“Tendo o príncipe necessidade de saber usar bem a natureza do animal, deve escolher a raposa e o leão, pois o leão não sabe se defender das armadilhas e a raposa não sabe se defender da força bruta dos lobos. Portanto é preciso ser raposa, para conhecer as armadilhas e leão, para aterrorizar os lobos.” Maquiavel.

 

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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