Candidatos para muitos gostos

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Durante esta última semana de julho e início de agosto acontecem as convenções partidárias objetivando a definição das candidaturas políticas ao próximo pleito eleitoral.

Iremos, mais uma vez, escolher o Presidente e o Vice-Presidente da República, os Governadores e Vices, dois Senadores por Estado, e por aqui, em Sergipe, oito Deputados Federais e vinte e quatro estaduais, números excessivos que bem podiam ser menores se prevalecesse um percentual proporcional mais honesto e justo, em que se nivelasse uma melhor métrica, segundo o princípio: “one person, one vote”.

Como assim não acontece, o eleitorado dos Estados menos populosos como o nosso vale bem mais que o de São Paulo, por exemplo.

Infelizmente, nem mesmo com tal abissal excrescência, nossos políticos não conseguem garimpar prestígio para concluir, pelo menos, a duplicação da nossa principal estrada, a BR101, cem quilômetros de Aracaju para cima, outros cem para baixo, com seus esforços sendo abafados além do São Francisco e Piaui-Real.

Isso há trinta anos, quase cinquenta, porque a nossa grande obra federal vem dos anos 70, no tempo “horrível da ditadura militar”, quando se construiu e inaugurou a ponte rodoferroviária Propriá-Colégio, que deveria possuir um módulo elevatório que permitisse a navegação de barcos pelo rio.

Por baixo da ponte, não sei se algum navio já requisitou o levantamento deste módulo levadiço, ou se o mesmo chegou realmente a ser construído.

Quanto aos trens, quando passavam, interrompiam o trânsito dos carros, ônibus e caminhões, porque a ferrovia avançava lateralmente sobre as vias rodoviárias, nada que naquele tempo causasse transtorno, afinal o tráfego era bastante moderado.

Transtorno mesmo era a travessia via balsa que não se fazia ali, mas em Neópolis – Penedo, que ainda continua, para quem deseja percorrer as estradas litorâneas de Alagoas, ver os magníficos coqueirais em Coruripe, e o belo azul do mar na Barra do Rio São Miguel.

Pois bem! Daquele tempo para cá, Sergipe esteve apoiando todos os ocupantes do Palácio do Planalto, ilegítimos ou legitimados, sem preferência de sigla, corrente ou ideologia, com a estrada jamais duplicada, virando uma obra tão longeva por inconclusa, uma anciã caquética, quase decrépita, a testemunhar descrédito da força e pujança da nossa sergipanidade em desvalia.

Desacreditados ficam todos que por ali trafegam, em perigo de bólidos desembestados disputando a estreiteza da via, e aquela bem maior de nossos congressistas exibindo-se inúteis e se eximindo de melhor serventia.

Mas, para que melhorar-lhes a serventia, se o comum é a permanência em mandatos renovados e aprovados a cada biênio, quatriênio ou octênio, palavra esquisita e sinistra não fosse tão comum e usual, quão despercebida no eleitoral, suscitando a vil permanência com direito a piorar em espólio hereditário?

Ou seja: este país não tem jeito; tem tudo para piorar, ficando assim ou desigual.

Mas, não é disso que quero falar. Isso é um assunto perigoso demais para envidar esforço e merecer escorço.

Quero falar dos candidatos a Presidente da República apresentados por trinta e cinco agremiações políticas, salvo engano.

Falarei de alguns, porque é difícil falar de todos, ou daqueles que tem alguma chance.

Citemos alguns: Amoedo, do partido novo, está marcando espaço com uma pregação capitalista, norteada na tese do estado mínimo, tão recusada aqui como rejeitada mundo afora, defendendo um liberalismo econômico gestado no primeiro tear, em gorgolejos de fumaça e vapor, incompatível com a sociedade moderna e as boas relações capital e trabalho.

Trabalha este discurso novo com a não novidade de pregar a privatização das estatais, colocando a Petrobrás em mira primeira, num acerto cada vez geral, quase unânime e irrestrito, explicitando, porém, agora em novilíngua, um compromisso moral de rejeitar o aproprio, bem ou mal, das finanças públicas, jurando por premissas de própria missa, remunerar suas campanhas mediante contribuições exclusivas de admiradores e simpatizantes, que estima adquirir com belas palavras, pertinácia luta e um plano em longo prazo destinado ao futuro

Colocado assim, vê-se que o candidato Amoedo, disputará os últimos lugares com os veteranos Levy Fidélix, José Maria Eymael, a Professora Vera Lúcia, e outros bem mais desconhecidos; todos com tempos exíguos na propaganda do radio e TV, um bom gosto entre aceites e afeites, aí incluído até o Senador Álvaro Dias entre tantos nanicos.

Nanismos e enfeites à parte, poder-se-á dizer que melhor discurso repetirá Marina Silva em pregação necessária de conscientização ecológica, dialogando com a sonhadora missão de tentar parar o mundo e a civilização.

Vejo-a, enquanto discurso terno e compreensivo sem igual, uma inoculação seminal de perigosa vanguarda do atraso, afago de iluminados e anacoretas, a inspirar santos, tolos e Savonarolas radicais, demonizando a modernidade, a competitividade, a eficiência da produção, ousando manusear e construir uma ética própria, de modo a controlar, quem pode dizer o contrário?, a própria pesquisa científica, parar o mundo, e a necessária destruição criativa.

Mas, como repelir o portador de pé-de-atleta, ou o porco que lhe ataca a pata, se há nesta rede de muitos baiacus e poucos peixes, tantos que veem entre os próprios artelhos, exemplar destrambelho de audaz espelho, por especial conservação, em fragrâncias de cheirume, melhor aroma e comichão?

Coceiras e urticárias gerais à parte, agora em outra via, há muitos que se exasperam com a desagregação da família, da moral e da ética.

Para estes o candidato Jair Bolsonaro é o novo mito. Aquele que vem preferido nas sondagens de preferência.

O Mito, todavia, não é o mito da classe ilustrada e pensante, aquela que acredita liderar e bem formar opiniões, mas cujos liderados e seguidores não lotam um micro-ônibus.

Sua algaravia vem preferida pelos setores ruidosos e odientos deste país.

Ele quer armar o povo, uma promessa que me dará direito, ó que suprema vantagem!, poder comprar, possuir e utilizar uma garrucha ou parabelo, virar cowboy, quem o sabe; morrer no trailer, corajoso talvez.

Despreparos em excessos apresentados, o Mito alimenta cantos hipnóticos de sereia, prometendo nos defender do menor infrator reduzindo-lhe a menoridade penal, extinguir o criminoso cruel ampliando o punitivismo mediante pena de morte ou reclusão perpétua, tresloucadamente enveredando por discussões pouco generosas de gênero, chegando a conciliar chicote com cura-gays, e tantos outros disparates em disparos de EnolaGays, coisas que tem recebido um vasto e perigoso afago popular a conferir, mas que tem sido, por pior, no meu entender, mantido afastado da discussão geral.

Como a democracia pressupõe a livre escolha das ideias, o candidato Mito é uma coisa nova; alguém que se enuncia diferente: algo novo.

Não que o novo seja bom. O novo pode ser pior. Mas, como novo, merece o bom debate, mesmo com o tempo eleitoral televisivo sem qualquer significação.

Deixando eventuais Torquemadas e Savonarolas explicitados, encobertos ou mal escondidos, falarei agora de Alkmin e Meirelles, os candidatos do centro, afagados pelo “centrão”, aquele “marais” da Revolução Francesa, pantanoso e pegajoso, tão lodoso quão perigoso pela corrupção.

Grupo cuja ideologia envolve enorme estuário de paixões servindo sem compaixão, decência e até condescendência, para degolar clero e nobreza, girondinos ternos e jacobinos ásperos, a serviço geral cabotino, porque sempre refaz melhor apoio por ser “tutti buona gente”.

Tão boa gente que conferem o melhor apoio em excedente tempo de TV para deixar tudo como está, afinal como diria “Il gattopardo”, é preciso que tudo muda para restar igual.

Dizendo assim, acrescerei também que Alkmin e Meirelles são excelente nomes; o que estraga é a companhia.

Desacompanhado e sozinho resta Ciro Gomes. Vem apenas com o melhor discurso e a melhor história pregressa.

Mas de que adianta ter boa história, se o “que foi não é nada e lembrar não é ser”, como diria o poeta, não vendo seu voo de ave; uma águia talvez.

A imprensa, a grande imprensa, condena-o por não ter papas na língua; chamar de “filadaputa”, o imerecido que se faz desmerecido, não por gentileza, mas só por gênero, exclusivo.

Se o povo repete igual, chamar alguém de filho da puta, desmerece mais ou menos o direto objeto por gênero, assestando certeiramente o indireto objeto do ataque, só a sua mãe culpada por ser só e somente, uma amada genitora?

E aí eu me lembro do educado Maracanã saudando a então presidente Dilma Rousseff na solenidade de inauguração da Copa de 2016. Só para dizer que há mulheres e mulheres até no samba de Martinho da Vila e a galera quando quer, pode tudo.

Ciro Gomes no meu julgar é o candidato que pelo discurso em debate se apresenta como o de melhor preparo para a função pretendida.

Mas, como diz uma amiga minha mais exigente quanto à fugacidade dos discursos em exibição e conteúdo: “Preparado, por preparado, creolina é um bom preparado!”

Preparos e piadas ao léu, Ciro Gomes está execrado ao beleléu, por xingar mal e ruim, e por dizer em outra campanha, ó coisa micuim!, que enquanto Presidente da República iria só querer dormir “um sonim”, com a mulher dele, que naquele momento era a bela artista Patrícia Pilar.

Há uma piada de inspiração Menckeniana, que fala dos presidentes americanos.

Segundo os insultos daquele jornalista, os Presidentes teimam em fazer com o povo aquilo que não conseguem com as suas mulheres.

Henry Louis Mencken utiliza por grosseiro gracejo um verbo subentendendo os jogos de amor de um casal, como algo violado, indesejado, espoliado, a mulher sofrendo sem viver alegrias nem felicidade.

Não é verdade! Infelizes são os homens e mulheres que não se preenchem nem se completam.

Neste particular, o candidato Ciro não me preenche, mesmo com seu discurso competente e encantador, porque eu não admiro aqueles que se dissolvem em múltiplas relações em suas juras de carinho.

Candidato que vive trocando de mulher não perfaz o meu agrado. É minha queixa dele. Só isso! Mas isso não lhe tira votos.

Para terminar, falarei do candidato preferido do eleitorado; Luiz Inácio Lula da Silva.

Não será candidato. Não irão deixar.

“O povo que se lasque!” Dir-me-ão muitos em baba hidrófoba pegajosa.

Para estes, por desafio aos institutos Butantãs, Brasil afora, não há imunização antirrábica, antiofídica ou contra animais tão perniciosos por peçonhentos.

Porque no Lula já estão inoculadas as cicatrizes de destroços cerbéreos e picadas de naja, como se fora o pior marginal, já condenado a pena capital.

Se o Jararaca ainda não morreu, Deus bem o sabe e conserva, afinal quem igual a ele neste país, esgrime melhor a fé, a coragem e o bom combate?

E o pior do pior, é que o tempo passa e o tempo voa, e o canto marginal ressoa, santificando-lhe o nome, sem ser algo ruim ou coisa atoa.

Antolhos e maus encolhos repelidos, creio que falei de todos os candidatos, ou dos quantos que eu quis, pelo menos.

Se não foi de melhor agrado; paciência!

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