Capenga na origem

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Tinha tudo pra dar certo! Uma obra de grande alcance histórico, ao destacar os “memoráveis sergipanos de ontem, hoje e de sempre”, um projeto idealizado e concretizado parcialmente pelo saudoso intelectual Luiz Antônio Barreto, graças ao patrocínio cultural da Unicred Aracaju, uma cooperativa de crédito formada inicialmente por médicos como braço econômico da Unimed. No lançamento, em 2011, um Luiz Antonio empolgado e feliz, já dizia: " Memoráveis são os sergipanos que vivem para realizar. Não contam histórias, são a própria história, incorporada à nossa, em todos os setores…nomes que representam com louvor os muitos não citados, de forma alguma esquecidos. São o nosso presente, passado e futuro. Memoráveis sergipanos que não se deixam apagar. Atuais. Atemporais".
A intelectualidade sergipana, de “fraque e cartola”, compareceu à época na sede da Unicred, recém-chegada na Av. Francisco Porto, vestida com a sua melhor roupa para receber os convidados e a família do saudoso Antônio Garcia Filho, escolhida por Luiz Antônio e os diretores da empresa para solenemente inaugurar, naquele momento, o projeto “Memoráveis”, uma brilhante iniciativa para a preservação da memória cultural de Sergipe. Palmas! Luzes verdes iluminavam a engalanada fachada da nossa primeira cooperativa de crédito. Naquela noite gloriosa iniciava- se a série de homenagens a ilustres sergipanos, um total de doze personalidades, a saber: Antônio Garcia, Augusto Leite, Cândido Aragonez de Faria, Carvalho Neto, Lauro Porto, João de Andrade Garcez, José Machado de Souza, Osvaldo Leite, Rodrigues Dória, Felisbello Freire, Maria Thétis Nunes e Ofenísia Freire. Pessoas escolhidas com muito critério por Luiz Antônio Barreto. Com o engajamento posterior da TV Sergipe no projeto, spots de um minuto sobre cada homenageado passaram a ser veiculados pela emissora espalhados na sua grade de programação, num belo trabalho da Agência Conceito. Infelizmente, nessa primeira etapa, não foram feitos registros biográficos impressos dessas homenagens.
Com o desaparecimento físico de Luiz Antônio Barreto, a UNICRED,  não parou o projeto, convidando o médico e escritor Marcelo Ribeiro para dar sequencia à iniciativa de Barreto, só que desta vez publicando pequenos opúsculos com traços biográficos de 4 a 6 personalidades por volume. Um nome inquestionavelmente credenciado para a tarefa, não só pela sua bagagem intelectual, mas principalmente pela dedicação que empregou à tarefa, produzindo um sem número de alentadas biografias.
Dos voláteis spots de TV e dos não menos fugazes coquetéis de lançamento, o projeto “Memoráveis” migrou para conteúdo impresso, enfocando coletivamente importantes personalidades da vida sergipana: médicos, juristas, poetas, escritores, músicos e outros grandes empreendedores, gravando assim para a posteridade suas vidas e suas obras.
Palmas mais uma vez!
Agora, como parte das comemorações dos seus 20 anos de fundação, a UNICRED, agora denominada SICREDI, ao se incorporar ao grande sistema nacional de cooperativas de crédito, resolve publicar num só volume, em obra ricamente ilustrada, em capa dura, numa edição monumental, as biografias de todos os memoráveis marcando definitivamente para a posteridade suas ilustres biografias.
Marcaria, melhor dizendo. Qual  não foi a minha surpresa ao verificar, na obra que será lançada nesta quinta-feira, 22 de fevereiro, a exclusão justamente das doze personalidades já citadas que integraram a primeira lista de homenageados.
Não gostaria de entrar no mérito desse deslize monumental. O fato é que qualquer justificativa para tal omissão, a meu ver, por mais boa vontade de querer explicar, não se sustenta de pé por três minutos. A obra chega, infelizmente, enviesada, capenga na origem, mutilada pela ausência de doze vates.

Por certo, onde estiver, Luiz Antônio Barreto não estará feliz com isso, vendo seus "memoráveis" apagados da história.

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