Conheço Mulheres.

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Não, nunca tive mulheres como canta Martinho da Vila.

Conheço, todavia, muitas mulheres. Mulheres dignas, responsáveis, competentes e belas. Muito belas!

Não direi como um outro poeta em sua frase festejada, embora para mim fosse um disparate debochado; uma chacota picaresca de quem se quer boêmio e conquistador: “Que me perdoem as feias, mas beleza é fundamental”.

Contudo, quando tal zombaria foi lançada, a mulherada amou.

Nenhuma se sentiu alvejada. O poeta era, por demais, inteligente e charmoso. Até musicalmente mavioso. E carioca!

No mesmo tom, em corolário cerebral protozoário o “Mito” largou o grito: “Você não merece ser estuprada!” 

Donde se conclui que neste pensar parasitário, há mulheres que merecem e outras nem tanto; ser estupradas. Um pensar salafrário, mas que restou muito aplaudido por farto universo picaresco, por ordinário.

Dir-se-á que não foi tanto assim, afinal, por isso, por causa disso ou por submissão às raivosas patrulhas, o Deputado restou processado, o que lhe deu crescente apoio no ibope.

Picardias à parte, sem acusar ofender ou defender o escarro asqueroso ao léu, quem estrilou mesmo foi este grupo pequeno, mas venenoso, que fulmina a todos do não seu agrado. Gente desprovida de humor, sensibilidade maliciosa, sensitividade de “malissa”, planta dormideira de espinho curtinho, mas terrivelmente incômodo.

Sem qualquer incômodo denunciado, na “Paulicéia Desvairada, nenhuma menina paulistana se sentiu ofendida quando outro poeta, desta vez um baiano, mas cancioneiro também, cantara para sempre, que as garotas dali exibiam uma “deselegância discreta”.

Eis o poder da palavra quando é possível suaviza-la, adocicando o fel e a ferroada.

Ninguém questionou se havia uma indiscreta petulância de um, nem uma enrustida inapetência do outro.

As duas frases foram imortalizadas como geniais. “Não é que é mesmo!”, disseram muitos debochados sobre o tema.

Valia para sempre como genialidade e descoberta?

E em tanta aceitação risonha e franca, muitos despertos indiscretos não se perguntaram: “Não é que aquelas meninas são desajeitadas mesmo?”

“Não é verdade também que as garotas feias são carentes do fundamental, o “sexapil”, ou o “sex appeal”, como diriam os norte americanos?”

Ou então no picaresco, sem refresco: “Ou és gostosa, ou nada vales!”

E por via inconsequente e desastrosa. “Não mereces ser estuprada!”

Inclusive com direito a rever audiovisual gratuito para infirmar via Youtube.

O tema me vem como consequência das reportagens de carnaval.

Nunca é suficiente a excessiva exibição de nudez feminina, com seios à mostra, propositada ou distraidamente, bundas escancaradas e tapas-sexo a desafiar agarro de cola e tinta, e até a própria lei da gravidade.

Seria cunho ou cunha?

Um contraprotesto testemunhal a enaltecer a substancial atração feminina, e consubstanciar definitivamente por veraz e verdadeiro, o objeto único de melhor almejo; do picareta, que assim propaga, do proxeneta que dele se paga, do cidadão prestante, santificado e penitente, e do anacoreta asceta que até o diabo atenta.

O diabo, ai o diabo! O cão atenta na triangular intenção, no desejo sem consumação, e sobretudo no desafogo sem pejo nem responsabilidade.

E o rebolado lascivo, bamboleia seu balanço, sem uivo nem cio, só para bulício de fluidos e fragrâncias, primícias de reentrâncias exibidas, divinas promessas a serem recolhidas.

Não! Não houve reclames “me too#”, nem vestes negras.

Estaria o auditório referendando tal disponibilidade oferecida; uma espécie de “eat me fast#” desejado, por rápido e ligeiro, na própria festa sem demora”?

No entanto ser mulher não é isso!

Pelo menos não é assim a comum mulher de meu agrado.

Ela é bela só por ser mulher.

É firme, é forte, é guerreira, só para repetir tal fortaleza em tantas batalhas vencidas

É lutadora, leonina protetora de sua prole, protetiva até de seu homem, este ser frágil, vigoroso, impulsivo e imperfeito, o único ser de seu complemento, nunca a ser dividido nem compartido.

Para este,e só para ele, são reservadas as primícias de sua felicidade por complemento recíproco.

Conheço mulheres assim. Muitas! A maioria.

Elas não precisam de exibições de avenida de úberes e glúteos; nem tapa-sexos de cunha ou de tinta para externar sua feminilidade.

Sua tinta, suas formas e seu cheiro inebriam o ser amado.

Em minhas inúmeras alegrias, com folias e sem desnecessárias orgias, ouso dizer por melhor encanto em profecia: Feliz do homem que a possui assim.

O resto é uma beleza falsificada mal exposta e mal servida.  Sou, portanto; “um chato!”

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