Cristina Baumgarten – Federação Nacional de Guias de Turismo

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No Cadastro do Ministério do Turismo observa-se que cerca de 7 mil profissionais são prestadores de serviços do turismo, mas sabe-se que formados em Guia de Turismo são cerca de 18 mil profissionais no Brasil.

Se analisados as estimativas da Federação Nacional de Guias de Turismo, de 10 mil a 12 mil profissionais trabalham como guia na atualidade, ou seja, mais de 4 mil podem ter curso de formação, por conseguinte, exercem a função sem cadastrado no Ministério do Turismo.

Para a diretora da Federação, um dos desafios é fazer com que os órgãos competentes aumentem a fiscalização de profissionais sem formação que trabalham como guia, os denominados “piratas” do turismo.

No dia 15 de junho a Federação Nacional de Guias de Turismo realizará assembleia para definir a nova diretoria. Tudo indica que a presidente do Sindicato dos Guias de Turismo de Sergipe, Irma Karla, deverá ser conduzida ao cargo nacional. Induzir a fiscalização poderá ser o seu primeiro desafio. Veja entrevista completa com a presidente da Federação Nacional de Guias de Turismo antes de passar o cargo.

Como está a profissão de guia de turismo no país em que se refere à regulamentação?

Somos a única profissão regulamentada no setor do turismo. Nossa legislação é anterior a Lei do Turismo e desde  1993 que, de uma certa forma, a regulamentação nos protege e nos dar subsídio para todas as ações. É extremamente positivo. Temos cursos estruturados para essa formação de guia de turismo, mas por outro lado há uma carência, por exemplo, da ação do governo no sentindo de fiscalizar essa atividade. Uma carência de apoio por parte do Governo Federal no sentindo de qualificar esses profissionais que estão no mercado.

Fala-se em economia do turismo. Os poderes públicos observam o turismo como um gerador de economias?

Acredito que poucos governos analisam o turismo economicamente. Existem exceções e tentativas de enxergar o turismo como negócio, mas ainda não tomou as proporções que deveria ter. O turismo ainda não é encarado como tal, apesar dos esforços. Não surtiu o efeito econômico que deveria ter. De forma leiga, pois entendo de turismo e não de economia, acho que falta o posicionamento do empresariado.  Acredito que o poder público tem de andar a reboque da iniciativa privada e não o contrário. Falta a iniciativa privada assumir o turismo como seu negócio e atuar de forma empresarial e empreendedora e cobrar  do poder público ações que reforcem esse posicionamento.

Há boas escolas de turismo, formação, mas falta profissionalismo e capacitação, a exemplo, para lhe dar com grandes eventos. Como avaliar esta questão?

Tudo é conseqüência e parte de um mesmo projeto. A partir de quando você não escara a coisa como profissional, começa a dar jeitos. Tem uma frase muito repetida quando se fala em capacitação e se refere ao nosso potencial de brasileiro e da receptividade no acolhimento: “Ah! O brasileiro tem um sorriso bonito. Está sempre sorrindo”. Quando se fala em qualificação, fazer colocações como esta é um erro. Quando se fala em qualificação, em primeiro lugar tem de vir a técnica, o conhecimento de como fazer, de como acolher e o sorriso é um complemento necessário. Mas o sorriso não substitui a qualidade do serviço.

Não podemos fugir do tema Copa do Mundo 2014. Os guias estão preparados para grandes eventos?

Temos guias preparadíssimos, mas como em todas as profissões, temos bons e muito bons e de todos os níveis. Acho que falta uma preparação específica para a Copa. A língua é uma, mas nas três semanas da Copa não exige de nós tanto assim. Posso citar um exemplo da Bahia, que é onde eu venho. A Bahia tem o no hall para atender multidões.  Veja o carnaval. O processo de atendimento, já sabemos. Temos Parintins (PA), enfim vários outros eventos.  Já sabemos dominar. Acho que falta seriedade e saber que estamos aqui como profissionais. Posso ter uma aproximação de amizade com o turista depois quando o processo de trabalho acaba. Encarar que o turismo é um negócio. Devo ser simpático, acolhedor, hospitaleiro, mas o turista é meu cliente. Não confundir as coisas e enxergar que é um serviço que está prestando e temos que prestar com qualidade.

Em relação a questão da fiscalização de pessoas sem formação  exercendo a  profissão de guia de turismo sem formação?

Temos uma incidência muito grande de pessoas não habilitadas que se apresenta como guia. Prejudica o turista, prejudica o poder público, a ação do poder público, pois o turista não fica sabendo quando ele recebe informações erradas.  Quando cheguei à Aracaju peguei um taxi no aeroporto. O motoristas muito simpático e no caminho passamos numa rua onde tinha uma moça e assobiou para ele. Ele disse que era uma região que não gostava de passar. Enfim, ele não precisava está chamando a minha atenção, eu enquanto turista. O guia preparado estaria naquele momento conversando sobre outra coisa e desviando a atenção daquela situação. Uma situação que acontece em qualquer parte do mundo e que não desmerece a cidade. Quando está preparado, desvia a atenção. Temos um colega que diz que é papel do guia manter o dedo no queixo do turista para ele olhar sempre para cima quando ele passa por um lixo que deveria ser tirado e não foi. Não vamos mentir, nem enganar. Se há um lixo do lado esquerdo e do lado direito há uma praia bonita, chama atenção para a praia bonita. Para aquilo que é bonito, para aquilo que é bom.

Qual a principal dica para quem procura serviços turísticos?

Sempre que contratar serviços de turismo, não só em relação ao guia de turismo, procure saber se é credenciado ao Ministério do Turismo. Para o guia é obrigatório, para os outros prestadores de serviço, é opcional. É uma garantia para o turista. Estou comprando um pacote na agência, pergunto se é cadastrada na Embratur, no Ministério do Turismo; se há guia acompanhante formado, cercar de cuidados, pois é uma segurança  para quem está comprando e garantia de serviços melhores.

Eventos como o 31º Congresso Nacional de Guias de Turismo causa expectativa de melhorias para a categoria?

Estamos completando agora em janeiro de 2012 dezoito anos de profissão. Estamos passando por um período turbulento e saindo da adolescência. Passamos esse tempo todo sobre a custódia do Ministério do Turismo. Estamos no momento sentindo a falta de apoio e da ausência do Ministério. Não é somente específico da categoria dos guias de turismo. É um momento de crise e talvez seja o momento de atingirmos nossa independência. Este congresso está acontecendo totalmente pela força dos guias de turismo.  Em Sergipe apoiado pelo trade e Governo do Estado, mas são os guias que estão fazendo acontecer.

Contato: silviooliveira@infonet.com.br

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