E Agora governador?

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 O Instituto de Pesquisas Única realizou entre 27 de novembro e 3 de dezembro, uma pesquisa com 800 eleitores  em 12 municípios sergipanos sobre as perspectivas para a nova administração estadual e suas demandas sociais. Só para lembrar, ao lado do Ibope, o Instituto Única (que é de Sergipe), acertou nas pesquisas eleitorais realizadas este ano nas eleições estaduais. A análise do resultado e todas as oito tabelas foram feitas pela equipe do instituto que tem a frente Oscar Wagner, coordenador de Pesquisas e Diretor da Única. Vamos a eles:

 Passado as eleições e publicado o resultado, terminou a disputa, para se produzir uma convergência em torno da proposta que obteve a aprovação maior dos eleitores. Nesta perspectiva, ficaram para trás as cicatrizes deixadas pelo embate eleitoral. O voto foi dado com a esperança legítima de ver sufragada pela maioria a proposta almejada por cada sergipano.

É preciso agora olhar mais para frente. O ideal seria que todos apostassem nas propostas do governador eleito Marcelo Déda, mesmo não tendo merecido a aprovação de todos. Mas até que ponto o eleitorado sergipano acredita que a proposta aprovada nas urnas atende às suas expectativas?

Para averiguar quem está, de fato, acreditando que ‘Sergipe vai mudar” o Instituto de Pesquisas Única, por iniciativa própria, foi buscar e ouvir as expectativas do sergipano  com a nova administração. O que se espera, quais as urgências e problemas que afligem a população e que só a competência do governador eleito poderá resolver?

A Única ouviu entre os dias 27 de novembro a 03 de dezembro de 2006, 800 eleitores em 12 municípios (Aracaju, N.Sra. do Socorro, Lagarto, Itabaiana, São Cristóvão, Estância, Tobias Barreto, Própria, N. Sra. da Glória, Capela, Canindé do São Francisco e Neópolis) que juntos representam 56,929% do eleitorado do Estado. A amostra buscou similaridade com os resultados apurados nas urnas (tabela 01) e apresenta um intervalo de confiança estimado de 95% com uma margem de erro máxima estimada é de 3,46 pontos percentuais para mais ou para menos sobre os resultados encontrados no total da amostra.

 

A responsabilidade aumenta.

Questionados sobre a expectativa que se tem com o novo governo, 77,4% dos entrevistados acreditam numa melhora da qualidade de vida (Tabela 2). Este número supera em quase 25 pontos percentuais o resultado alcançado por Deda nas urnas (52,46%) demonstrando que não apenas o seu eleitor espera por mudanças.

 

 

 

Como em toda campanha eleitoral, é em cima das propostas apresentadas que eleitorado define o seu voto, escolhe o seu candidato. Foi assim com Marcelo Deda? Até que ponto o eleitorado acreditou nessas propostas? Também nesse quadro as expectativas são favoráveis ao Governador eleito: 61,9% dos entrevistados (Tabela 3) acreditam que Déda vai cumprir o prometido, no entanto essa credibilidade é questionada quando o assunto se refere aos problemas na área da saúde e à transposição do rio São Francisco (Tabela 4). 

 

 

 

João x Déda

 

Para identificar os principais problemas que o futuro governador possa vir a encontrar a partir de janeiro, a Única procurou, inicialmente, traçar um paralelo entre as administrações do ex-prefeito Marcelo Deda com a do governador João Alves. Curiosamente a população considera similar a atuação dos dois executivos. Mesmo com o número elevado (média de 41,36%) daqueles que não souberam avaliar as duas administrações, a atuação de Deda alcançou 38,3% entre boa e ótima, contra os 34,7% alcançados por João Alves. Uma diferença de apenas 3,6 pontos percentuais (tabelas 5 e 6). 

 

 

Se por um lado à atuação dos dois principais adversários nas últimas eleições podem ter sido consideradas equivalentes pelos entrevistados, estão nos problemas enfrentados por cada um os principais diferenciais entre cada administração. 

 A pesquisa detectou que na opinião dos eleitores as principais deficiências da administração Deda estão retratadas no abandono da Orlinha da Atalaia, no deficiente atendimento na área da saúde, no efetivo combate à pobreza e na falta de qualidade da educação municipal (tabela 7).

 

“ Uma cidade como Aracaju não pode aceitar esse contraste (referindo-se à Orlinha e Orla da Atalaia) numa área voltada ao turismo “. (Homem, 35 anos – classe B/C).

 

“ O que Deda fez foi só fachada (referindo-se aos hospitais municipais). Eu desafio você a conseguir atendimento. Não tem médicos “. (Mulher, 30 anos – classe D/E).

 

“ A gente vive como Deus quer (bairro Santa Maria). Não tem prefeito, nem político nenhum que olhe pra gente “. (Homem, 52 anos – classe E).

 

“ Educação? Meu amigo, isso é uma vergonha. Faltam salas, material e professores “ (Jovem, 16 anos – classe D).

Já a população acredita que os principais problemas enfrentados pelo governador João Alves estão relacionados a construção da ponte Aracaju / Barra dos Coqueiros, ao elevado índice de desemprego principalmente no interior do Estado, à segurança pública, ao combate à transposição do rio São Francisco e ao deficitário sistema de saúde (Tabela 8).

 

“ João fez a ponte, mas empenhou até a alma. Eu acho que ele esperava ser reeleito com esta obra… “ (Mulher 28 anos – classe A/B).

 

“ Minha filha o que essa gente precisa é de emprego e não esmola. Aqui (interior do Estado) não há opções nem pra jovem nem para adulto “ (Jovem 18 anos – classe C/D).

 

“ A gente é obrigada a ficar atrás das grades enquanto o bandido ta solto “ Mulher 38 anos – classe D/E).

 

“ A luta do Dr. João (referindo-se a transposição) pode ter sido em vão… Eu acho que agora o rio se acaba. Deda não vai ser contra Lula “ (Homem 45 anos – classe B/C).

 

“ Não mudou nada. João re-inaugurou às pressas esse hospital (Tobias Barreto), mas continua sem atendimento. Tem que ir pra Lagarto ou Aracaju “ (Mulher 26 anos – classe C/D).

 

 

 

 

E agora Déda?

 

Para finalizar, a Única procurou saber junto aos entrevistados, quais seriam as principais ações que gostariam que fossem priorizadas pelo novo Governador. A saúde, abastecimento d’água e o desemprego foram os mais citados no interior do Estado (68,3%). Na capital, também é a saúde, mas dessa vez com a segurança, que mais afligem os entrevistados (53,8%).

“ Eu não votei nele, mas nem por isso vou deixar de ter esperança de que ele olhe pro sertanejo “ (Homem 53 anos – Interior)

 

“ Se foi pra mudar que nós votamos nele, então que ele faça o que tiver que ser feito e não se esqueça que se ele está lá foi também com o meu voto “ (Mulher 26 anos (interior)

 

“ Se melhorar um pouco a segurança e a saúde, já valeu a pena “ (Homem 32 anos – Aracaju)

 

“ Agora eu quero ver. É Lula, Deda e Edvaldo tudo do mesmo lado. Se não fizer nada qual vai ser a desculpa? (Mulher 18 anos – Aracaju)

 

 

O que vai acontecer com Sergipe a partir de janeiro? Esse é o assunto mais discutido após as eleições. Eleito com mais de 52% dos votos válidos, Marcelo Déda assumirá em janeiro, um estado em que uma boa parte da sua população há muitos anos tem sofrido com o descaso dado por seus dirigentes. Uma coisa é notável. Marcelo Déda sabe o papel social que desempenha e já assumiu o compromisso de fazer essa inclusão social. Agora é esperar e cobrar.

 

 

Frase do Dia

“Tudo tem seu tempo e até certas manifestações mais vigorosas e originais entram em voga ou saem de moda. Mas a sabedoria tem uma vantagem: é eterna”.Baltasar Gracián.

 

 

 

 

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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