É uma coisa tão simples

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Com meus animais de estimação aprendo muito sobre a vida e a natureza. Eles, na realidade são seres muito especiais, únicos mesmo. São livres e levam as suas vidas de forma soberana e independente. Não são de ninguém, mas gostam de se sentir nossos. Assim como os meus animais, aprendi a não segurar a vida e nem a nenhum ser vivo que amo. Na minha vida portanto, tenho valores muito contraditórios no que concerne aos valores estabelecidos pela sociedade e reconsidero até mesmo, valores culturais. Aprecio as minhas alegrias sem qualquer culpa no coração.

O eterno da minha existência é mais valioso do que qualquer roteiro estabelecido numa única vida. Meu amadurecimento que é crescente, surge a partir de minhas vivências diárias, das minhas percepções e do desejo de nunca mais pertencer a nada com tamanha certeza. Mas, não foi sempre assim…. Durante muito tempo, fiz parte da tribo dos inquietos. E passei longos anos com uma pressão no peito e outra na alma. Vivia uma eterna tensão, querendo entender e não entendendo. Trocando de casa, de objetivo, de país, de marido, sem chegar nunca, a uma conclusão. Enfim, absorta em meus pensamentos, respiro fundo e não deixo de perceber que “exilar-me” em outro país por 5 anos, ajudaram a me reencontrar comigo mesma e libertar os meus fantasmas.

Não foi o novo caminho que segui no entanto, o único responsável pela minha transformação e sim o conhecimento do meu EU verdadeiro. Era a falta de horizontes que enfrentava constantemente, que me tornava uma presa frágil de uma sociedade que a todo momento nos apresenta de forma nublada ou clara, modelos que são impossíveis de seguir. Quando abri mão dessa fragilidade, comecei a ser mais sensatamente feliz. Meu percurso artístico tem sido trilhado com uma sensibilidade profunda e sem dúvida, não deixa de ser a interpretação das minhas trajetórias pessoais. Em tudo que crio estão implícitas as configurações da vida que escolhi. Hoje navego por mares, ora calmos, ora turbulentos sem qualquer mergulho de convicções e aceito humildemente as minhas imperfeições. Sou simplesmente eu mesma… Minhas inquietações foram preenchidas por silêncios construtivos e os significados e interpretações dos meus caminhos são pessoais e intransferíveis.

Imersa no meu universo particular, tenho uma clara preferência pela companhia dos meus animais de estimação e da maneira excessiva de como eles são capazes de amar e de se afeiçoarem a nós, sem qualquer sentido de moderação e julgamento. Devo confessar que sou totalmente adepta de escolhas livres e constantemente me desvencilho de escolhas preestabelecidas. Faz tempo que mandei embora pensamentos de culpa, deveres, dívidas e mais culpa do meu consciente. Assim, sigo adiante, sem qualquer necessidade de trazer à tona uma energia de conflito pois, entendo e respeito que cabe a cada um de nós inventar os significados do nosso caminho e preencher os nossos silêncios. Como você escolhe preencher os seus?

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.