Educação Ambiental no forró

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Quem não conhece o “Xote Ecológico”, composição de Luiz Gonzaga?

Não posso respirar, não posso mais nadar
A terra está morrendo, não dá mais pra plantar
Se planta não nasce se nasce não dá
Até pinga da boa é difícil de encontrar
Cadê a flor que estava aqui?
Poluição comeu.
E o peixe que é do mar?
Poluição comeu
E o verde onde que está?
Poluição comeu
Nem o Chico Mendes sobreviveu

Os estudiosos e pesquisadores da obra do Rei do Baião afirmam que ele sempre mostrou ao país e ao mundo a saga dos retirantes, a vida do vaqueiro, dos repentistas, as riquezas nordestinas, como as feiras, as praias, os nossos pássaros, a vegetação da caatinga, além de cantar com a voz do protesto, denunciando irregularidades e cobrando providências.

A exemplo da composição acima, datada da década de 80, outras músicas há muito tempo têm sido instrumento alternativo para a Educação Ambiental (EA), contribuindo algumas vezes para o alerta, a denuncia ou divulgação de noções e conceitos relacionados ao cuidado da Terra. A EA, que pode ser formal, dentro das escolas, ou informal, através de outros meios, é justamente isso: levar o conhecimento para a prática no nosso cotidiano e em diferentes segmentos da sociedade.

A data em que os versos acima foram escritos nos dá uma comprovação de que a preocupação com o meio ambiente não é algo novo ou uma moda passageira. Mas, mais recentemente o “Boato ribeirinho” (composição de Wilson Duarte / Nilton Freitas / Wilson Freitas) gravado por Targino Gondim e Elba Ramalho em 2009 faz um alerta bastante atual para a preservação do velho Chico.

Corre um boato na beiro do rio
Que o velho Chico pode morrer
Virar riacho e correr pro nada
Viajando por temporada quando a chuva do meu Deus dará chegar
(…)
Não deixe morrer
Não deixe o rio morrer
Se não o que será de mim que só tenho esse rio pra viver
O que será? O que será de mim?
O que será de José, Serafim?
Qual será o destino do menino
que nasceu e cresceu aprendendo a pescar surubim?
Não deixe morrer, não deixe o rio morrer
Se não morre o ribeirinho de fome de sede ou de sei lá o quê

Novamente o cuidado com a finitude de um bem natural, “coisa” originalmente de ecologista é difundida em forma de canção. Além de encantar com a poesia e embalar com o ritmo, a expressão artística vai além do entretenimento. Assim como é o princípio da Educação Ambiental a canção proporciona a pessoa, ao cidadão, um desenvolvimento do sentido ético diante de uma problemática ambiental e social.

A Educação Ambiental também busca orientar o ser humano em relação ao exercício da cidadania ambiental na busca de melhorias na qualidade de vida. E nas diferentes ferramentas utilizadas pela Educação Ambiental (que inclui ai os diferentes estilos musicais), o que se busca é reafirmar valores e ações que contribuem para a transformação humana e social para a preservação ecológica onde estamos inclusos.

Foto-legenda

Olha pro céu…
Veja como ele está lindo!

Registro de Edinah Mary do eclipse lunar do último dia 15.

O fenômeno foi o único do tipo possível de ser visualizado no Brasil em 2011. Quem não viu, pode apreciar a imagem ao lado.

Assista ao video da música Boato Ribeirinho

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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