EUFORIA DE SOBRA

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Sequer as urnas foram abertas e os devotos do candidato Marcelo Déda já começam a comemorar a arrebatadora vitória do ex-prefeito da capital ante João Alves Filho. A previsão é de uma vitória, em primeiro turno, com larga margem de votos. Algo em torno de 120 mil sufrágios a mais que o seu principal adversário nessas eleições. A empolgação é tanta – e tão impressionante – que me faz lembrar da euforia antecipada dos correligionários do então candidato José Carlos Teixeira, em 1986, após a divulgação dos preciosos números do Ibope, dando-lhe franca vantagem sobre o “fraco” candidato Antônio Carlos Valadares, que contava com o apoio do então governador João Alves Filho.

 

Naquele ano, ninguém conseguia imaginar que os resultados das pesquisas pudessem ser totalmente desmoralizados pela desenvoltura nas urnas do tímido e introspectivo Valadares. Ou melhor, ninguém podia imaginar que o governador João Alves fosse o trator que fora para eleger um aliado. Assistimos, assim, a um embate surpreendente e inimaginável. Resultado: a euforia carlista deu lugar à mais profunda tristeza após a contagem dos votos. E os institutos de pesquisa, como de costume, em Sergipe, tiveram que arrumar boas desculpas para “convencer” seus clientes de que algum fato inesperado mudara o rumo da história na reta final. Enfim, eles – os institutos – nunca erram, não é mesmo?

 

Voltando às eleições 2006, há quem diga que os arroubos de euforia dos devotos de Déda sejam idênticos aos dos Carlistas, em 1986. E dizem isso, ao analisar semelhanças existentes entre os dois pleitos:  em 1986, um grande líder das esquerdas, José Carlos Teixeira, sempre à frente nas pesquisas, enfrentava um legítimo representante da direita, Valadares, apoiado pelo governador de então, João Alves Filho. Agora, a história se assemelha: um grande líder das esquerdas, Déda, também apontado como líder nas pesquisas, conta com o apoio de Valadares e enfrenta um expoente da direita, João Alves Filho. Com a  simples diferença que, agora, o candidato é o próprio João Alves, com a caneta cheia de tinta nas mãos. E disposto a tudo para continuar onde está.

 

Euforias à parte, sem dúvida alguma, vai ser um grande embate sem favoritos. E que vença aquele que, democraticamente, o povo quiser!

 

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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