A política sergipana descobriu que ex-governador não aposenta mágoa. Apenas muda o endereço do desabafo. Jackson Barreto resolveu abrir o velho álbum das decepções políticas contra Belivaldo Chagas e trouxe de volta campanha, gratidão, família, Sebrae, Tribunal de Contas e até sofrimento eleitoral guardado no freezer desde outras eleições. Enquanto Jackson falava, parecia que Chico Buarque tocava baixinho no fundo: “hoje você é quem manda, falou tá falado, não tem discussão não”. Porque política também é isso. Um eterno campeonato de quem acha que fez mais pelo outro.
Só que o sergipano entende política como poucos. Aqui ninguém assiste bastidor como quem vê série estrangeira. O povo sabe quem rompeu, quem mudou de lado, quem ficou magoado e quem apenas recalculou rota para sobreviver em 2026. E foi justamente aí que Belivaldo encontrou espaço para reagir. Quando chamou Jackson de “idoso de recado”, falou com ironia, mas também com aquela calma de quem percebe que existe uma operação política tentando desgastá-lo porque desembarcou do grupo governista. E Chico entra de novo na conversa: “você que inventou a tristeza, ora tenha a fineza de desinventar”.
Todo mundo em Sergipe sabe que essa crise não nasceu de ideologia. Nasceu de composição política. Nasceu da disputa silenciosa por espaço, vice-governadoria, alianças e sobrevivência eleitoral. Quando Fábio Mitidieri escolheu outro caminho para a chapa, o grupo de Belivaldo naturalmente começou a se aproximar de Valmir de Francisquinho. O resto foi consequência emocional. Jackson resolveu verbalizar a dor política em público. O problema é que eleitor percebe rápido quando a crítica vem mais carregada de ressentimento do que de indignação. “Apesar de você, amanhã há de ser outro dia.” Chico continua perigosamente atual.
Belivaldo também foi inteligente ao não entrar numa guerra agressiva. Respondeu com humor, ironia e aquela linguagem simples que conversa diretamente com o eleitor sergipano. Quando manda Jackson ir curtir as praias, viajar e descansar, ele transforma a crítica em cena quase cinematográfica. Parece um sobrinho tentando tirar o tio da discussão antes que o almoço de domingo vire confusão familiar. E isso aproxima o eleitor. Porque o povo está cansado de político brigando como se estivesse em campeonato permanente de mágoa.
No fundo, Sergipe está vendo dois ex-governadores discutirem menos sobre presente e mais sobre passado. Jackson fala como quem ainda tenta reorganizar capítulos antigos. Belivaldo responde como quem quer seguir adiante sem ficar preso ao retrovisor. E talvez aí esteja o detalhe mais importante dessa guerra toda. O eleitor sergipano até gosta de um embate político. Mas gosta mais ainda de perceber quem perdeu a paciência e quem manteve a compostura. “E eu vou morrer de rir que esse dia há de vir antes do que você pensa.” E Chico provavelmente adoraria assistir essa novela política direto da Orla da Atalaia.
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