
Da periferia à Barra dos Coqueiros, crise da água amplia pressão sobre o Governo Mitidieri
A falta d’água virou rotina na Grande Aracaju. Na Barra dos Coqueiros, moradores de condomínios como Damha, Alphaville, Terras Alphaville e Maikai reclamam de dias de abastecimento irregular. Agora que a torneira seca chegou também à classe média e aos condomínios de alto padrão, a crise ganhou ainda mais força nas redes sociais.
Mas Nossa Senhora do Socorro reclama há muito mais tempo. São Cristóvão também sofre, e bairros de Aracaju enfrentam sucessivas interrupções. Rompimentos, manutenção, redução de produção e recuperação do sistema aparecem repetidamente nos comunicados oficiais. O problema deixou de parecer excepcional e passou a demonstrar uma crise recorrente no abastecimento.
A Iguá opera a distribuição, a Deso permanece envolvida em parte do sistema e o Governo precisa fiscalizar e cobrar solução. Para o cidadão, pouco importa de quem é a tubulação ou quem assina o contrato. Ele quer abrir a torneira e encontrar água. Enquanto Barra, Socorro, São Cristóvão e Aracaju reclamam, a crise hídrica também vai desgastando a gestão. A falta d’água está, politicamente, secando o Governo Fábio Mitidieri.
Pesquisa candidata. O Instituto França colocou Fábio Mitidieri com 42,41% e Valmir de Francisquinho com 27,07%, com margem de erro de 2,7 pontos. Outros institutos já apresentaram retratos bem diferentes. Em Sergipe, pesquisa eleitoral virou álbum de família: dependendo de quem segura a câmera, sempre tem alguém saindo maior na fotografia.
Retrato recusado. Valmir disse que “a pesquisa real é a manifestação livre e espontânea do povo nas ruas” e afirmou acreditar numa vitória no primeiro turno. Também questionou levantamentos que apresentam aliados seus bem colocados, mas o deixam atrás. Pesquisa virou balança de farmácia: quando o resultado agrada, está calibrada; quando desagrada, alguém mexeu no ponteiro.

Bisturi eleitoral. Na TV Atalaia, Valmir colocou a saúde no centro da pancadaria e classificou a situação como “caos absoluto”. Citou reclamações de cirurgiões, hospitais, Organizações Sociais e o Hospital do Câncer. Na campanha, candidato faz diagnóstico, governo exibe prontuário e o paciente continua na recepção perguntando quando será atendido.
Dez minutos quentes. No SE2, Valmir falou sobre o processo do matadouro, rejeitou a caracterização de uma declaração sua como machista e prometeu trabalhar por uma passagem inferior a R$ 3. Também voltou a atacar a concessão da água. Foram dez minutos de televisão com assunto suficiente para abastecer três dias de rádio, quatro palanques e umas quinze brigas de grupo de WhatsApp.
Emília abriu fogo. A prefeita Emília Corrêa acusou Fábio Mitidieri de interferir politicamente na Câmara de Aracaju e afirmou que o governador “tem se mostrado um perseguidor”. É uma acusação política, não um fato judicialmente comprovado, mas a temperatura subiu. A relação entre Prefeitura e Palácio já não é namoro nem separação: virou disputa pela guarda dos vereadores.
Imposto desembarcou. A Câmara aprovou a redução de 2% para zero do ISSQN sobre o transporte coletivo por ônibus durante 24 meses. O texto também prevê o perdão de débitos das empresas no período indicado. Em Aracaju, até o imposto entrou no ônibus da tarifa; só falta a planilha sentar na janela, puxar a cordinha e pedir meia passagem.

Mira em Rodrigo. Cláudio Nunes publicou uma coluna intitulada “PL e a humilhação que Rodrigo deve sofrer para o Senado Federal”. A briga interna do partido e a candidatura de Rodrigo Valadares continuam oferecendo munição aos colunistas. Quando o partido resolve fazer oposição a si mesmo, o adversário pode guardar o dinheiro da propaganda e apenas comprar pipoca.
Campanha na rua. Fábio Mitidieri percorreu o Inácio Barbosa em minicarreata e associou sua candidatura às obras realizadas na capital, citando o viaduto da Beira Mar e investimentos em infraestrutura. É a estratégia clássica de quem governa: a oposição apresenta a conta e o governador mostra a obra. O eleitor decidirá qual retrato merece moldura e qual ficará no fundo da gaveta.
Cratera eleitoral. Um carro e uma motocicleta ficaram presos numa cratera aberta após o rompimento de uma tubulação na Zona Oeste de Aracaju. Em plena campanha dominada pela Iguá, pela Deso e pela crise do abastecimento, a realidade resolveu participar do horário eleitoral. A oposição ganhou a fotografia e a concessionária ganhou mais uma explicação para preparar.
Concurso na urna. Valmir reuniu-se com aprovados no concurso da Fundação Hospitalar de Saúde e prometeu diálogo sobre o déficit de pessoal e as convocações. A discussão encosta diretamente nas terceirizações e nas Organizações Sociais. Em época eleitoral, candidato encontra concursado mais rapidamente do que a administração encontra vaga no orçamento.

Vice com tempero. Fabrício Menezes assumiu a condição de candidato a vice de Emanuel Cacho após a renúncia de Suely Barreto. Admitiu que houve discussão interna acalorada, mas classificou as divergências como normais na democracia. A chapa procurava um vice e encontrou também assunto para rádio, portal, corredor partidário e mesa de café.
Ameaça não é piada. Pastor Diego denunciou a mensagem “evangélico bom é evangélico morto”, informou ter procurado a Polícia Federal e formalizado queixa crime. Vereadores de campos distintos, inclusive Sônia Meire, manifestaram solidariedade. Aqui não cabe ironia: divergência política é democracia; ameaça e incitação à violência são assuntos para investigação séria.
Fila na Alese. Sergipe registra 221 candidatos a deputado estadual para apenas 24 cadeiras. A matemática é simples: sobra candidato, falta assento e não cabe todo mundo nem puxando uma cadeira de plástico do bar da esquina. Se os santinhos fossem impressos em papel semente, dava para reflorestar o Estado e ainda sombrear metade do sertão.

Gente nova no TJ. O TJSE empossou nove técnicos judiciários e um analista de Contabilidade, todos aprovados no concurso de outubro de 2023. Com essa turma, mais de 200 servidores já foram convocados. A validade segue até março de 2028, e o Tribunal reforça o quadro antes que o volume de processos precise também prestar concurso para conseguir atendimento.
Empresas perdem o ponto. A 1ª Câmara Cível do TJSE negou, por unanimidade, o recurso de Atalaia Transportes e Transporte Sergipe na disputa sobre a Concorrência Pública nº 001/2024. São Cristóvão, Barra dos Coqueiros e Socorro defendem o avanço da licitação e a emissão das ordens de serviço. As empresas recorreram, mas a Justiça tocou a campainha, abriu a porta e mandou o recurso descer no próximo ponto.

OAB saiu da plateia. A direção da OAB de Sergipe participou da sessão do Conselho Federal e reiterou as deliberações aprovadas por unanimidade pela seccional sobre a crise envolvendo o STF. A Ordem deixou a arquibancada e entrou institucionalmente no debate. Agora falta saber se o Conselho Federal vai jogar bola ou continuar apenas aquecendo na lateral.
Celular voltou. A Polícia Civil iniciou a devolução de aproximadamente 400 aparelhos recuperados na segunda etapa da Operação Última Chamada. Mais de 1,1 mil celulares já teriam retornado aos proprietários desde o início da iniciativa. Para muita gente, foi a primeira ligação realmente feliz depois do furto: “seu aparelho foi encontrado”..
Urna mudou de casa. O TRE de Sergipe alterou o endereço de todas as seções de seis locais de votação da 2ª Zona Eleitoral. O aviso busca evitar problemas no dia do pleito. Parece assunto burocrático, mas eleitor chegando ao colégio errado produz mais confusão do que candidato procurando voto depois que a urna já fechou.
Tarifa virou lei. A Câmara de Aracaju aprovou em primeira discussão o projeto que zera o ISSQN incidente sobre o transporte coletivo. O preço da passagem deixou o palanque e entrou oficialmente na legislação tributária. Agora a população quer saber se o imposto desce e a tarifa acompanha, porque ônibus cheio de promessa já circula faz tempo.

Seis UBS e uma conversa. A Prefeitura de Socorro anunciou seis novas Unidades Básicas de Saúde para Jardim, Parque dos Faróis, Albano Franco, Castelo, Fernando Collor e Sobrado. Pelo jeito como Samuel Carvalho vem conduzindo o município, a promessa entra forte na disputa pela falácia mais bem ensaiada dos últimos tempos. Se anúncio levantasse parede, Socorro já teria hospital até na esquina; agora faltam licitação, obra, equipe e atendimento para provar que não foi apenas mais uma mentira com placa bonita.
Porteira aberta. A Expo Glória 2026 acontece desta quarta feira, 16, até sábado, 19 de setembro, reunindo agronegócio, cultura e negócios. Os grandes shows ficam para sexta feira, 18, com Raí Saia Rodada e Iguinho e Lulinha, e sábado, 19, com Maiara e Maraisa e Victor e Leo. Em Glória, o gado entra na pista, o forró levanta poeira e o comércio tira leite até da carteira do visitante.
Casa própria em exposição. A Cohab Expo acontece de quinta feira, 17, até segunda feira, 21 de setembro, reunindo nove construtoras, lançamentos imobiliários, cursos, gastronomia e serviços no bairro Jardins. Serão cinco dias para procurar o imóvel dos sonhos e encarar a realidade do financiamento. Comprar a casa é a parte romântica; calcular entrada, juros e prestação é quando o sonho pede calculadora e água com açúcar.

Força municipal. André Moura continua apostando em prefeitos, lideranças e presença territorial. Na pesquisa França, apareceu com 12,70% das referências para o primeiro voto. Numa eleição com duas vagas, aliança municipal e combinação de votos valem ouro. O candidato quer transformar cada prefeito em cabo eleitoral com gabinete, agenda e mapa completo do município.
Da capital ao interior. Edvaldo Nogueira enfrenta o desafio de converter o conhecimento acumulado em Aracaju numa presença eleitoral espalhada por Sergipe. Na pesquisa mencionada, apareceu com 6,05% no primeiro voto. Administrar a capital dá vitrine, mas o interior quer saber se o candidato conhece a estrada depois que acaba a iluminação da avenida.

Eduardo Amorim I. O dia de Eduardo Amorim foi de contato direto com os sergipanos, recebendo abraços, conversando e ouvindo quem enfrenta os problemas reais do Estado. Nas redes, mostrou uma campanha feita no olho no olho, sem fugir do povo nem se esconder atrás de telão. Médico por formação e cuidador por vocação, Eduardo caminha como quem já sabe onde Sergipe sente dor.
Eduardo Amorim II. Na saúde, Eduardo defende a Cidade da Saúde, um Hospital de Clínicas, um centro moderno de diagnóstico por imagem e uma unidade especializada em ortopedia. Também propõe descentralizar o atendimento e reduzir a superlotação do Huse. Não é candidato descobrindo o SUS na eleição: é médico apresentando diagnóstico, tratamento e endereço para a solução.
Funil federal. O levantamento consultado registra 141 candidaturas apresentadas à Câmara Federal, com 139 concorrendo e duas inaptas naquele momento. Sergipe dispõe de apenas oito cadeiras. É uma multidão passando por um funil estreito, onde todo candidato jura que está folgado e quase todos descobrem no final que o espaço era menor do que parecia.
Guerra das dobradinhas. As redes estão tomadas por alianças entre candidatos estaduais, federais, prefeitos, vereadores e chapas majoritárias. Essa circulação torna enganosa qualquer análise baseada apenas nas curtidas do perfil principal. Em Sergipe, o voto também viaja de carona: entra no carro do prefeito, passa pelo vereador e desembarca na urna acompanhado.

Erro corrigido, problema mantido I. O TRE de Sergipe reconheceu que o acórdão continha referências inadequadas, retirou os trechos questionados, mas manteve a Federação PSOL Rede fora das eleições estaduais de 2026. Os recursos foram acolhidos apenas para corrigir o texto, sem mudar o resultado. A Justiça passou a borracha na fundamentação, mas deixou intacto o tamanho da dor de cabeça.
Erro corrigido, problema mantido II. A decisão alcança as chapas para Governo, Senado, Câmara Federal e Assembleia Legislativa. Entre os nomes atingidos estão Helton Monteiro, candidato ao Governo, Iran Barbosa, candidato ao Senado, e as candidatas proporcionais Linda Brasil e Sônia Meire, além dos demais postulantes da federação. Ainda há caminho recursal, mas, por enquanto, a esquerda montou o palanque e a Justiça Eleitoral recolheu a escada.
Mapa em guerra. Breno Garibalde criticou o acordo sobre os limites entre Aracaju e São Cristóvão, que envolve áreas como Mosqueiro, Areia Branca, Matapuã, Robalo e Santa Maria. A mudança pode afetar população, impostos e serviços, mas ainda depende de etapas institucionais. Não basta chegar com régua e lápis para redesenhar a divisa depois do almoço, porque até o IPTU quer saber onde vai morar.
Voto não é curtida. A campanha estadual virou uma mistura de vídeo curto, Fundo Eleitoral, impulsionamento e dobradinha no interior. Instagram faz barulho e dinheiro espalha postagem, mas milhares de visualizações não valem necessariamente uma liderança em Glória, um vereador em Socorro ou uma carreata em Itabaiana. O vídeo dura quinze segundos, a promessa pede quatro anos e, no fim, é a urna, não o algoritmo, que entrega o recibo.

Paz e asfalto. A gestão de Sérgio Reis assinou com o Ministério Público de Sergipe uma campanha de prevenção à violência, ao bullying e aos conflitos nas escolas, além de entregar a pavimentação do povoado Sobrado. São duas ações diferentes, mas ligadas pelo mesmo princípio: cuidar das pessoas dentro da sala de aula e melhorar o caminho de quem vive fora do centro. Enquanto muita gestão ainda procura uma desculpa, Sérgio aparece com parceria institucional e obra entregue. Claro que, em ano eleitoral, cada metro de asfalto cresce quando passa pela régua do marketing, mas, quando existe serviço realizado, até a propaganda pisa em terreno firme.

A Gata soltou a língua. Gilson Ramos afastou-se temporariamente da Nova Princesa FM, declarou apoio a Valmir e entrou de vez no terreiro eleitoral. Do outro lado, Ianna de Dr. Thiago afirmou sofrer perseguições e ameaças após apoiar Fábio Mitidieri e dirigiu acusações ao radialista, ainda sujeitas à apuração e ao contraditório. Em Dores, a Gata Amarrada soltou a corrente, a prefeita mostrou as unhas e a política ferveu mais que panela de milho em noite de São João.
Comentários estão fechados.