
Fábio acelera, Valmir conversa e Cacho procura vice
Fábio Mitidieri abriu o sábado com uma carreata saindo da Praça da Pomba, em Areia Branca, e passando por São Domingos, Macambira, Campo do Brito, Frei Paulo, Pedra Mole, Pinhão e Carira. São oito municípios num dia só, com obras, investimentos, discursos e acenos pela janela. É tanta ligeireza que, se o eleitor se distrair comprando uma laranja na feira, quando voltar Fábio já estará inaugurando conversa em outra cidade.
Valmir de Francisquinho vem de uma sexta ocupada no Sindifisco, onde apresentou o Gira Sergipe e falou sobre renegociação de IPVA e ICMS, recuperação de empresas, fortalecimento do Fisco e diálogo com os servidores. Para este sábado, sua campanha ainda não publicou uma agenda completa com horários e municípios. Enquanto Fábio pisa no acelerador, Valmir segue no pé no chão, conversando, apresentando propostas e juntando gente sem precisar fazer campanha em velocidade de vaquejada.
Ricardo Marques, Emanuel Cacho, Helton Monteiro e Taty Cristina também não apresentaram roteiros completos e verificáveis. Ricardo tenta explicar se o carro oficial foi ao culto, à campanha ou recebeu uma revelação no caminho de Lagarto. Cacho procura uma nova vice e um pouco de sossego. Helton briga com as planilhas do Governo. Taty segue discreta, tão discreta que, se ficar mais quieta, a campanha precisará tocar o sino da igreja para avisar que ela chegou.
Para o domingo, nenhuma campanha havia divulgado uma programação pública completa até o fechamento da pesquisa. Isso não quer dizer que os candidatos ficarão em casa, de bermuda, comendo galinha de capoeira e discutindo política no grupo da família. Quer dizer apenas que as agendas ainda não foram anunciadas. Por enquanto, compromisso confirmado mesmo é o de Fábio. O restante está no tradicional horário eleitoral sergipano: depois a gente vê, qualquer coisa avisa.

Master perde o cobertor. A retirada parcial do sigilo ampliou a exposição das mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro e das relações cultivadas pelo banqueiro antes da liquidação do Banco Master. Quanto mais se levanta o tapete, mais poeira institucional aparece. O cobertor ficou curto: se cobre o banco, descobre as autoridades; se cobre as autoridades, o banqueiro passa frio.
Moraes no furacão. Referências a contatos entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes aumentaram a pressão por esclarecimentos sobre a relação do banqueiro com autoridades. Fachin convocou sessão extraordinária para 15 de setembro e conteve iniciativas individuais contra integrantes do Supremo. A maré subiu, a água entrou na sala e agora tem ministro procurando colete salva vidas dentro do regimento.
Gasolina de dieta. A Petrobras recuou da sinalização de aumento e afirmou que medidas tributárias poderão reduzir em R$ 0,19 o litro da gasolina para o consumidor. O verbo importante é “poderão”, velho conhecido de quem paga imposto hoje e espera o benefício para depois. Em Brasília, o desconto sai de avião; até chegar à bomba sergipana, costuma perder a conexão e parte da bagagem.
Diesel prepara a lapada. A Petrobras avalia elevar o diesel em cerca de R$ 1 por litro nas refinarias, enquanto aguarda medidas oficiais destinadas a amortecer o impacto. Como o Brasil importa aproximadamente um quarto do combustível que consome, qualquer turbulência externa desembarca rapidamente na bomba. Traduzindo para o sergipanês: o petróleo espirra no Golfo e a feira de Itabaiana pega pneumonia.

Helton levou a prova surpresa. Helton Monteiro criticou candidatos ausentes de debates e classificou como fantasiosos vários números divulgados pelo Governo de Sergipe. Também defendeu autonomia tributária, recuperação de créditos e participação popular na aplicação dos recursos de Sergipe Águas Profundas. Helton apareceu com números justamente no lugar onde muito candidato prefere chegar apenas com fotógrafo, jingle e abraço em criança.
Greve com aplicativo. A paralisação fechou agências da Caixa em São Paulo e no Paraná e atingiu parcialmente o Banco do Brasil em alguns estados. O plano de saúde dos empregados está no centro da disputa, enquanto serviços digitais e caixas eletrônicos continuam funcionando. A Caixa apresentou uma proposta final e ameaçou recorrer à Justiça: negociação bancária é assim, até a paciência precisa comprovar renda.
Boi com prontuário. A União Europeia suspendeu a entrada de carnes e mel brasileiros e passou a exigir garantias mais rigorosas sobre antimicrobianos e rastreabilidade. O governo espera nova auditoria para tentar reabrir o mercado bovino, que cobra acompanhamento do nascimento ao abate. O boi brasileiro agora precisa apresentar currículo, prontuário e antecedentes mais completos do que muito candidato em período eleitoral.
Ferida de 25 anos. Os Estados Unidos lembram os ataques de 11 de setembro de 2001, que mataram quase três mil pessoas e transformaram a segurança, a política externa e a rotina do país. A cerimônia de Nova York incluiu um momento dedicado às vítimas de doenças relacionadas à poeira tóxica. Algumas tragédias entram para os livros de história, mas jamais conseguem sair da memória das famílias.

Ricardo foi ao culto, mas o 22 apareceu na oração. Ricardo Marques teria usado o carro oficial da Vice-Prefeitura para participar de um culto em Lagarto, ao lado do candidato a vice, Éric Menezes. Ele afirma que foi cumprir agenda religiosa, mas publicou um vídeo que termina com “Ricardo Marques 22”. Os adversários já estudam levar o caso à Justiça Eleitoral para saber se houve fé, campanha ou uma santa carona paga pelo contribuinte. Ricardo citou o Salmo 122, mas agora poderá ter de explicar o versículo eleitoral: “Alegrei-me quando me disseram, vamos no carro oficial do povo”.
Petróleo em campanha. O Brent permaneceu acima dos US$ 100, pressionado por ataques, insegurança e redução do trânsito de navios em rotas estratégicas do Oriente Médio. Apesar de algum recuo, acumulava alta superior a 7% na semana. O barril sobe lá fora e, sem pedir licença, começa a reajustar o frete, a passagem e até o tomate na feira de Sergipe.
O mar avançou e a burocracia finalmente recuou. A Justiça Federal autorizou Estância a realizar obras emergenciais para proteger a capela da Praia do Saco, ameaçada pela erosão. Agora, Prefeitura e órgãos ambientais precisam correr, porque o mar não protocola requerimento, não espera parecer técnico e muito menos respeita horário de repartição. A contenção resolve a urgência, mas permanece a pergunta: haverá um plano permanente ou vão esperar a maré chegar ao altar para pedir outro milagre judicial?
Eproc terá atualização. O Tribunal de Justiça informou que o sistema eproc passará por atualização no sábado, 12 de setembro, das 8h às 18h. O aviso interessa especialmente a advogados, defensores, promotores e servidores que trabalham com processos eletrônicos. Quem tiver prazo deve se organizar, porque processo digital não aceita como tese jurídica
Juizados estão em novo endereço. O funcionamento do 1º, 7º e 8º Juizados Especiais Cíveis nos Fóruns Integrados III permaneceu entre os principais avisos do Tribunal. A mudança interfere no atendimento de consumidores, advogados e partes com audiências presenciais. Antes de sair de casa, convém conferir o local, porque chegar no fórum antigo não suspende audiência nem convence o aplicativo de transporte a devolver a corrida.
Câmara visita escolas. A Câmara de Aracaju iniciou visitas a escolas públicas para divulgar a nona edição do Prêmio Governador Marcelo Déda. A ação pretende incentivar estudantes a participar do concurso de poesia. Foi a única notícia institucional nova publicada pela Câmara no intervalo pesquisado. Em meio a vetos, impostos e brigas políticas, apareceu poesia no plenário, talvez porque a prosa já estivesse dando trabalho demais.
Redução do ISS continua repercutindo. A prorrogação da alíquota reduzida do ISSQN para o transporte coletivo, aprovada em 9 de setembro, permaneceu no debate político das últimas horas. A medida é apresentada como instrumento para diminuir custos do sistema, mas voltou a alimentar a cobrança sobre o preço final da passagem. Benefício tributário sem reflexo percebido pelo passageiro corre o risco de ser desconto que desce do ônibus antes de chegar ao terminal.
Passagem de ônibus vira queda de braço. A discussão sobre a tarifa ganhou temperatura depois das manifestações da prefeita Emília Corrêa e da reação do governador Fábio Mitidieri. A Câmara aparece nesse debate porque aprovou a redução tributária e fiscaliza os efeitos da política de transporte. O que o usuário quer saber é simples: depois de tanto cálculo, reunião e pronunciamento, quanto efetivamente pagará para entrar no ônibus?
Vetos à LDO seguem produzindo discussão. A derrubada de oito vetos e a manutenção de quatro vetos da Prefeitura à Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2027 continuaram repercutindo entre vereadores e agentes políticos. A decisão influencia as regras para elaboração e execução do próximo orçamento municipal. É aí que o discurso deixa o microfone e encontra a planilha, local onde toda promessa descobre se tem dinheiro ou apenas boa dicção.

Everton voltou e a eleição evaporou. O TSE reverteu a cassação de Everton da Saúde e da vice Franksaine Freitas, permitindo o retorno da dupla à Prefeitura de Porto da Folha. Everton comemorou dizendo que a Justiça foi feita. A eleição suplementar acabou antes de entrar em campo, deixando adversários com discurso ensaiado, santinho impresso e uma bela coleção de material para reciclagem.
Porto trocou as peças do tabuleiro. A volta de Everton não mexe somente com a administração municipal. A decisão reorganiza apoios, lideranças e cabos eleitorais numa região importante para as chapas estaduais. Prefeito reassumindo em período eleitoral nunca chega sozinho: traz votos, compromissos, aliados antigos e uma fila de gente jurando que sempre acreditou na vitória, inclusive quem já havia escolhido outro palanque.
A fome rasgou o outdoor. Adiberto de Souza destacou a informação de que 35% dos sergipanos enfrentariam situação de fome, recolocando pobreza e segurança alimentar no centro do debate eleitoral. Propaganda oficial mostra obra, ponte, escola e governador sorrindo. O problema é que geladeira vazia não assiste televisão, não lê slogan e não se alimenta de inauguração com banda marcial.

Fábio corre atrás da moldura. Fábio Mitidieri tenta manter a campanha concentrada nas entregas administrativas, enquanto os adversários o puxam para transporte, greve, fome, água e contas públicas. É a disputa entre a vitrine cuidadosamente iluminada e o depósito que a oposição insiste em abrir. O governador quer mostrar o quadro pronto; os adversários procuram justamente aquilo que foi cortado da fotografia.
Sergipe abriu o circo eleitoral. A campanha já tem ônibus, tarifa, planilha, salário atrasado, tribunal, Supremo, fome, emenda e promessa reciclada. Fábio se defende, Valmir pauta, Emília cobra, Helton questiona, Alessandro nacionaliza, Candisse denuncia e Ricardo tenta reaparecer. Só está faltando alguém prometer paz, porque confusão política já circula pela Grande Aracaju com subsídio, passe livre e ar condicionado.
O Senado virou balaio de gato. Alessandro lidera a primeira escolha com 21,2%, seguido por André Moura, André David e Rogério Carvalho. Na segunda, Rogério assume a ponta e Eduardo Amorim cresce para 14,2%. Como o eleitor vota duas vezes, tem candidato agarrado ao segundo voto feito menino em traseira de caminhão: balança, mas não larga.
A tarifa subiu no palanque. Fábio Mitidieri disse que o Estado coloca cerca de R$ 15 milhões por ano no transporte e avisou que não entrará no jogo eleitoral de Valmir e Emília. Disse ainda que só promete o que pode cumprir. Enquanto os três disputam quem abaixa mais a passagem, o passageiro continua no ponto, aperreado, esperando o ônibus e a promessa chegarem juntos.
Valmir descobriu o poder de três reais. A proposta possui uma vantagem eleitoral poderosa: qualquer passageiro entende o valor antes mesmo de o ônibus chegar. O desafio será apresentar a fonte do dinheiro, o alcance metropolitano e a viabilidade jurídica da redução. Promessa simples entra rapidamente no ouvido; conta mal explicada desce pela porta traseira e deixa o candidato esperando no ponto.

Valmir foi acertar as contas. Depois da peleja da tarifa, Valmir levou a campanha ao Sindifisco, apresentou propostas e respondeu aos servidores. Defendeu diálogo permanente e flexibilização para contribuintes. O homem saiu do ônibus e caiu direto no imposto. Desse jeito, só falta aparecer com régua, compasso e tabuada debaixo do braço.
Cacho perdeu a vice e o sossego. Suely Barreto renunciou, Emanuel Cacho admitiu limitações de dinheiro e estrutura e agora procura outro nome para completar a chapa. A federação garante que recebeu tudo com tranquilidade. Oxente, se isso é tranquilidade, imagine o aperreio: a casa pegando fogo e o povo abanando a fumaça com nota oficial.
Taty passou longe do rebuliço. Nenhum fato político de grande repercussão apareceu envolvendo diretamente Taty Cristina nas últimas 24 horas, mas sua candidatura constava como deferida na atualização consultada. Num dia em que teve pesquisa, renúncia, recurso e cano estourado, ficar quietinha também foi estratégia. Quem não entra no bolo não leva farinha na roupa.

André abriu o porta malas das emendas. André Moura afirmou ter articulado mais de R$ 3,4 bilhões para Sergipe quando exerceu mandato de deputado. Também defendeu policlínicas, redução da maioridade penal em crimes hediondos e prisão perpétua para feminicídio. O valor foi apresentado pelo próprio candidato. É tanto bilhão na conversa que a calculadora pediu arrego.
Gustinho apareceu no escuro. Gustinho Ribeiro marcou 1,3% na pesquisa espontânea para deputado federal e ficou entre os cinco nomes mais lembrados. Mas 78,6% não souberam responder. Ou seja, ele apareceu, mas a maioria do eleitorado ainda está procurando candidato feito quem procura chave quando falta energia: apalpando tudo e dizendo “estava bem aqui”.
O Pardal está voando baixo. O aplicativo recebeu 145 denúncias eleitorais em Sergipe desde 16 de agosto, e 76 já tinham virado procedimentos de apuração. Há reclamações sobre internet, carros de som, minitrios, outdoors e propaganda nas ruas. Denúncia não é condenação, mas o Pardal está trabalhando tanto que já merece cafezinho, crachá e adicional de hora extra.

Thiago mexeu na cerca do mapa. Thiago de Joaldo voltou ao noticiário como relator do projeto que abriu caminho para o plebiscito sobre os limites entre Aracaju e São Cristóvão. Segundo a reportagem, 9.524 pessoas antes contabilizadas em Aracaju passaram para São Cristóvão. O cidadão dormiu aracajuano e acordou são cristovense sem mudar nem a rede de lugar.
Cacho procura Suely. Emanuel Cacho começou o fim de semana procurando Suely Barreto, a vice que renunciou à chapa e deixou o tucano voando com uma asa só. Enquanto os adversários percorrem cidades e apresentam propostas, Cacho tenta reorganizar a campanha e encontrar uma nova companheira de palanque. Em Sergipe, já tem gente dizendo: se achar Suely, avise a Cacho, porque a federação está mais perdida que turista procurando praia em Frei Paulo.
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