Emília cobra, Fábio desconversa e Valmir oferece parceria

A tarifa dos ônibus da Grande Aracaju virou trio elétrico eleitoral: Valmir de Francisquinho lançou a passagem de R$ 3, Emília Corrêa disse que, com parceria verdadeira, o valor poderia chegar a R$ 2,50, e Fábio Mitidieri respondeu que não entraria no jogo. Entrou, respondeu, rebateu e saiu dizendo que nunca esteve lá. Enquanto os três disputam o volante, o passageiro permanece no ponto, pagando caro, enfrentando demora e entrando em ônibus que, em alguns casos, fazem mais barulho do que escola de samba ensaiando dentro de uma oficina.

Emília merece reconhecimento por colocar o dedo numa ferida que o Governo do Estado tenta cobrir com números e explicações burocráticas. A prefeita deixou claro que Aracaju não encontrou em Fábio Mitidieri a parceria necessária para reduzir de verdade o peso da tarifa. Não se trata de favor ao Município, mas de responsabilidade com um sistema metropolitano que transporta moradores de Aracaju, Nossa Senhora do Socorro, São Cristóvão e Barra dos Coqueiros. O passageiro atravessa fronteiras municipais todos os dias, mas a cooperação entre os governos parece precisar de passaporte, visto diplomático e autorização do palanque.

O mais curioso é que essa falta de conversa não nasceu agora. Mesmo durante a gestão de Edvaldo Nogueira, aliado político de Fábio Mitidieri, não houve entendimento suficiente para produzir uma redução expressiva da passagem. Eram aliados em solenidades, fotografias, discursos e campanhas, mas, quando o ônibus chegou ao ponto, cada um procurou uma cadeira diferente. Se nem entre companheiros políticos houve diálogo capaz de aliviar o bolso da população, fica difícil vender a ideia de que o problema é apenas técnico. A aliança funcionava muito bem no palanque; dentro do coletivo, aparentemente, viajava sem crédito no cartão.

Valmir percebeu o espaço vazio e ofereceu o que hoje não existe: parceria entre o Governo do Estado e a Prefeitura de Aracaju. Caso seja eleito, poderá construir com Emília uma relação institucional capaz de repartir responsabilidades, ampliar o subsídio e buscar uma tarifa mais baixa sem abandonar a qualidade do serviço. A proposta de R$ 3 precisa apresentar cálculos, fonte de recursos e garantia de continuidade, mas possui um mérito incontestável: obrigou todo mundo a falar sobre o assunto. Valmir jogou a bola no campo, Emília mostrou onde está o gol e Fábio ficou reclamando que a partida tem interesse eleitoral, justamente em plena eleição.

No fim, o sergipano não quer saber quem ganhou a discussão no rádio, quem produziu o vídeo mais bonito ou quem conseguiu a melhor frase para as redes sociais. Quer saber por que Aracaju e o Governo do Estado ainda não conseguiram sentar à mesma mesa para resolver um problema que castiga milhares de pessoas diariamente. Emília demonstrou disposição para conversar, Valmir prometeu parceria e Fábio apresentou resistência, números e desconfiança. Agora, cabe ao eleitor decidir quem pretende dirigir o sistema e quem continuará puxando o freio de mão. Porque ônibus parado não transporta ninguém, mas desculpa política já circula com frota completa.

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.

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