Mais uma reflexão sobre certos axiomas

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Venho prestar esclarecimentos sobre o que postei neste espaço, na semana passada, quando sugeri que fizéssemos uma reflexão sobre a reflexão, ou seja, que refletíssemos um pouco mais sobre o que nos afeta em nosso dia adia.

Um grande amigo alertou-me em tom de conselho, dizendo que eu tinha de ser mais claro no que escrevo, pois ele mesmo não havia compreendido bem, por exemplo, o motivo pelo qual eu digo que discordo de certos ditos populares. Não julgo, agora, se o comentário deste dileto amigo, tem fundamento ou se a matéria está clara ou não.

Procurarei esclarecer, ainda mais, aquilo que quis dizer sobre estes adágios que são verbalizados sem o critério da análise e que, dependendo de quem o emita, poderá construir ou destruir muitas boas ideias e intenções.

Disse lá e repito aqui que não sou contrário a todos, os axiomas, por exemplo: “eduque a criança para não punir o homem”.* *Existe uma verdade meridiana nesta afirmativa. Eu jamais me posicionaria contrário à sua verdade. Porém outros — conforme veremos mais à frente — ditos irrefletidamente podem induzir a um retrocesso ou simplesmente estancar uma boa ideia. Pois não passam de jogos de palavras que às vezes até rimam. Não. A grande maioria não espelha nenhuma realidade. Mas que tem uma influência muito grande para algumas pessoas isso, sim, tem. Sobretudo, aqueles que não estão seguros de si próprios nem de suas ideias e projetos.

Imaginemos que um indivíduo, que tem como única atividade o emprego de tomar conta de sua própria lojinha de material elétrico, está muito feliz com aquele negócio, que, embora pequeno, lhe dar uma boa renda. Ele está tão satisfeito que pretende até abrir outra na zona de expansão de sua cidade.  Acredita por ser um bairro novo, haverá muitas construções e, por isso, será um local maravilhoso para montar sua primeira filial.

Ele que pretende crescer sempre, está todo feliz com a possibilidade de expandir o seu empreendimento, ganhar mais dinheiro, melhorar de vida etc. Por acaso aparece um amigo no qual ele acredita muito e o convida para tomar um café a fim de colocar o papo em dia. Lá pelo meio da conversa, ele não resistindo a tentação de divulgar seu projeto deixa escapar sua pretensão de se instalar no bairro novo. E, num crescendo de felicidade vai expondo seus planos para o amigo, quando este o interrompe e diz: “Sei não… “A formiga quando quer se perder cria asas”. Aliás, me diga, quem vai tomar conta deste outro estabelecimento?  É um empregado, não é? Você não sabe que todos eles são…?  Não é por nada, não, viu? Mas você sabe: “o olho do dono é quem engorda cavalo”. Por que você está com essa ideia de jerico? Trabalhar ainda mais, rapaz? Você já trabalha tanto? Tá maluco? Você já está tão bem. Quer dinheiro pra quê? Eu mesmo, agora só quero sombra e água fresca. Trabalhar mais pra quê? Quando eu morrer, não vou levar nada mesmo. O “caixão de defunto não tem gaveta, não, você sabia?” Para com isso, vá viver, rapaz, vá passear, viajar, gozar a vida. É para isso que dinheiro serve. A vida é curta e nós só temos esta, sabia? Para com isso!”

Quando ele prolata a última sentença, aquele projeto tão bom, por sinal, morreu. A cabeça do ex-futuro grande empresário — onde residiam as mais floridas esperanças  — agora está entupida de medo, de terror e, às vezes, de agradecimento pelo aviso que ele, mais tarde, conversando com a esposa, diz: Já pensou, bem?! Se eu não encontro fulano que me deu este bendito aviso? Eu ia me dar mal. Ele tem razão. Estes empregados de hoje não querem nada, não ia dar tempo para eu acompanhar as duas lojas, afinal para que eu quero mais, estou tão bem somente com uma lojinha. Eu quero agora é descanso, nada que me traga mais trabalho. Vamos é passear mais, comprar uma casa de praia, um carro melhor, melhores roupas e móveis, vamos viver a vida “é para isso que o dinheiro serve”.

Aí eu procuro lembrar o tal “empreendedorismo” que tanto se fala e pouco se faz aqui em nosso país. Sinto a tristeza de ver mais um grande negócio sendo apagado do mapa por um conselho, que pode até ser bem intencionado, mas de efeito devastador. Procuro me lembrar aqui dos pequenos empresários que construíram grandes negócios, imagino, por não terem a desdita de privarem-se de certas amizades ou caso as tivessem não dar ouvidos aos maus agouros, todos revestidos em axiomas malditos que só servem para atrapalhar.

Depois ficamos a reclamar: por que a grande maioria das empresas estão nas mãos de poucos empresários ou grupos e, às vezes, de empresários ou grupos de fora, de outros Estados ou Países, que sequer sabem onde ficam estabelecidos os seus pontos comerciais. Mesmo porque eles não criam cavalos e sabem muito bem que o olhar não engorda nada, o que engorda mesmo é proteína… Eles confiam nas outras pessoas que sequer conhecem, pois acreditam que no mundo existem aqueles que querem viver honestamente, trabalhar e progredir.

Mas, sobretudo, procuram não escutar “amigos bem-intencionados”. Seus conselheiros são outros, pessoas, que, como eles, acreditam no futuro, na iniciativa, no negócio e em Deus.

Eles têm seus negócios espalhados pelo mundo todo e nem por isso deixam de viver, viajar, ter casa nova, carro novo etc. Aliás, vivem até muito mais e melhor do que o amigo dono da lojinha, pois o que eles têm é são negócios, e não um empregos. Emprego é que não dispensa a presença física do empregado. O negócio é diferente. Então se correto estivesse o axioma que assegura que: “o olho do dono é quem engorda cavalo”, deveria dirigir-se ao empregado, pois este sim tem a obrigação de está de olho para não perder a sua vaga. O patrão, normalmente não perde a vaga, pois ele é, também, o dono dela também.

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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